Deus não se importa com o que você come, mas como você come

por Stephen Altrogge

Stephen Altrogge
Stephen Altrogge

Já houve um tempo em que ninguém se importava com o que colocada para dentro do próprio corpo. Comíamos comida congelada, fumávamos, bebíamos refrigerantes ácidos e cheios de açúcar, ingeríamos quantidades massivas de salsicha, presunto e todo tipo de carne semi-processada lambuzadas de maionese e, em geral, não dávamos a mínima para o que comíamos. Até que as pessoas começaram a perceber que quanto mais comíamos porcarias, piores ficávamos e nos sentíamos. Médicos começaram a nos falar para comermos refeições balanceadas. Inventaram a pirâmide alimentar. Todo mundo começou a comer alimentos orgânicos. Bebidas açucaradas muito grandes foram banidas.

Nos últimos anos, as igrejas embarcaram no trem da saúde. Inventaram a Dieta de Daniel, baseada na decisão de Daniel de comer apenas vegetais na Babilônia. Há também a Dieta do Éden, a Dieta do Criador e numerosas outras dietas que afirmam ter bases bíblicas. Rick Warren recentemente liderou em sua igreja um amplo programa de saúde e nutrição.

Veja bem, não me entenda mal. Sou completamente a favor de boa forma e de se alimentar bem. Nossa saúde determina nossa habilidade para efetivamente servir o Senhor. Eu mesmo tento me exercitar regularmente e comer mais ou menos bem.

Mas a Bíblia nos diz o que comer? Será que Deus inspirou divinamente uma dieta que deveríamos todos seguir? Algumas comidas são mais espirituais que outras? Acredito que não. De fato, a Bíblia ensina o exato oposto. Em Marcos 7.18-23, lemos:

Então, lhes disse: Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou ele puros todos os alimentos. E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem.

O argumento de Jesus é que a comida, em si mesma, não é espiritual. Ela entra pela boca e sai pelo outro lado. Comer uma comida em particular não nos faz mais ou menos espirituais. Vegetais não são mais piedosos que carne. Orgânico não é mais piedoso que processado. Traquinas e Fandangos são tão santos quanto o manjericão do quintal. Uma dieta do Éden não agrada mais a Deus do que a dieta do Paleolítico ou a dieta de South Beach. Todos os alimentos são puros, limpos e podem ser aproveitados e comidos.

Por que isso importa? Eu me importo se você segue a Dieta do Éden, de Daniel ou do Criador? Não, nem um pouco. Se uma dieta qualquer te ajuda a perder peso, ótimo! Mas nós, cristãos, temos uma tendência de moralizar nossas preferências e criar uma espiritualidade artificial. Se dissermos que Deus quer que façamos algum tipo de alimento em particular, estamos criando divisões na igreja. A pessoa mais piedosa segue uma certa dieta, a pessoa menos piedosa come comida processada. Uma dieta pode se tornar uma pedra de tropeço para o evangelho e fonte de elitismo espiritual.

A verdade é que Deus não se importa com o que comemos, mas como nós comemos. A Bíblia deixa claro alguns princípios de como devemos comer:

  • Cada refeição deve ser feita para a glória de Deus. “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31). Tudo que fazemos, inclusive comer e beber, deve ser feito de tal forma que Deus seja honrado.
  • Toda nossa alimentação ou abstinência deve ser feita com gratidão a Deus. “Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus” (Romanos 14.6). Se comemos, devemos agradecer a Deus pelas maravilhas deliciosas da alimentação. Se decidimos não comer, devemos agradecer a Deus por nos dar autocontrole. Devemos comer em gratidão, e fazer dietas em gratidão também.
  • Nossa alimentação deve servir outras pessoas. “Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem” (1 Coríntios 10.24). A maneira com que comemos deve ser uma bênção para outras pessoas.  Essa é uma ótima motivação para cuidarmos de nossos corpos. A comida que eu coloco para dentro do meu corpo afeta diretamente minha energia, que afeta diretamente minha habilidade de servir minha esposa, meus filhos, minha igreja e meus próximos. Toda minha alimentação deve ser feita para servir os outros.

Em certo sentido, Deus não se importa com o que comemos. Todos os alimentos são limpos. Mas ele se importa com a forma com que comemos. A forma com que comemos pode glorificar a Deus, ser uma bênção para nós e até para os outros. Assim, vamos comer para a glória de Deus!

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Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui

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