Quando a Auto-Estima encontra Simon Cowell

por Winston Smith

Winston Smith
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Não posso realmente ser considerado um fã do programa American Idol, mas todo ano eu simplesmente não consigo resistir e assisto aos primeiros shows. Nesses episódios iniciais da temporada, milhares de pretendentes a ídolos esperam na fila por horas pela oportunidade de ter preciosos minutos para mostrar ao Simon, ao Randy e a Paula que eles têm o talento nato e uma pontinha da mágica natural das estrelas. Todos querem ser a personificação da figura do artista que trabalhou e sofreu para finalmente ter a chance de brilhar. Mas na maioria dos casos, esses primeiros episódios são apenas muito engraçados. Eu espero não ser o único a admitir que acha muito engraçado quando um dos candidatos olha para a câmera, chama à tona cada grama de profundidade e intensidade artística que há dentro de si para finalmente cantar tão mal que as letras são a única pista para desvendar a verdadeira identidade da música. Os grunhidos e bocejos dos jurados apenas ecoam o que está acontecendo nas salas de TV da América.

Mas o que é mais trágico do que engraçado é o ultraje e a indignação desses mesmos candidatos ao ouvirem os jurados pronunciar apenas o óbvio: “Isso foi simplesmente horrível”, como Simon Cowell gosta de falar. Candidatos explodem para fora da sala em prantos e correm para os braços dos amigos e da família. Alguns gritam palavras de baixo calão e fazem gestos obscenos para os jurados. Houve um que chegou a jogar um copo cheio de água no pobre Simon – apesar de isso ter sido bastante engraçado também. Será que eles estão falando sério? Eles realmente pensaram que eram bons cantores?

Eu tenho uma teoria. Será que estamos testemunhando alguns dos efeitos colaterais dos quarenta anos do movimento da auto-estima? Minha teoria, na verdade, é baseada na minha experiência pessoal. Eu sou um entre os milhares que atravessaram um sistema escolar público cheio de professores sempre prontos a darem uma mensagem sobre o valor próprio. Mesmo minha professora da quarta série, Srta Jones, que sempre conduzia suas aulas com rígida e estrita disciplina, se sentiu obrigada a confortar minha ansiedade em relação a um jogo de basquete que eu participaria me falando sobre como eu era um fantástico jogador. O estranho é que ela nunca havia me visto jogar, e eu, de fato, era um péssimo jogador de basquete. Havia evidências mais do que suficientes que a querida Srta Jones não sabia do que estava falando, mas se meu técnico e algumas outras pessoas de influência continuassem repetindo o mantra, talvez eu até acreditasse.

A Bíblia, por outro lado, explica de forma muito simples o que está no centro do movimento da auto-estima e seus não tão engraçados efeitos. Provérbios 26.28 diz: “A língua mentirosa odeia aqueles a quem fere, e a boca lisonjeira provoca a ruína”. Não importa o quão sofisticada seja nossa teoria, falar para alguém algo que não é verdade apenas para que eles se sintam bem é lisonja. Esse provérbio deixa muito claro que lisonja é apenas mais uma palavra bonita para mentira. Não importa quão nobre seja nossa motivação, e desconsiderando o valor cômico disso, criar em alguém uma imagem falsa de quem se realmente é não ajuda, mas apenas cria o caminho para a destruição. Sem se importar com a nossa motivação, a Bíblia simplesmente chama isso de “ódio” por conta de seu efeito. Amar significa falar de uma forma que ajuda a outra pessoa a crescer, que mostra a melhor chance de alcançar o sucesso, não ruína, vergonha e fracasso.  Tanto como conselheiro como marido, pai, amigo e vizinho, eu preciso me lembrar que às vezes falar a verdade em amor não é fácil e nem sempre vai ser bem recebido pelo ouvinte. Mas é amor.

Eu acho que talvez os candidatos do American Idol estivessem melhores se algumas pessoas confiáveis tivessem tomado alguns minutos de suas vidas para dizer a eles de forma gentil: “Veja bem, talvez cantar não seja o melhor de seus talentos. Deixe-me te dizer no que você realmente é bom…”. E minha professora da quarta série provavelmente deveria ter continuado ‘no personagem’ e me falado para me preocupar com algo mais importante – como a minha nota de matemática.

Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo

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