Em uma Tempestade Espiritual, confie em seus instrumentos

por Jon Bloom

Jon Bloom
Jon Bloom

“Desorientação Espacial” é aquilo que um piloto sente quando está voando em condições climáticas que o impedem de ver o horizonte ou o solo. Os pontos de referências que guiam seu senso desaparecem. Suas percepções se tornam duvidosas. Ele não tem mais certeza para onde subir e para onde descer. Isso pode ser mortal – foi o que matou John Kennedy Jr.

A única maneira que um piloto tem de superar a desorientação espacial é confiar em seus instrumentos no cockpit mais do que seu senso intuitivo para lhe dizer o que é real. É por isso que os instrutores de voo forçam os pilotos em treinamento aprenderem a pilotar aviões apenas com os instrumentos.

Existe um paralelo espiritual. Eu passei por um. Em um dia da primavera de maio de 1997, eu voei para dentro de uma tempestade espiritual.

Os detalhes são muito longos, mas essencialmente tive uma crise de fé. Entrei em uma tormenta de dúvida como eu nunca tinha experimentado antes. Deus, quem eu tinha conhecido e amado desde o final da minha infância, de repente se tornou nebuloso em minha visão espiritual. Eu não consegui vê-lo em nenhum lugar. Ficou bastante escuro na minha alma e ventos rodopiantes de medo sopraram como uma força de furacão. A turbulência da desesperança foi violenta. Sem saber para onde subia e para onde descia, encontrei-me em uma desorientação espacial espiritual.

Inicialmente, entrei em pânico. Virava para frente e para trás tentando desesperadamente me reorientar. Mas um dia um pensamento me atingiu com uma clareza incomum: “Jon, voe pelos instrumentos. É para isso que eles servem. Pare de confiar em suas percepções. Confie naquilo que os instrumentos lhe dizem”.

Nos anos seguintes a essa experiência, Deus me treinou de várias maneiras para acreditar em sua Palavra e sempre descobri que ela era confiável. Então agora durante essa furiosa tempestade, quando tudo parece incerto, eu tinha uma escolha: confiar em minhas percepções cheias de dúvidas ou confiar na Palavra de Deus.

Bem, uma vez que minhas dúvidas estavam me levando cada vez mais para a confusão e a escuridão, e uma vez que as promessa de Deus tinham me dado mais luz e esperança do que qualquer outras coisa que eu conhecia, decidi me guiar pela direção da Bíblia até que eu tivesse evidências suficientes para determinar que ela era um instrumento falho.

Foi difícil. E foi assustador. Muitas vezes lutei contra a tentação de lagar os instrumentos e ir com meu senso do que era verdade. Mas eu tinha experiência suficiente e conhecia a Bíblia o suficiente para saber onde o “senso” me levaria. Então continuei com as leituras devocionais da Bíblia, oração, igreja e pequenos grupos. Abri meu coração para amigos e mentores confiáveis e busquei conselho. Lembro do John Piper me dizendo: “Jon, a rocha da verdade sob seus pés não irá parecer areia durante muito tempo”. Quando ele disse isso, meu pensamento foi: “Espero que você esteja certo, mas eu duvido”.

Minhas dúvidas se mostraram erradas. Depois de uma longa temporada de escuridão, Deus atravessou as nuvens com sua luz. Nunca esquecerei aquele dia. Gostaria de ter tempo de explicar, mas é uma longa história. E como os caminhos de Deus e o tempo dele com cada um de nós é diferente, talvez seja melhor você saber apenas que Deus acabou com a tempestade. Ela não terminou de uma só vez, mas a partir do momento que o Sol da vida rompeu, a tempestade foi dissipada e finalmente voei em um céu claro de novo.

As promessas de Deus se mostraram como instrumentos confiáveis, apesar de eu ter duvidado deles durante aquilo tudo. Eu não caí. Na verdade, a tempestade trabalhou muito a meu favor. Aprendi como nunca como andar (ou voar) pela fé e não pelo que vemos (2 Coríntios 5.7). Agradeço a Deus por cada minuto daquela terrível tempestade.

Jesus realmente entende como é uma escuridão com tempestade (Hebreus 4.15). As tempestades dele, do Getsêmani ao Gólgota, foram muito piores do que qualquer coisa que você e eu jamais saberemos. E ele entrou nelas espontaneamente por nós, para que fôssemos resgatados de todas as nossas tempestades, particularmente da tempestade final da ira de Deus contra nosso pecado. Foi por isso que Ele veio. A tempestade dele o esmagou para que nossas tempestades se tornassem redentoras para nós.

Se você ou alguém que você ama está voando em uma tempestade e está desesperado, lembre-se de que suas percepções, por mais reais que elas pareçam, não são confiáveis. Como alguém que as testou em várias tempestades, posso dizer com confiança: voe pelos instrumentos que Deus lhe deu. Eles não se mostrarão falhos.

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Traduzido por Alex Daher | Reforma21.org | Original aqui

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