3: foco na cruz aumenta o pecado e diminui a nova vida?

por Jeff Purswell

por Jeff Purswell

[O post a seguir é parte de uma série abordando as questões mais comuns sobre como a crucificação de Cristo e a ressurreição de Cristo se relacionam entre si nas Escrituras.]

Pergunta 3: É por meio da união com a ressurreição de Cristo que nós somos levantados para uma nova vida espiritual. Se nós falarmos tanto sobre a cruz, não vamos acabar focando apenas no pecado e ignorando este importante aspecto da vida cristã? Um foco na ressurreição não nos levaria a uma vida cristã mais santa e mais vitoriosa?

Textos que falam de nossa união com Cristo são preciosos e devem ser proclamados e comemorados. O Espírito Santo transforma o crente, providenciando poder para uma vida piedosa. Absolutamente. Mas da mesma forma que em tantas áreas do ensino bíblico, precisamos sempre tomar cuidado com o pensamento dualista – de separar coisas que deveriam ficar juntas.

Por exemplo, não é apenas a ressurreição que nos dá uma tremenda esperança e motivação para uma vida transformada; a cruz também deve funcionar dessa forma.

Parece que para Paulo, uma das principais motivações para viver uma vida santa é que Cristo morreu pelos pecados dele: “Pois o amor de Cristo nos contrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Coríntios 4:14-15)

Nós vemos uma conexão similar em Gálatas 2:20, que cai no meio de uma discussão de Paulo sobre a justificação pela fé. A habitação de Cristo na vida do crente é real e verdadeira, e Paulo continuará a insistir nisso em outros lugares, como Gálatas 5:16 em diante. Mas o seu principal ponto em Gálatas 2:20 parece ser que a sua nova vida é vivida pela fé, baseada solidamente sobre a verdade da justificação, como resultado da morte de Cristo por ele. Para o crente, então, tanto a cruz quanto a ressurreição abastecem nossa motivação para uma vida piedosa – e é melhor que eles façam isso juntos.

Nós devemos também reconhecer que o perigo de isolar um conjunto de verdades de outro corta dos dois lados. Para ter certeza, o novo nascimento, nossa união com Cristo e o dom do Espírito decisivamente transformam nossas vidas. Mas nossa existência atual não é simplesmente triunfo e glória desenfreados. Nós ainda lutamos contra a carne, e nós fazemos isso em um mundo caído que espera o retorno de Cristo antes que tudo fique certo novamente.

E assim, enquanto nós podemos conhecer “o poder da sua ressurreição“, ao mesmo tempo devemos “participar nos seus sofrimentos, tornando-se semelhantes a ele em sua morte” (Filipenses 3:10). Nós nos alegramos por termos sido “regenerados para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1 Pedro 1:3), mesmo quando nós confiamos em Deus quando estamos nas garras do sofrimento, sabendo que “também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas” (1 Pedro 2:21). O próprio Salvador avisou aos seus discípulos que segui-lo envolvia uma vida de abnegação e cruz (Marcos 8:34-35; 9:35; 10:42-45).

Isolar ou a cruz ou a ressurreição na vida cristã é distorcê-la e empobrecê-la. A cruz e a ressurreição juntos formam o contorno de nossas vidas como discípulos de Jesus

Traduzido por Daniel TC | iPródigo | Original aqui.

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