Devo fazer tatuagem (mesmo se meus pais não gostam)?

por Russell D. Moore

Caro Dr. Moore,

Eu quero fazer uma tatuagem. Gostaria que fosse na minha barriga, uma cruz com as palavras: “Fuja da imoralidade: Porque fostes comprados por um preço.” Gostaria de fazer isso como uma medida de prestação de contas para mim com o passar dos anos, caso o zelo que tenho para com o evangelho diminua e eu esteja em uma situação de tentação. Isso será um lembrete sempre presente de que eu sei o que é a verdade.

Estou realmente convencido de que isso é o que o Senhor quer que eu faça. Aqui está o meu problema.

Tenho 19 anos e sou um estudante universitário. Eu moro em casa com meus pais. Eu trabalho e pago a minha própria escola, mas eu vivo com eles. Eu amo meus pais e realmente acredito que devo honrá-los, mas onde é que “honra teu pai e tua mãe” tem fim? Realmente acredito que essa é uma questão de obediência para fazer aquilo que o Senhor parece estar me dirigindo a fazer.

Você provavelmente concorda com os meus pais – que eu não deveria fazer a tatuagem e eu respeito isso. Eu pensei em tudo. Minha pergunta não é se eu deveria fazer a tatuagem, é saber se eu estaria pecando contra Deus e meus pais se eu fizesse isso.

Se estou sob a autoridade deles agora, quando isso acaba? Quando eu fizer 21? Quando sair de casa? Ou será que nunca vai acabar quando se trata de tomar decisões como esta?

Atenciosamente,

Comprado por um preço

Caro Comprado,

Primeiro de tudo, espero que os meus filhos cresçam para ser como você, em todas as maneiras que tenho visto esta questão. Sua carta evidencia um monte de qualidades louváveis: o desejo de identificar-se radicalmente com Cristo, o reconhecimento de que você deve proteger-se da sua própria rebelião potencial no futuro e a preocupação de honrar seu pai e mãe.

O mandamento de honrar pai e mãe nunca termina. É parte da santa vontade de Deus, e é aplicável a todas as pessoas, independentemente da idade. Quando você tiver noventa anos, ainda terá a obrigação de honrar seus pais, mesmo que apenas na memória e na fala. O modo de honrar os pais muda em toda a extensão da vida. Jesus viveu esta vida antes de você. Na infância, sua maneira de honrar a seu pai José e à sua abençoada mãe Maria estava na obediência em todas as coisas  (Lc 2:51), ao ouvir pedidos de ajuda na fase adulta (Jo 2:1-5), e ao cuidar de sua fraqueza no final da vida “(Jo 19,26-27). Tudo isso era honrar pai e mãe.

O que você está pedindo é menos sobre Êxodo 20 e mais sobre Efésios 6. Quando é que a sua obediência aos pais termina, ou melhor, quando você se torna responsável por fazer suas próprias decisões?

Não é aos dezoito anos. A Bíblia nunca coloca dezoito anos ou 21 como alguma marca arbitrária entre a infância e a maturidade. Em vez disso, nas Escrituras, a maturidade é menos uma questão cronológica ou biológica do que econômica. Quando você está capacitado a estabelecer uma família, um lar para o qual você será responsável? O padrão de criação é que um homem deve estar equipado para prover sua família (Gn 2:15). Ele, então, “deixa pai e mãe”, como ele se unirá à sua mulher e forma (dentro de uma tribo maior) uma nova família (Gn 2:24).

Entre a infância e a maturidade, seus pais estão trabalhando para prepará-lo para essa responsabilidade, entregando mais e mais para você enquanto você se prepara para dar mais de si mesmo para a provisão e proteção de uma esposa e família (Ef. 5) ou para a causa da missão (1 Coríntios. 7).

Na Escritura, todo tipo de submissão tem limites. Se seus pais exigissem que você peque contra Deus, você não poderia fazê-lo. Mas não foi isso que eles pediram.

Parece-me, porém, que o assunto é mais sobre ouvir com sabedoria e menos sobre a obediência. E eu acho que seus pais estão certos.

Não estou fazendo uma declaração antitatuagem aqui. Se tatuagens são permitidas para os seguidores de Jesus é um assunto discutível, mas realmente não é esta a discussão. Seus pais entendem, tenho certeza, o seu zelo. Eles ainda são capazes de enxergar mais do futuro de sua vida do que você pode agora. Eles sabem que há um monte de coisas que podemos decidir aos dezoito anos que poderíamos ver de maneira diferente em um momento posterior.

A tatuagem é (além de um trabalho caro e demorado) uma decisão definitiva, uma decisão permanente para um homem muito jovem – com que seu “eu” mais velho, sua esposa, seus filhos, e toda a sua vida, de alguma forma, terão de conviver.

Pode ser que essa tatuagem é precisamente o que você deve fazer. Se assim for, então trabalhe isso com você mesmo, cultivando a maturidade e a sabedoria para ouvir os conselhos externos e pense nisso com a mente de Cristo. Enquanto isso, no entanto, represente o evangelho através da submissão a seus pais até mesmo em algo que você acha que eles estão míopes. Submissão, afinal, não é para coisas que você facilmente vê como boas ideias. Isso é chamado “Concordância”. A submissão acontece, muitas vezes, em questões nas quais se pensa que outra pessoa sabe mais. Deus vai abençoar isso.

Apenas mais uma coisa: a tatuagem não vai acabar com a destruição na sua vida, não importa o que ela diz. O coração rebelde consegue o que quer, e fará o que for preciso para chegar lá. Um homem imoral pode facilmente zombar da tatuagem, ou até mesmo blasfemar contra isso no auge da sua rebelião. Em vez de se esforçar para cravar o evangelho em sua pele, crave-o em sua consciência. Cultive o arrependimento, a confissão, e busque a vida de Cristo. A resposta para você não é a tinta na pele, mas as cicatrizes dos cravos de outra Pessoa.

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Traduzido por Rafael Bello | Reforma21.org | Original aqui

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