Dez princípios para a Música da Igreja (Parte 2)

por Kevin DeYoung

Kevin DeYoung
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Parte um aqui

6. Devemos nos empenhar pela excelência na musicalidade e nas letras das canções que cantamos

Não estou, nem de perto, sugerindo elitismo. Uma melodia tem de ser relativamente simples para que centenas ou milhares de pessoas cantem ao mesmo tempo. Mas podemos ainda persistir em não nos distrairmos pela falta de excelência (para usar a frase de John Piper). Queremos que a cruz seja a pedra de tropeço, não nossa musicalidade pobre ou o Power Point cheio de erros.

Enquanto acredito que uma grande variedade de estilos pode ser usada na adoração, não sou um relativista musical. Algumas músicas são melhores que outras. Alguns estilos funcionam melhor que outros. E quando se trata de letra, evitamos deslizes óbvios como usar tu e você na mesma música ou acumular clichês banais. Ouvi uma canção no rádio há algumas semanas cujo refrão tinha algo sobre uma rosa perfumada no início da primavera e uma águia voando alto a estender suas asas. Se sua igreja canta isso no domingo, ame seu líder de louvor do mesmo jeito.  Mas se você é o líder de louvor escolhendo essa música, tente algo com um pouco mais de arte, algo que não soe como vindo de uma página aleatória do seu calendário inspirativo de bolso.

Algumas músicas são simplesmente profundas e algumas são profundamente simples, mas há uma forma de fazer ambos bem. Com tantas músicas a escolher, não há razão para as igrejas não fazerem um esforço para cantar músicas com algum senso de poesia e integridade musical. O refrão de Aleluia é repetitivo, mas é musicalmente interessante. A maioria das canções, refrões e versos não são suficientes para serem repetidos por tanto tempo.

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7. O principal som a ser ouvido no momento de louvor é o som da congregação cantando

Todos são responsáveis por cantar. A jovem com suas mãos erguidas e o idoso cantando o baixo. O que as pessoas querem ver na sua adoração é aquilo que você quer dizer. E não importa quão relaxada ou reverente sua adoração é, se ninguém está cantando, é ruim.

  • É cantável? Preste atenção na extensão (muito alta ou muito baixa) e esteja ciente da síncope e das irregularidades na métrica e no ritmo. Certifique-se que a melodia é intuitiva, principalmente se você não tem a partitura para olhar ou se as pessoas não sabem lê-la. Quando seu violão dedilha entre sol, dó e ré, há muitas notas a serem escolhidas nesses tons.
  • O instrumental está ajudando ou inibindo a congregação de cantar? Isso significa checar o volume. A música está muito suave para sustentar as vozes?  Está tão alto que as abafa? Um erro das equipes de música é pensar que todos os instrumentos devem ser usados em todas as músicas. Algumas músicas devem ter um instrumental completo, mas só porque você tem bateria, piano, guitarra, baixo, lira, cítara, flauta, chocalho, banjo, violoncelo e atabaque, não quer dizer que você tem que usar todos eles o tempo todo.
  • É uma canção familiar? As pessoas têm dificuldade com uma música nova toda semana, quanto mais duas ou três. Mantenha seu som e suas canções básicas e parta daí. De vez em quando, você pode ter que admitir “Essa é uma ótima música, mas não acho que podemos tocá-la bem”.

8. A congregação também deve ser forçada, de tempo em tempo, a aprender novas canções e ampliar seu horizonte musical

Toda igreja terá um núcleo musical.  Você não deve reinventá-lo toda semana. Mas você também não deve ser escravo disso. Precisamos ser forçados de vez em quando, não apenas com uma música nova, mas com um novo tipo de música – algo da igreja afro-americana ou algo da África ou América Latina. É bom ser lembrado que pertencemos a uma igreja antiga e global.

9. As letras de nossas músicas devem ser compatíveis com a musicalidade e os instrumentos

A música deve sustentar o tema da canção. Letras diferentes têm climas diferentes. A letra de “Castelo Forte” não funcionariam bem na melodia de “Children of the Heavenly Father”. A alegre canção “Do Lord” não consegue capturar o sentimento das palavras finais do ladrão à beira da morte. Por outro lado, é difícil não amar a música de Keith e Kristyn Getty “See What a Morning”, em que a música triunfante e de celebração combina perfeitamente com a letra sobre a ressurreição.

O estilo musical não é neutro, mas é flexível. A música transmite algo. Algumas melodias são doces demais ou demasiado estridentes ou muito românticas. Sempre achei que “Este é meu respirar” soava sensual demais. E também não estou muito certo sobre o que essa música quer dizer. Mas estilos não são categorias rígidas. Não há uma linha definida entre contemporâneo e tradicional, clássico e popular ou alta e baixa culturas. Não temos que fazer regras absolutas sobre estilo musical, mas precisamos ser inteligentes.

Deixe-me dar uma palavra sobre órgãos. Nenhuma igreja deve lutar por eles até a morte. Mas se a sua igreja já tem um órgão, meu conselho é que continue usando. Órgãos eram originalmente associados ao paganismo. Então não há nada inerentemente espiritual nele. Quando foram introduzidos na igreja, os cristãos sabiam tanto sobre órgãos quanto os adolescente de hoje sabem.  Eles foram introduzidos na adoração por causa da capacidade desse instrumento. Como Harold Best argumenta no seu fantástico livro Unceasing Worship (Louvor incessante), não há no Ocidente instrumento mais adequado para sustentar o canto congregacional (p.73). O órgão preenche os vazios, proporciona um som grave e encoraja a igreja a cantar mais alto e mais livre. Se você não tem um órgão, pode ser caro adquirir um. Não vamos estabelecer uma regra. Mas se o órgão é uma opção pra você, não a descarte.

10. Todas as nossas canções devem ter letras explicitamente bíblicas

Devemos começar perguntando sobre todas as nossas músicas: isso é verdadeiro? Não apenas verdadeiro, mas em conformidade com o texto bíblico. Por exemplo, eu gosto da música “Consuming Fire” do Third Day, mas a letra, embora verdadeira, faz mal uso do texto bíblico. De acordo com a música, Deus é o fogo que consume porque ele entra e derrete os nossos frios corações de pedra. Isso é verdade, mas o texto de Hebreus é sobre Deus, nosso juiz.

Semelhantemente, nossas músicas devem ser explicitamente verdadeiras. Isso é, não devemos ter que forçar uma interpretação para a letra ficar ok. Não queremos cantar músicas que nos levem a pensar “o que isso quer dizer exatamente?”

Por outro lado, não seja muito duro com canções do tipo “eu”. Cerca de 100 dos 150 salmos têm a palavra “eu”. “Eu” não é o problema. O problema é com as músicas que são coloquiais demais ou usam o “eu” impensadamente (“eu só quero te louvar” – bem, então louve), ou nunca passam de como estou me sentindo em relação a Deus para quem Deus é e o que Ele fez para que eu me sinta desta forma.

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Em todas as nossas músicas queremos ensinar as pessoas sobre Deus. Se não estamos aprendendo boa teologia e verdade bíblica com nossas músicas, então não temos cuidado com nossas músicas ou não ligamos muito para as verdades bíblicas, ou ambos.

Traduzido por Carla Ventura | iPródigo.com | Original aqui

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