Amamos corretamente quando amamos o Pai

por Thabiti Anyabwile

Thabiti Anyabwile
Thabiti Anyabwile

Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. (1 João 2:15)

O que o amado apóstolo quer dizer quando escreve, “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo”? João não entende por “amor” somente desfrutar as coisas boas da criação. Ele não quer dizer que você ama o mundo se você desfruta as boas dádivas corretamente.

A razão pela qual ele não quer dizer e não pode dizer isso é porque o evangelho de João prega, na verdade, a nossa libertação do mundo para que possamos desfrutar corretamente o mundo. Considere Atos 14.15-17. No contexto, Paulo e Barnabé são confundidos como deuses gregos e o povo começa a adorá-los. Paulo fala para corrigir as multidões. Perceba como ele argumenta que o evangelho produz a alegria correta na criação de Deus.

15 “Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos  aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles – [é assim como o evangelho reorienta ao Criador até então distante da criação]16 o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos;17 contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria.” [Primeiro adoramos o único e verdadeiro Deus que criou tudo e deu bênçãos na criação, depois podemos ter nossos corações corretamente completos com alegria por meio das suas dádivas na criação]

Mas há mais. O evangelho não somente nos liberta para pensar e para se alegrar na criação devidamente, a alegria correta da criação pode contribuir para a nossa segurança da salvação. Olhe comigo em 1 Timóteo 6.17-19.

17 Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; [Você vê? Esse é o evangelho nos reorientando a ter fé em Deus ao invés de ter no mundo presente, e libertando-nos para desfrutar tudo]. 18 que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; [Esse é a alegria e uso corretos das dádivas de Deus — boas obras e partilha. Perceba como eles guiam para a segurança da nossa salvação] 19  que acumulem para si mesmo tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida.

 Então, quando João diz, “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo”, ele não está dizendo que o povo de Deus não deveria desfrutar e usar as dádivas de Deus de um jeito correto. Eles deveriam. Alegria correta e o uso das bênçãos de Deus até contribuem para a nossa confiança da vida eterna.

O que João quer dizer com “Não ameis o mundo” é colocar nada “[d]o mundo” antes do próprio Deus. Não se junte ao mundo de uma maneira que enfraqueça e possa destruir a fé, a obediência e a fidelidade ao Pai. Essa é a preocupação de João.

O que nos leva a um importante princípio: Não podemos amar o mundo corretamente antes de amarmos o Pai completamente. Escrevo isso com um pouco de medo e tremor. Sei que essa simples frase pode trabalhar no coração de diferentes maneiras dependendo de qual condição espiritual em que você se encontra agora.

Você parece ser alguém que professa ser cristão, mas realmente você não é. Você é como o homem em 1 João 2.15 que ama o mundo e não tem o amor do Pai nele. No entanto, você contou a si mesmo que você tem, ou você contou a si mesmo “Ei, não há nada de errado em ter coisas” e assim por diante. Se você é essa pessoa, aqui está o que acabou de acontecer quando você leu “Você não pode amar o mundo corretamente antes de amarmos o Pai completamente”: Você assinalou o quadradinho “eu amo o Pai” sem mesmo pensar sobre isso e você imediatamente pensou nos anseios, desejos, coisas, e atividades que você pode continuar fazendo no mundo. Ao invés de ouvir a afirmação como uma exortação a um amor mais pleno por Deus, você toma o que é dito como uma permissão para continuar o seu caminho pecaminoso. Você está usando a verdade da Bíblia como uma desculpa para amar mais o mundo do que Deus. Você está pensando como o mundo.

Agora, se você está pensando sobre isso como um cristão, você deve estar se perguntando, “Como posso ter um amor mais completo pelo Pai?” Seus pensamentos, desejos e ações são atraídos não para amar o mundo corretamente mas para amar o Pai completamente. Você deve extrair segurança, esperança e desejo disso se você é um cristão que justificadamente sente certeza da sua salvação. Todo o seu interior simplesmente concordou com a cabeça e se alegrou com a ideia de amar Deus completamente.

No entanto, você pode estar numa terceira categoria. Você pode ser um cristão que luta com dúvida e insegurança da salvação. Você pode ter ouvido essa frase e pensado consigo, “Eu não amo o Pai completamente.” Você pode pensar na fraqueza do seu amor, nas imperfeições. Você quer amar o Pai mais completamente mas você se desespera e se sente desencorajado a fazer. Seja encorajado porque o seu coração e mente estão na direção certa. Preste atenção na direção a qual o seu coração verdadeiramente se inclina – em direção a Deus. Se você não fosse de Cristo, você nem mesmo teria o desejo de amar o Pai. Se você não fosse de Cristo, você não se lamentaria da fraqueza do seu amor. Amor fraco não é o mesmo que amor zero. Ânimo! O desejo de amar a Deus que você tem vem de Deus. Descanse a sua confiança não na perfeição do seu amor, mas na perfeição de Jesus Cristo, que te ama e ama o Pai por você.

Como sabemos se amamos verdadeiramente Deus ao invés do mundo? Sabemos que amamos Deus e não o mundo quando negamos nossas motivações e desejos caídos e desejamos o modo de viver de Deus e a glória de Deus em tudo. Esse é você?

Tags: , , , ,

Traduzido por Pedro Vilela | Reforma21.org | Original aqui

Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.