A Escritura é Verdadeira

por Edward T. Welch

Ed Welch
Ed Welch

Ou: o que eu aprendi sendo motorista escolar.

Conselheiros bíblicos, obviamente, acreditam que a Escritura é verdadeira. Mas como todo o resto da vida cristã, nós nos convencemos mais disso. Nós acreditamos que ela é verdadeira agora, e esperamos ter mais confiança disso no ano que vem, talvez por meio de algumas dúvidas e questões ao longo do caminho.

E essa confiança crescente é importante. Se você prestar atenção em alguns conselheiros novatos falando sobre a Escritura, e depois colocar as mesmas palavras na boca de um veterano, elas soaram bem diferentes. A diferença pode ser que os veteranos tem uma confiança mais firme de que a Escritura é, de fato, a palavra de Deus. Eu tenho percebido a mesma coisa nos sermões. Quando sermões são inspirativos, é porque a confiança do pregador na Palavra de Deus é contagiante. Com isso em mente, devemos sempre desejar crescer. Estamos à caça de evidências de que a Escritura é confiável.

Uma evidência é essa: a Escritura dá menos leis ao longo do tempo.

Quando eu estava no seminário, eu dirigia um ônibus escolar. O que eu não sabia é que estava na verdade conduzindo um experimento sociológico em que eu era o rei da sociedade, ou nesse caso, o déspota.

No início do primeiro dia, não havia regras. Afinal de contas, os anjinhos não faziam nada de errado e iriam, sem dúvida alguma, simplesmente agir em prol de agradar o benevolente motorista.

Ao fim do dia, havia duas. Não ficar em pé com o ônibus em movimento. Não jogar nada pela janela.

Ao fim do segundo dia, havia mais duas. Não xingue. Não pratique bullying.

Ao fim do terceiro dia havia mais uma. Não briguem.

Após duas semanas, eu simplifiquei a lista de leis com apenas uma. Você deve fazer exatamente o que o motorista lhe ordenar. Isso não era uma só lei, na verdade. Era uma forma de adicionar milhares de leis ou regras para que eu pudesse exercer minha vontade soberana.

Governos seguem esse mesmo padrão. Religiões também. Somos pessoas rebeldes que buscam brechas nas leis existentes, e então mais são adicionadas como forma de manter a sociedade funcionando tranquilamente. Às vezes há tantas leis que elas podem ser resumidas em “faça o que eu te mandar fazer”.

Com isso em mente, quando você lê Levítico, você tem motivos para se preocupar. Lá estão um monte de leis, e nós só estamos no terceiro livro da Bíblia. Avance alguns anos e a Escritura será um livro enorme, e todos deverão ser advogados. Quem imaginaria então que tantas leis seriam criadas para então serem descartadas quando Jesus Cristo veio a nós como um ser humano? Os detalhes do sistema sacrificial  havia servido o seu propósito. As leis morais também receberam sérias modificações.

Porque em Cristo Jesus nem circuncisão nem incircuncisão têm efeito algum, mas sim a fé que atua pelo amor. (Gálatas 5.6)

Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. (1 Coríntios 2.2)

Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. (João 13.34)

Um livro de origem humana vai ter cada vez mais leis. Um livro de origem divina sempre vai nos surpreender, e isso é surpreendente. Leis são abolidas e cumpridas em Cristo. Aquelas que permanecem são decididamente minimalistas. E isso lá é forma de se dirigir um reino? Sim, se os cidadãos foram transformados de sua rebeldia.

Quando você deixa seus filhos sozinhos em casa pela primeira vez, você deixa também uma longa lista de “pode” e “não pode”. Mas quando eles crescem e conseguem entender suas responsabilidades, nós os deixamos apenas com um simples “até mais tarde”.

Cristo veio – essa é uma razão para haver poucas leis.

O Espírito nos foi dado – essa é outra (Ezequiel 39.29).

Darei a eles um coração não dividido e porei um novo espírito dentro deles; retirarei deles o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Então agirão segundo os meus decretos e serão cuidadosos em obedecer às minhas leis. Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. (Ezequiel 11.19-20)

Nós não somos moralmente superiores aos santos do Antigo Testamento, mas nós temos algumas vantagens sobre eles. Nós temos o Espírito. Nós não somos mais crianças no ônibus escolar com uma lista cada vez mais de regras para seguir.

É isso que está por trás da exortação de Agostinho: “Ame Deus e faça o que quiser”. A ética daqueles que tem o Espírito é a de amar Deus e pensar em formas criativas de expressar esse amor altruísta para outros. Ninguém poderia inventar uma ética assim. Ninguém confiaria em uma ética tão minimalista. Não – os caminhos de Deus são diferentes, sua Palavra reflete isso, e a nossa fé se desenvolve.

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Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com | Original aqui

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