A diferença entre o pastor e o conselheiro secular

por David Powlison

David Powlison
David Powlison

A singularidade de sua mensagem é fácil de ver. Mas você já sabe disso. Não irei repetir as inescrutáveis riquezas de Cristo ou suas 10 mil implicações pertinentes.

Eu quero que você note a singularidade de sua mensagem pelo contraste. Todo conselheiro traz uma “mensagem”: uma interpretação dos problemas, uma teoria que pesa casualidade e contexto, uma proposta de cura, um objetivo que define uma vida de qualidade. Como sua mensagem se compara à mensagem deles? Simplesmente considere o que os outros conselheiros de nossa cultura não dizem:

  • Eles nunca mencionam que Deus tem um nome: YHWH, Pai, Jesus, Espírito, Todo-Poderoso, Salvador, Consolador.
  • Eles nunca mencionam que Deus prescruta todo coração, que todo ser humano se ajoelhará para prestar contas por cada pensamento, palavra, ato, escolha, emoção, crença e atitude.
  • Eles nunca mencionam pecado e pecaminosidade, que a humanidade obsessiva e compulsivamente transgride contra Deus.
  • Eles nunca mencionam que o sofrimento tem sentido dentro dos propósitos divinos de misericórdia e julgamento.
  • Eles nunca mencionam Jesus Cristo. Ele é um constante insulto à autoestima e à autoconfiança, à autossuficiência, aos esquemas de autossalvação, à autojustificação, a acreditar em si mesmo.
  • Eles nunca mencionam que Deus realmente perdoa os pecados.
  • Eles nunca mencionam que o Senhor é nosso refúgio, que é possível caminhar pelo vale da sombra da morte e não temer mal algum.
  • Eles nunca mencionam que fatores biológicos e experiências pessoais existem dentro da providência e dos propósitos do Deus vivo, que natureza e ambiente indicam responsabilidade moral, mas não afastam a responsabilidade da intenção.
  • Eles nunca mencionam nossa propensão a devolver o mal com o mal, e como as dificuldades nos tentam à reclamação, à ansiedade, ao desespero, à amargura, à inferioridade e ao escapismo.
  • Eles nunca mencionam nossa propensão de devolver o bem com o mal, e como a prosperidade nos tenta à autoconfiança,à ingratidão, à autossuficiência,às exigências, à presunção, à superioridade e à cobiça.
  • Eles nunca mencionam que seres humanos foram criados para tornarem-se deliberadamente adoradores, ajoelhando-se cm sentimento profundo de necessidade pessoal, erguendo as mãos para receber os dons do corpo e do sangue de Cristo, levantando as vozes em canto sincero.
  • Eles nunca mencionam que seres humanos deveriam viver missionalmente, usando os dons de Deus para o avanço do reino e da glória de Deus.
  • Eles nunca mencionam que o poder para mudar não se encontra em nós.

Em outras palavras, eles sempre aconselham em lealdade à suas convicções mais profundas.

Como um pastor, você menciona todas essas coisas, ou você não é pastor. Mais ainda, você nunca se contenta em meramente mencionar ou listar essas realidades, como se uma pessoa precisasse simplesmente de instrução didática, nua e crua. Como um músico hábil, você desenvolve um ouvido treinado. Em cada detalhe da história dos outros, você aprende a ouvir a música dessas realidades não-mencionadas. Você ajuda os outros a ouvirem o que está sendo tocado. Uma conversa pastoral relevante e honesta ensina a outra pessoa como ouvir, e então como entrar na música.

Eu preciso dizer mais? Ninguém mais está ouvindo o que você ouve. Ninguém mais está dizendo o que você tem a dizer. Ninguém mais está cantando o que você acredita. Ninguém mais está dando aos outros o que você recebeu para dar gratuitamente. Cada pessoa que “precisa de aconselhamento” realmente precisa de sua mensagem singular.

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Traduzido por Josaías Jr | Reforma21.org | Original aqui

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