Como a Encarnação me humilha

por Tim Challies

Tim Challies
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O Natal se aproxima rapidamente e, como eu costumo fazer nesta época do ano, sinto uma tensão entre o Natal como um dia para comemorar o nascimento de Jesus, e o Natal como um dia para dar presentes e gastar tempo com a família. Eu não encontro nenhuma boa razão para sentir esta tensão, como se essas coisas não pudessem coexistir e ainda acontecem ano após ano.

Enquanto o Natal se aproxima, minha igreja passará quatro domingos estudando Cânticos para o Salvador. Os quatro registros de canções que Lucas relata nos capítulos iniciais sobre a vida de Jesus. No domingo passado, estudamos a canção de Maria e vimos uma oportunidade de responder às notícias da encarnação de Cristo como ela fez: crendo nos bons propósitos de Deus e regozijando-se na pessoa de Deus revelada no milagre de tornar-se homem.

O que se destacou pra mim na resposta de Maria, à noticia de que ela daria a luz a esta criança, foi sua humildade perante tudo. Você pode achar que ser escolhida para ser a mãe do Messias pode gerar orgulho, mas não é o que vemos em Maria. Embora ela tenha entendido prontamente que as pessoas a considerariam eternamente abençoada, ela sabia que não era digna dessa honra. Não era nada que ela tinha conquistado.

“…pois atentou para a humildade da sua serva. De agora em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, pois o Poderoso fez grandes coisas em meu favor; santo é o seu nome.” (NVI, Lucas 1.48-49)

Essa não é a Maria do Catolicismo Romano, que era sem pecado, e, assim, a mãe mais apropriada de toda a história humana. Não, ela é uma garota pecadora que precisava desesperadamente do Salvador que carregava. Ela é humilhada em sua própria honra e isso porque ela tinha uma avaliação realista de quem era.

“Ele realizou poderosos feitos com seu braço; dispersou os que são soberbos no mais íntimo do coração. Derrubou governantes dos seus tronos, mas exaltou os humildes. Encheu de coisas boas os famintos, mas despediu de mãos vazias os ricos.” (NVI, Lucas 1.51-53)

Você vê o que ela faz aqui? Ela se compara às pessoas que têm grandes dons intelectuais, que têm grande poder e autoridade, e que têm grandes riquezas. Ela percebe que é apenas uma garota de uma cidade pequena e sem importância em uma província fora do caminho. Como um autor disse, ela é ninguém em uma cidade qualquer no meio do nada.

De tudo que eu amo sobre Deus – e existem muitas coisas que eu poderia listar! – esta é uma das que eu mais amo: que ele escolheu cada pessoa miserável para desfrutar de seus dons e de sua graça. Ele ergueu aqueles que sabiam que eram indignos e derrubou aqueles que se consideravam mais dignos. Ele passa por cima dos brilhantes, ricos, poderosos e em vez disso, concede sua graça aos perdidos e aos menores.

Observando a canção de Maria, e considerando sua expressão de grande humildade, creio que há pelo menos mais duas formas que a encarnação deve me humilhar.

A encarnação tem o propósito de me humilhar porque ela me diz que eu preciso desesperadamente de um Salvador. Eu preciso que esse Deus-homem nasça neste mundo para me salvar da condenação que eu trouxe sobre mim. Eu não posso me salvar! Deixe-me por conta própria e eu estarei tão perdido e sem esperança. Sem ajuda de fora, irei encarar a eternidade longe de toda a graça de Deus. A encarnação me humilha por colocar os holofotes na realidade da minha condição natural.

A encarnação também tem o propósito de me humilhar como reflexo da realidade de que eu – eu e todas as pessoas – sou beneficiário de toda a graça que entrou no mundo com Jesus Cristo e através dele. Por ele, recebi aquilo de que mais precisava, mas que eu menos merecia. Como todo cristão, posso experimentar as maravilhas de ver toda a graça, amor e perdão que são meus e me maravilhar por tudo isso ser entregue a mim. Para mim! É humilhante saber do que fui salvo e é humilhante saber para que fui salvo.

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Traduzido por André Carvalho | Reforma21.org | Original aqui

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