CoisasQueJesusNuncaDisse

por Mark Jones

Recentemente, a hashtag #CoisasQueJesusNuncaDisse (#ThingsJesusNeverSaid) estava entre as mais populares do Twitter.

Era um caso de bom, mau, feio, claramente blasfemo e ocasionalmente engraçado. Esses tweets incluíam:

“Vá para o seminário”.

“A antiga aliança é uma republicação da aliança de obras”.

“Cara, se eu tivesse um espaço maior, eu conseguiria espalhar mais a minha mensagem”.

“Melhor checar se aquele post no Face conseguiu curtidas o bastante para salvar aquele enfermo”.

“Ser gay é errado”.

“Patriarcado é legal”.

“Traga as crianças para serem batizadas”.

“Ide pelo mundo e digam às pessoas que a perspectiva delas está errada”.

“Mulheres não deveriam pregar”.

“Todo centímetro quadrado é meu”.

“Nós não podemos alimentar todas essas pessoas. Isso somente criaria Dependência”.

“Vamos entulhar porcas em pequenas gaiolas de metal pela vida toda delas”.

“Parece que há muita confusão sobre #CoisasQueJesusNuncaDisse. Quer saber o que Ele disse? Procure nas partes em vermelho da Bíblia”.

Como você pode ver, as pessoas aproveitaram essa oportunidade para expressar suas opiniões em teologia, política, justiça social, etc. Porém, ocorreu-me que esse tópico no Twitter é uma boa oportunidade para destacar as deficiências do fenômeno “Bíblia com Palavras em Vermelho”, inventado por Louis Klopsch no século XIX, que põe tinta vermelha nas palavras que Jesus falou enquanto esteve na terra.

O problema com esse tipo de Bíblia é razoavelmente óbvio. Primeiro, em alguns casos, nós não sabemos realmente quais são as palavras reais verbalmente pronunciadas por Cristo e quais são as palavras dos autores dos evangelhos oferecendo seu próprio comentário (veja João 3, por exemplo).

Segundo, e mais importante, se as “Bíblias com Palavras em Vermelho” quiserem ser consistentes, então todas as palavras da Bíblia inteira deveriam ser impressas em vermelho.

Por quê?

Porque sem a encarnação, teologia para pecadores é impossível. Não haveria meios para Deus poder relacionar-se com criaturas pecaminosas sem um Mediador. Deus comunica sabedoria ou conhecimento das coisas divinas a Cristo, que, em sua natureza humana, recebe esse conhecimento de Deus para canalizá-lo ao seu povo.

Franciscus Junius ofereceu o seguinte argumento:

“Nenhum relato sobre Deus existe na realidade criada por qualquer razão exceto através dessa teologia de Cristo. Ele recebeu essa teologia do Pai por nossa causa, e nós recebemos de Cristo.”

Ele acrescenta:

“Porque o conhecimento do divino é uma fonte inacessível e um grande abismo, era definitivamente necessário que sabedoria fosse fornecida a essa humanidade que Deus assumiu, como um rio deveras abundante, mas ajustado às coisas criadas. Deste rio todos nós beberemos…” (veja 1 Pe 1.11).

O que isso significa?

A única forma de podermos ter algum acesso a Deus, alguma visão de Deus, algum conhecimento de Deus, algum gozo de Deus é em e através do Deus-homem, Jesus Cristo. Cristo torna a teologia possível. Sem Cristo, não há possibilidade de qualquer relacionamento divino-humano. E, à luz do que escrevi acima, todas as palavras dadas a nós na Bíblia são palavras de Cristo! Todas elas são “Palavras em Vermelho”! Todas elas falam dele; todas elas vêm dele. Ele é o porta-voz de Deus, o Profeta.

Assim, quando tentamos entender “O Que Jesus Nunca Disse”, não estamos, em primeiro lugar, lidando meramente com as palavras que acreditamos que Jesus efetivamente disse enquanto esteve na terra. Nós também estamos lidando com toda a sua Palavra – os Antigo e Novo Testamentos.

Mais do que isso: como bons teólogos, não estamos apenas lidando com as palavras da Escritura, mas também com o significado dessas palavras. Assim, mesmo que você não encontre exatamente aquelas palavras de Jesus ou mesmo aquelas palavras na própria Bíblia, ainda é possível que Jesus possa ter as “dito”, em termos de boa e necessária consequência.

Jesus pode nunca ter dito – e a Bíblia pode nunca dizer explicitamente – que mulheres devem participar da Ceia do Senhor, mas isso não significa que elas não devam! (Obrigado à CFW pela “boa e necessária consequência”). Este é um exemplo onde “CoisasQueJesusNuncaDisse” mostra como é ridículo que cristãos pensem que tais jogos têm algum valor teológico.

Assim, quando você fala sobre coisas que “Jesus Nunca Disse”, você deveria tomar cuidado para que essas não sejam palavras que possam ou ser encontradas na Palavra de Deus completa ou palavras que não podem ser deduzidas por boa e necessária consequência.

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Traduzido por Josaías Jr | Reforma21.org | Original aqui

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