Dias bons, dias maus

por Philip Ryken

Confiar na bondade soberana de Deus nos ajuda a saber como responder a todas as alegrias e provações da vida. Quer estejamos tendo um dia bom ou um dia ruim, sempre há um meio de glorificar a Deus. Assim o pregador diz: “No dia da prosperidade, goza do bem; mas, no dia da adversidade, considera em que Deus fez tanto este como aquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.” (Ec 7:14).

Alguns dias são cheios de prosperidade: o sol está brilhando, os pássaros cantando, há comida na mesa e dinheiro no banco. Se há trabalho a fazer, é o tipo de trabalho que você gosta de fazer. Se está tirando o dia de folga, você pode gastá-lo da maneira que deseja, com as pessoas que você ama. Todo dia assim é um presente de Deus que nos chama para nos alegrarmos.

Mas nem todo dia é assim. Alguns dias o sol não está brilhando, os pássaros não estão cantando e nada parece estar certo com o mundo. Pode haver comida na mesa, mas não há dinheiro no banco. O trabalho é uma chatice, as férias são entediantes, e você pode sentir que não tem um amigo no mundo. No entanto, este dia também é um dia que vem da mão de Deus, um dia que está sob seu controle soberano. O Pregador não tem o ânimo para nos dizer para sermos alegres em um dia tão difícil, mas ele nos chama a uma sábia consideração dos caminhos de Deus. Quando a adversidade chegar, reconheça que também este é o dia que o Senhor fez: “temos recebido o bem de Deus”, perguntou Jó no dia de sua adversidade, “e não receberíamos também o mal?” (Jó 2:10). Não, devemos reconhecer que os dias bons e maus vêm das mãos de Deus.

O Pregador diz ainda que é impossível para nós saber o que acontecerá no futuro. Considerando o que ele disse no início do versículo 14, podemos supor que os justos são os que prosperam, enquanto os maus sempre sofrem adversidades. No entanto, às vezes ocorre exatamente o oposto: os justos sofrem adversidades, enquanto os ímpios prosperam. Assim, é impossível para nós prever o que acontecerá nos próximos dias. Como o pregador diz, “para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.” (Ec 7:14). Não temos como saber se os próximos dias nos trarão mais prosperidade ou mais adversidade.

Viver com esse tipo de incerteza não precisa nos causar ansiedade ou desespero; antes, deve nos ensinar a deixar nosso futuro nas mãos de Deus. A maioria de nós prefere controlar o próprio destino. Em vez disso, devemos confiar nossas vidas ao cuidado amoroso de nosso Deus soberano. Se fizermos isso, estaremos bem preparados tanto para os dias bons como para os maus. Em seus comentários sobre esse versículo, Martinho Lutero deu o seguinte conselho pastoral: “Aprecie as coisas presentes de tal maneira que você não baseie sua confiança nelas, como se elas durassem para sempre… mas reserve parte do coração para Deus, para que seu coração possa suportar o dia da adversidade.”[1]

Tudo isso é parte do que significa “considerar a obra de Deus”. Quando o Pregador nos diz para “considerar”, ele está nos dizendo para fazer algo mais do que simplesmente ver o que Deus fez. Ele está nos dizendo para aceitar o que Deus fez e se render a sua vontade soberana. Ele está nos dizendo para louvar a Deus por toda a nossa prosperidade e confiar em Deus através de todas as adversidades. O puritano Richard Baxter disse bem: “Aceite o que Ele dá, / E louve-o ainda, / Passando por bonança ou doenças, / Aquele que sempre vive.”[2]

[1]Martin Luther, “Notes on Ecclesiastes,” in Luther’s Works, trans. and ed. by Jaroslav Pelikan, 56 vols. (St. Louis, MO: Concordia, 1972), 15:120.

[2]Richard Baxter, quoted in Derek Kidner, The Message of Ecclesiastes, The Bible Speaks Today (Downers Grove, IL: InterVarsity, 1976), 68.

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Traduzido por Cleber Filomeno | Reforma21.org | Original aqui

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