Bebendo de um hidrante: por que tantos sermões?

por Clint Archer

Em boas igrejas costuma haver um MONTE de pregação. Às vezes isso pode ser um pouco esmagador. Sermões sendo metralhados em você de todos os lados, como uma emboscada de paintball.

Domingo de manhã e à noite, quinta-feira no grupo familiar, sábado no grupo de homens e depois da invenção do MP3 um bombardeio de pregações excelentes do mundo inteiro a um toque de distância. É que nem beber água de um hidrante.

Quanto dessa verdade bíblica realmente está sendo absorvido? Devo esperar honestamente que eu esteja atento aos 15 sintomas da hipocrisia em Lucas 11, assim como as 3 ferramentas que Deus usa para salvar pecadores e os 6 passos para ser um bom mordomo do meu dinheiro? E se eu deveria lembrar isso tudo, e na próxima semana? E na semana seguinte?

Memória fotográfica é um requisito para ser um cristão fiel hoje em dia?

Nós não somos a primeira geração a afundar em uma sobrecarga de informações.

No auge do Grande Avivamento do século dezoito na Nova Inglaterra, não era incomum um membro puritano ouvir 8 a 12 horas de sermão por semana. Alguns sentiam que isso era contra-produtivo, deixando ouvintes sobrecarregados incapazes de aplicar qualquer coisa do que eles estivessem ouvindo, mais incapazes ainda de aplicarem tudo aquilo.

Uma brilhante réplica, entretanto, veio do famoso pregador Jonathan Edwards, que em resposta às críticas de que as congregações não conseguiriam se lembrar de tudo o que foi pregado, disse:

“O principal benefício que é obtido pela pregação é a impressão feita na mente na hora que o sermão é pregado, e não o efeito que vem depois por causa de alguma lembrança do que foi entregue ou que seja trazido pela memória.”

Em outras palavras, o Espírito Santo faz uma obra de mudança na pessoa durante a pregação.

Pedacinhos sonoros e nano-momentos fugazes de epifania agem como minúsculos formões batendo em nossas almas enquanto, imperceptivelmente, nos moldam.

Eu sou um fã de fazer anotações, mas a verdadeira utilidade das anotações não é que elas vão ajudar a lembrar as informações, nem que elas gravam uma referência para consulta posterior, mas primariamente que elas focam a atenção da pessoa na pregação durante a pregação.

É nesses momentos “uau”, esses “Amém” da sua alma durante o sermão, que deixam uma marca mais duradoura do que o esboço cheio de aliterações que seu pastor passou a semana trabalhando como um escravo pra preparar.

Uma lição a pregadores: não trabalhem mais para fazer um esboço brilhante do que na precisão da verdade. Seu sermão está lá para puxar o pino da granada de Deus. O Espírito Santo é que faz o trabalho explosivo no coração do pecador.

Portanto, nesta semana na igreja, grupo familiar ou em sua devocional pessoal, se esforce para compreender bem a verdade e deixe que o Espírito se ocupe de te fazer lembrar (João 14.26).

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Traduzido por Daniel TC | Reforma21.org | Original aqui

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