Ajude até os pobres mais ímpios

por Joel Brooks

por Joel Brooks

Meu escritório está localizado em uma das áreas mais pobres da cidade de Birmingham, Alabama. Mesmo enquanto estou a escrever este artigo, do lado de fora da minha janela eu posso ver duas prostitutas de pé do outro lado da rua em frente a um hotel e um mendigo empurrando um carrinho de supermercado cheio de latas. Confrontado com cenas como esta diariamente, passei a pensar muito sobre o chamado de Jesus para servir os menores. Mas como isso deve acontecer na minha vida? Ao longo dos anos, tenho muito mais fracassos do que sucessos quando se trata de alcançar estas pessoas.

Pode não ser fácil, mas nosso chamado para ajudar os pobres é um mandato escriturístico que poucos argumentariam em contrário. Deuteronômio 15.7-8 diz:

“Quando entre ti houver algum pobre, de teus irmãos, em alguma das tuas portas, na terra que o SENHOR teu Deus te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás a tua mão a teu irmão que for pobre; Antes lhe abrirás de todo a tua mão, e livremente lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade.”

Essa é apenas uma das várias passagens bíblicas que mostra o interesse de Deus pelo bem estar dos menos favorecidos.

Mas se você já gastou algum tempo servindo aos pobres já deve ter percebido que isso não é fácil para pessoas fracas de coração. Eu já vi algumas pessoas que tinham “corações voltados para os pobres” ficarem arrasadas durante meses. Isso acontece porque os pobres a que servem comumente não respondem à ajuda da forma como esperam. Enquanto essas pessoas doam seu tempo e dinheiro, presumem que os pobres auxiliados serão gratos e gentis. Talvez imaginassem um homem sem-teto se desaguando em lágrimas ao receber um casaco novo e um sanduiche quentinho. Ao contrário, recebem – quando muito – um “obrigado” ou um “Deus te retribua”. Talvez sejam até criticados pela cor do casaco ou pelo sabor do sanduiche que deram. Logo descobrem que alguns mendigos podem ser exigentes — e até mesquinhos!

Experimentei isso, recentemente, quando uma mulher sem-teto se aproximou de mim e pediu dinheiro. Eu disse que ia comprar-lhe uma refeição em vez de dar dinheiro. Ela me repreendeu em voz alta na frente de todos com muitos insultos, até que finalmente concordou em deixar-me comprar a refeição. Enquanto entrávamos pelo restaurante, ela gritava atrás de mim, “promoção número seis com Dr. Pepper!” Quando lhe entreguei a refeição, ficou muito brava pois tinha trazido o molho errado. Em fim, essa não foi uma experiência muito agradável. Eu não fiquei com aquela tão falada “sensação de bem estar” por ter ajudado alguém.

Certamente nem todos os pobres são assim. Já encontrei vários que podem ser as pessoas mais humildes e gratas que conheço, mas não dá para desprezar o fato de que muitos são simplesmente maus e mesquinhos. Muitos estão desabrigados e com fome como consequência de suas próprias más ações e escolhas. Muitas vezes eles vão esbanjar qualquer auxílio que lhes derem. Muitos nunca vão agradecer ou até mesmo vão falar mal de você enquanto você doa seu tempo e dinheiro.  Então, o mandato bíblico de auxiliar o pobre significa que nós devemos gastar nossa vida para auxiliar pessoas assim? A resposta é SIM e sem reservas. Jesus Cristo nos chama a ajudar até mesmo o pobre ímpio e mau.

A resposta revela a nossa condição espiritual

Há várias passagens bíblicas em que encontramos esse chamado, mas recentemente encontrei em um lugar inesperado — na história da destruição de Sodoma e Gomorra. Pregando sobre Gênesis recentemente, me surpreendi com ao encontrar a preocupação de Deus em cuidar do pobre ímpio nessa história que cheira a fogo e enxofre.

Quase todos são familiares com a história de Deus decretando o julgamento dessas cidades por causa da impiedade delas. E muita gente presume que o pecado pelo qual Sodoma foi julgada é a imoralidade sexual. Mas o profeta Ezequiel nos fala outra coisa. Ezequiel 16:49 diz, “Ora, este foi o pecado de sua irmã Sodoma: Ela e suas filhas eram arrogantes, tinham fartura de comida e viviam despreocupadas; não ajudavam os pobres e os necessitados” Sodoma foi julgada por ser orgulhosa, pela vida tranquila que levava ao negligenciar o pobre e necessitado  — não simplesmente pelo pecado sexual. Não sei quanto a você, mas essa história passou, de repente, a ser desconfortável para mim. Ao invés de julgar o povo de Sodoma, passei a me identificar com eles.

Mas como essa história nos dá o mandato de ajudar os pobres ímpios? A resposta é que os pobres negligenciados de Sodoma não eram considerados justos por Deus. Eles também foram julgados pela sua impiedade. Lembre-se, Deus disse a Abraão que pouparia toda a cidade se, ao menos, encontrasse lá 10 pessoas justas. Todos eram injustos – ricos e pobres igualmente. O pecado de Sodoma foi ter negligenciado os pobres injustos, o resultado foi o juízo sobre ambos ricos e pobres.

Entendo que ajudar o pobre injusto é uma das melhores formas de me lembrar o evangelho pelo qual fui salvo. Eu não recebi misericórdia porque merecia. Jesus Cristo não deu sua vida por mim por eu ser uma boa pessoa. Não, eu era seu inimigo e cheio de pecados quando Ele morreu por mim. Eu nunca mereci e nunca merecerei sua graça. Graça é sempre imerecida. Então, quando vejo como um pobre injusto responde com amargura aos meus atos de bondade, lembro-me da minha própria condição espiritual. Mesmo agora, eu falho em agradecer a Deus pela sua constante e abundante graça em meu favor. Graças a Deus pelo evangelho pelo qual Ele me salva.

Precisamos entender nosso serviço aos necessitados por meio das lentes do evangelho. Na verdade, nossa habilidade de ajudar aqueles que não merecem é um indicador de se recebemos ou não a misericórdia e a graça de Deus.  Como Jesus diz em Lucas 6.32-33 e 35-36:

“Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? Até os ‘pecadores’ amam aos que os amam. E que mérito terão, se fizerem o bem àqueles que são bons para com vocês? Até os ‘pecadores’ agem assim. Amem, porém, os seus inimigos, façam-lhes o bem e emprestem a eles, sem esperar receber nada de volta. Então, a recompensa que terão será grande e vocês serão filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso para com os ingratos e maus. Sejam misericordiosos, assim como o Pai de vocês é misericordioso”.

Traduzido por Gustavo Vilela | iPródigo.com | Original aqui

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