Entretenimento e em que nos tornamos

por Douglas Wilson

Douglas Wilson

Este é o esboço de uma palestra dada a estudantes de ensino médio na Logos School, EUA.

Comecemos reconhecendo que um coração não-regenerado fará uma dessas duas coisas com esses princípios – a primeira é tentar colocar esses princípios em prática de uma maneira que Deus será deixado em débito, e a segunda é rebelar-se contra esses princípios. Essas são as duas respostas básicas à moralidade bíblica que a incredulidade dá – fazer uma pilha de princípios a fim de alcançar o céu por si mesmo, ou chutá-los a fim de demoli-los. Mas, se você é um convertido a Cristo, verdadeiramente convertido, é possível entender e aplicar corretamente o que será dito aqui. Jesus disse que Suas ovelhas reconhecem Sua voz (João 10.4). Esses princípios são meramente uma descrição de como o amor inteligente manifesta-se quando age.

Primeiro, lembre-se do princípio do Sabbath. Essa é a ideia, estabelecida no Quarto Mandamento, de que as proporções entre trabalho e descanso são importantes. Isso significa que o entretenimento é lícito (e proveitoso) se é um descanso após um dia de trabalho frutífero e produtivo. Não é lícito (nem proveitoso) se é um substituto para esse trabalho. A Escritura tem muito a dizer sobre o ocioso e o que acontece com ele, e essas consequências não serão evitadas simplesmente porque o sofá onde ele desperdiça as horas é reclinável.

Entretenimento usado de forma errada está simplesmente ajudando a fazer a preguiça tolerável – até que a pobreza venha até você como um bandido armado (Pv 6.11). Há ainda o fato de que alguém que é excelente em seu trabalho estará diante de reis (Pv 22.29), e o fato de que, ao longo do tempo, estupidez continua estúpida. Somos ensinados a orar para que possamos aprender como contar nossos dias, a fim de que possamos nos conduzir com sabedoria (Sl 90.12). Conte seus dias, conte suas horas, conte seus descansos, com sabedoria.

O próximo pensamento é que a Bíblia pronuncia uma bênção sobre aqueles que não se sentam na roda dos escarnecedores. “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores” (Sl 1.1, cf. Jr 15.17). Entretanto, para muitos cristãos, aquela roda é o sofá da sala de estar. É lá que eles são treinados a rir do justo. Isso nos leva ao próximo ponto.

A preocupação central que devemos ter sobre nossos padrões de entretenimento é que histórias têm um poder catequético; elas têm uma função de ensino. Quem é o protagonista, e por que padrões ele vive? Você está sendo treinado para identificar com quem, e quem você está sendo treinado a desprezar?

Digamos que você está assistindo um seriado, e um dos personagens critica outro dos personagens, um homossexual, e faz isso porque o outro é homossexual. O que acontece a seguir? A trilha sonora e a claque, esse grande pastor do rebanho que diz ao público que direção eles deveriam seguir, é preenchido com gemidos de descrença. Que lição estão te ensinando? Você está sendo catequizado e ensinado a não ser aquele cara. Quando acontecer na vida real, você mesmo providenciará a trilha sonora, e você pensará duas vezes antes de dizer algo.

Portanto, não é que existam, de alguma forma, uma barreira espiritual e invisível que invade você quando você assiste algo. Você está aprendendo aqui, em suas aulas, a avaliar livros e literatura de acordo com uma cosmovisão bíblica. Isso não está sendo ensinado como um truque literário legal – queremos que você aplique isso a tudo que encontrar. “O que eles estão dizendo? É verdade? Como eles esperam que eu reaja, e eu deveria reagir dessa forma?”.

Não existe pecado chamado “assistir a um filme estúpido”. Existe um pecado chamado “pessoa estúpida assistindo um filme estúpido”.

Há outra questão importante a considerar. Quanto mais prontamente você consumir o chamado lixo tolerável em público, junto com outros amigos cristãos, provavelmente mais você se entregará em privado ao lixo verdadeiro. Escravidão à pornografia começa em algum lugar, e as seduções da incredulidade começam em algum lugar. Existem sistemas de crença lá fora – do tipo que não se importam nem um pouco com sua alma – que te dizem o que você pode fazer o que quiser em tal área. Esse tipo de apostasia começa com um test-drive em privado.

G.K. Chesterton certa vez notou que há um tipo de imoralidade que é a primeira e mais óbvia propina que pode ser dada a um escravo. Eles deixam que você faça certas coisas porque eles sabem que uma pessoa imoral pode ser facilmente manipulada.

Em conclusão, esses princípios giram em torno de três virtudes básicas – dedicação a sua vocação e trabalho, lealdade a seu Deus e a seu povo, e integridade moral.

Por favor, não pense que o Pastor Wilson deu uma palestra sobre X, Y e Z e ensinou que é errado fazer X, Y e Z. O que é errado é tornar-se um fracassado. Tudo que você faz é uma pincelada que contribui para a pintura final. X, Y, e Z não são entradas ou saídas em livro de contabilidade. Eles são pinceladas, e você é a pintura.

Assim, a conclusão não é “por que meus amigos e parentes piedosos detestam esses filmes?”. O problema real é que eles detestam o que você está se tornando como resultado de ter assistido um monte deles.

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Traduzido por Josaías Jr | Reforma21.org | Original aqui

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