Datas, Doutrinas e Defuntos (2)

por Nathan Busenitz

Nathan Busenitz
Nathan Busenitz

Semana passada começamos uma série de 10 razões pelas quais todo cristão deve aprender mais sobre história da igreja. Hoje concluímos essa lista do porquê esse assunto é importante.

5. Porque a sã doutrina tem sido guardada e passada adiante por gerações fiéis ao longo da história

Em 2 Timóteo 2.2, Paulo diz ao seu filho na fé: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros”. Estudar história da igreja é encontrar as gerações de cristãos que amaram a verdade bíblica e a transmitiram fielmente aos que vieram depois. Além disso, é encorajador saber que as verdades que nos são valiosas tem sido protegidas por crentes desde o tempo dos apóstolos.

O estudo da história da igreja nos lembra que estamos sobre os ombros daqueles que vieram antes de nós. Os corredores da história estão repletos de narrativas daqueles que amaram a verdade e lutaram valentemente para preservá-la. Assim, por mais que reconheçamos que a história da igreja não é autoritativa (apenas a Escritura é), é sábio observar a sabedoria dos líderes, teólogos e pastores do passado. Seus credos, comentários e sermões representam vidas inteiras de meditações sobre o texto bíblico e de caminhadas com Deus. Seria tolice de nossa parte ignorar essas vozes e suas ideias ao, da mesma forma, tentarmos entender corretamente a Palavra.

Ainda mais, quando estudamos história da igreja, somos lembrados que vale a pena lutar (e até morrer) por algumas verdades. Somos relembrados que fazemos parte de algo maior que nós mesmos. E assim como aqueles que vieram antes de nós, também temos a responsabilidade de guardarmos fielmente o tesouro da verdade bíblica e da sã doutrina que nos foi confiado, sendo cuidadosos para passá-lo adiante àqueles que ainda virão.

6. Porque, assim como encorajados pela história da verdade, também somos alertados pela história dos erros. Isso permite que sejamos equipados, como apologistas.

O Novo Testamento está cheio de alertas sobre falsos ensinamentos, tanto ao refutá-los no primeiro Século quanto alertando que eles voltariam nos séculos vindouros (Atos 20.28-30; 1 Timóteo 4.1). Quando estudamos história da igreja, não apenas aprendemos a história da verdade, mas também a história do engano. Vemos onde começaram as seitas, e temos o benefício de ver a ortodoxia sendo defendida e a verdade sendo preservada.

O Novo Testamento chama todos os cristãos a defenderem habilmente a fé. Nas palavras de 1 Pedro 3.15, “santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência”. Tito 1.9, de forma similar, requer do presbítero ser “apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem”. Essa é uma qualidade que todos os crentes deveriam desejar exercer.

Qualquer defesa da fé cristã deve ser fundamentada nas Escrituras. Mas a história da igreja também ser de valiosa (por mais que secundária) ferramenta apologética.

Por exemplo, saber um pouco da história da igreja é o suficiente para silenciar rapidamente alegações bobas contra o Cristianismo (como aquelas feitas pelo Código da Vinci). Saber um pouco da história da igreja é especialmente útil no testemunho perante muçulmanos, mórmons, testemunhas de jeová e membros de outras seitas pseudocristãs. Entender história da igreja é útil até mesmo para defender áreas-chave da doutrina – mostrando que o entendimento evangélico contemporâneo da Escritura não se desviou dos ensinamentos da igreja apostólica.

Nós crentes somos comandados a estarmos prontos para dar a razão de nossa esperança. O estudo da história da igreja é um aliado nessa causa.

7. Porque temos muito a aprender daqueles que andaram com Deus (cf. Hebreus 11).

Em Hebreus 12.1, lemos sobre uma “tão grande nuvem de testemunhas” – crentes das gerações anteriores cujas vidas dão testemunho da fidelidade a Deus. Por mais que o autor de Hebreus estivesse se referindo especialmente aos santos do Antigo Testamento (ver Hebreus 11), os testemunhos de todos que vieram antes de nós provê um poderoso encorajamento para nós mesmos permanecermos fiéis.

Fidelidade ao Senhor, à Sua Palavra e ao Seu povo é o que define um herói da fé. E a história da igreja nos oferece muitos homens e mulheres fiéis assim para escolhermos. Suas vidas deveriam nos inspirar, motivar e encorajar, conforme corremos a corrida. Suas perspectivas focadas na eternidade nos lembram de manter nossos olhos em Cristo, o Autor e Consumador de nossa fé. Como C. S. Lewis colocou, “se você lê história, você descobre que os cristãos que fizeram mais por esse mundo presente foram precisamente aqueles que pensaram mais no mundo que há de vir”. Observar essas preciosidades devocionais começa com a leitura da história da igreja.

Pastores experientes muitas vezes falam sobre identificar “mentores” na história da igreja, cristãos fiéis do passado cujas vidas eles estudam e desejam imitar. Essa é uma prática que todos os crentes deveriam considerar seriamente. Na opinião deste escritor, biografias cristãs deveriam ser um gênero frequente na dieta de leitura regular de qualquer crente. Eu recomendo fortemente ler pelo menos uma biografia histórica todo ano. Você será muito encorajado e inspirado a permanecer fiel apenas com essa prática.

8. Porque, assim como podemos aprender com os bons exemplos de cristãos fiéis, também temos muito a aprender com aqueles que falharam em muitos pontos.

Esse é um clichê antigo, mas muitas vezes verdadeiro: aqueles que não conhecem história estão fadados a repetir os erros do passado.

Na história da igreja, vemos exemplos de todos os tipos de fracasso espiritual. Há aqueles que caíram em heresia, aqueles que abriram espaço para corrupção, aqueles que negaram a fé e aqueles que caíram em imoralidade. As vidas de tais indivíduos servem de alerta para nós.

Em 2 Coríntios 6.10-12, o apóstolo Paulo usa a ilustração negativa dos israelitas no deserto para ensinar seus leitores uma lição espiritual importante. O exemplo de Paulo estabelece um precedente para a forma com que pensamos tanto sobre a história bíblica quanto a história da igreja.

Podemos aprender lições poderosas sobre o que evitar com coisas como o influxo do paganismo no Cristianismo romano, a corrupção do papado, as cruzadas, o desenvolvimento do liberalismo, e por aí vai. Aprender com os fracassos do passado nos ajuda evitarmos repetir os mesmos erros.

História da igreja é a prova de que o fracasso espiritual pode vir rapidamente, com resultados devastadores, um ponto ilustrado no Novo Testamento pelos gálatas – que foram rapidamente tentados a abandonar o verdadeiro evangelho (Gálatas 1.6-9). Isso nos lembra da necessidade de sermos vigilantes – de vigiar nossas vidas e doutrinas com cuidado, para que não caiamos em armadilhas e buracos semelhantes.

De forma prática, nem todas as biografias históricas que você lê têm de ser positivas. Às vezes é útil ler um livro que aborda de forma crítica algum tipo de erro ou fracasso.

9. Porque estudar o passado nos ajuda a entender os recursos, oportunidades e liberdade que temos no presente.

Muitas vezes assumimos as bênçãos que desfrutamos ao viver nessa era moderna. O estudo da história da igreja nos lembra dos grandes sacrifícios feitos e desafios enfrentados pelas gerações anteriores de crentes. Isso aumenta nossa gratidão pelo que temos e nos motiva a sermos bons mordomos das incríveis oportunidades que Deus nos concede.

A história das traduções, por exemplo, nos lembra de sermos gratos por termos cópias pessoais da Palavra de Deus em nossa própria língua. A história das perseguições nos encoraja em nosso evangelismo, ao testemunharmos a fidelidade dos mártires e reconhecermos como é única a liberdade que desfrutamos. A história das missões nos faz gratos pelos avanços nas viagens e na tecnologia, enquanto, ao mesmo tempo, nos inspira a fazer mais pelo esforço de alcançar o mundo para Cristo.

Também é interessante, em um assunto tangente, perceber que nossa geração representa a primeira a realmente lutar com as implicações da era da informação para a igreja. De muitas formas, a tecnologia moderna nos dá oportunidades que aqueles das gerações anteriores jamais imaginariam. Mas tais avanços também nos dão o ônus de pensar cuidadosa e biblicamente sobre a forma com que os usamos. Estamos estabelecendo precedentes para a forma com que gerações futuras irão pensar sobre a interação da igreja com a tecnologia e a mídia.

10. Porque a história ajuda cristãos do Século XXI a terem uma perspectiva correta sobre seu próprio lugar na era da igreja.

É importante perceber que o somos parte da história da igreja. Somos parte da geração atual de crentes, e temos uma responsabilidade de guardar fielmente a verdade e transmiti-la para os que virão.

Estudar história da igreja nos ajuda a perceber que somos parte de algo muito maior que nós mesmos, nossa congregação local ou mesmo o movimento evangélico que existe hoje. A história do Cristianismo se estende por dois milênios, nos quais somos apenas um ponto passageiro.

Estudar história da igreja também abre nossos olhos para o fato de que cada geração de crentes é profundamente afetada pelo tempo e pela cultura em que vivem, de tal forma que eles mesmos sequer percebem os efeitos. Nós podemos então nos perguntar que impacto nossa cultura tem em nossa própria aplicação da verdade bíblica.

Por fim, e mais importante, estudar história da igreja nos ajuda a lembrar que Cristo é o Senhor da igreja em todas as eras; e a nos lembrarmos do grande privilégio que é trabalhar em Sua obra. E também nos motiva a olhar adiante, para o dia em que Ele voltará, e a história da igreja oficialmente chegará ao seu fim.

Traduzido por Filipe Schulz | iProdigo.com | Texto original aqui aqui

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