A sutil ofensiva neoliberal (1)

por Phil Johnson

Por Phil Johnson, diretor executivo do ministério Grace to You
Por Phil Johnson, diretor executivo do ministério Grace to You

Os adversários terrenos mais perigosos para o Evangelho não são os ateístas furiosos do lado de fora gritando ameaças e insultos. São os líderes de igreja que cultivam um comportamento gentil, amigável e piedoso, mas que destroem os fundamentos da fé sob o pretexto de manter-se atualizados com um mundo em mudanças.

Nenhum cristão deveria imaginar que uma heresia é sempre visível ou que todo divulgador de engano teológico apresentará seus objetivos em termos claros e honestos. O inimigo prefere semear o joio secretamente, por razões óbvias. Portanto, a Escritura expressamente nos avisa a estar de guarda contra falsos mestres que se infiltram na igreja desapercebidos (Judas 4), lobos que sorrateiramente entram no rebanho vestindo peles de cordeiro (Mt 7.15), e servos de Satanás que se disfarçam de anjos de luz (2 Co 11.13-15).

O liberalismo teológico é particularmente dependente da ofensiva sutil. Uma igreja espiritualmente saudável geralmente não é suscetível ao ceticismo arrogante que repousa na rejeição liberal da autoridade bíblica. O liberalismo deve, portanto, criar raízes disfarçadamente e ganhar força e influência gradualmente. O sucesso ou o fracasso de todos os objetivos liberais depende de uma paciente campanha de relações públicas.

Isso é precisamente como os neoliberais conseguiram obter um lugar dentro do movimento evangélico contemporâneo. Considere o quanto o evangelicalismo mudou em apenas algumas poucas décadas.

Evangelicalismo Clássico

O Evangelicalismo histórico tem dois distintivos claros. Um é o compromisso com a inspiração e a autoridade das Escrituras. O outro é a convicção de que a mensagem do Evangelho é clara e não-negociável.

Especificamente, os evangélicos entendem o Evangelho como o anúncio do que Cristo fez para salvar pecadores, redimir a raça caída de Adão, e levar os crentes ao seu Reino eterno. O Evangelho não é uma ordem para que pecadores salvem a si mesmos, redimam a humanidade, recuperem a dignidade humana, guardem a diversidade cultural, preservem o meio-ambiente, eliminem a pobreza, estabeleçam um reino de si próprios, ou apoiem qualquer conceito social de “salvação” que seja popular no momento. Na verdade, o Evangelho expressamente ensina que pecadores podem ser justificados unicamente pela fé em Cristo somente, e exclusivamente por sua obra graciosa – não devido a algum mérito que eles garantem por si mesmos.

A Reforma Protestante esclareceu e iluminou esses dois princípios – sola Scriptura e sola fide. De fato, esses são algumas vezes conhecidos como os princípios formais e materiais da Reforma. Mas eles não eram ideias novas que alguém sonhou em meio ao clima do século XVI. Eles são e sempre foram os princípios essenciais do Cristianismo bíblico. Ao longo da história da igreja, essas verdades frequentemente foram encobertas ou distorcidas, ou misturadas com (algumas vezes vencidas por) falsos ensinos. Ainda assim, desde o tempo de Cristo e dos apóstolos, essas verdades nunca foram totalmente silenciadas. Elas são, de fato, a coluna da doutrina do Novo Testamento.

O evangelicalismo histórico levou muito sério isto. Desde o amanhecer da Reforma até o a metade do século XX, poucos evangélicos sequer pensaram em questionar a Escritura ou modificar o Evangelho.

Evangelicalismo Contemporâneo

Com o advento do movimento seeker-sensitive¹, entretanto, os evangélicos começaram a ser influenciados por uma nova espécie de líderes empresariais, que marginalizaram essas doutrinas centrais ao negligenciá-las. A maioria deles não negou abertamente as verdades bíblicas; porém, eles também não defendem nem enfatizam nada senão sua própria metodologia.

Os resultados são previsíveis: igrejas agora estão cheias de pessoas que anteriormente não a frequentavam, mas que ainda não foram discipuladas e, talvez, nem mesmo convertidas. Multidões de crianças criadas com a doce dieta da religião seeker-sensitive cresceram associando o rótulo evangélico com superficialidade. Muitas delas não são capazes de explicar o que o termo originalmente significava, e rejeitaram qualquer vestígio de distintivos evangélicos ou declarações doutrinárias que seus pais possam ter sustentado até então. Mas elas ainda se chamam de evangélicas quando é conveniente, e muitos permanecem à margem do movimento visível, reclamando de quão distante a igreja está de sua geração. Isso, afinal, é exatamente o que elas aprenderam de seus pais.

Esse é um terreno fértil para o liberalismo florescer ao máximo, e é precisamente o que já está acontecendo. Os evangélicos estão alegremente seguindo uma quantidade de tendências que contribuem com os objetivos neoliberais. A não ser que um remanescente fiel comece a reconhecer e resistir à estratégia neoliberal, as igrejas e instituições evangélicas eventualmente se renderão ao advento do liberalismo, assim como muitas das denominações mais importantes fizeram há um século.

Para ajudá-lo a enfrentar a corrente, aqui estão quatro tendências principais na cultura de hoje que os líderes neoliberais estão promovendo e aproveitando:

  1. Eles inconsequentemente seguem o zeitgeist².
  2. Eles querem a admiração do mundo a qualquer custo.
  3. Sua “fé” vem com um ar de superioridade intelectual.
  4. Eles desprezam a precisão bíblica e doutrinária.

Parte 02

¹ Movimento que propõe que os cultos sejam voltados para os visitantes incrédulos, pregando apenas o que é considerado “necessidade” para essas pessoas, e  de maneira que eles não se ofendam com a mensagem pregada.
² Termo que significa “o espírito da época”, isto é, a maneira de pensar, a cosmovisão de determinada época.

Traduzido por Josaías Jr | iPródigo | Texto original aqui

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