Eu sou só um… [complete a lacuna]

por David Murray

David Murray
David Murray

“Eu sou um encanador”. “Eu sou uma dona de casa”. “Eu sou uma secretária”. “Eu sou um vendedor”. “Eu sou um contador”.

As pessoas dizem  o tempo todo esse tipo de coisa para pastores.

O que está implícito nessas afirmações?

  • Seu trabalho é um chamado divino, mas o meu não.
  • Meu trabalho não é tão importante quanto o seu.
  • Você é mais valioso para Deus que eu.
  • Eu queria poder servir a Deus mais de uma vez por semana.

O que está na raiz de tudo isso é uma visão antibíblica da vocação, a ideia errônea de que apenas chamados ministeriais são chamados divinos, de que somente trabalho ministerial é trabalho de verdade, de que somente trabalho notoriamente cristão é um trabalho digno.

Como o trabalho ocupa a maior parte do nosso tempo, essas mentiras têm efeitos altamente destrutivos e negativos sobre nós.

Se você já disse ou pensou tais coisas, eu te encorajo a começar a enxergar seu trabalho pelas lentes de Romanos 11.36:

“Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, [seja] a ele eternamente.  Amém”.

TODAS AS COISAS, sim, até mesmo seu trabalho:

  • É de Deus: Seu trabalho vem de Deus, é chamado dEle. Ele te deu o trabalho, Ele te planejou para isso, e Ele chamou você para realizá-lo hoje.
  • É por Deus: Você faz seu trabalho na dependência de Deus, buscando somente nEle orientação, proteção, força e bênçãos. E se fizer isso, você pode estar fazendo seu trabalho com mais fé que alguns homens em seus púlpitos!
  • É para Deus: você faz seu trabalho para a glória de Deus. Você trabalha como se Ele fosse seu patrão, seu gerente, seu chefe. Você lava pratos como se Ele fosse comer neles. Você desobstrui ralos como se estivesse na casa dEle, etc.

Isso não transforma positivamente a maneira como você enxerga seu trabalho e mesmo a si mesmo?

  • Quando você corta grama: “DEle, por Ele, para Ele”.
  • Quando você troca fraldas: “DEle, por Ele, para Ele”.
  • Quando você estuda álgebra: “DEle, por Ele, para Ele”.

O ministério não é o chamado mais elevado. O trabalho que Deus te deu é o chamado mais elevado. 

O ministério é o chamado mais elevado apenas para aqueles que Deus chamou ao ministério (e, como Paulo disse, Deus normalmente chama os menores de todos os santos para esse trabalho). Mas se Deus chamou você para outro tipo de trabalho, então esse é o Seu chamado para você.

Algo menos que essa igualdade de chamados é retornar à elevação pré-Reforma do trabalho “sagrado” acima do trabalho “secular”.

Martinho Lutero escreveu: “O trabalho dos monges e sacerdotes [podemos acrescentar: “pastores e missionários”], tão santo e árduo quanto é, não difere nem um pouco à vista de Deus do trabalho do lavrador rústico no campo ou da mulher cuidando de suas tarefas domésticas, mas todas as obras são julgadas diante de Deus pela fé somente”.

William Perkins, o puritano inglês, disse: “O ato de um pastor cuidando das ovelhas… é uma obra tão boa diante de Deus quanto os atos de um juiz em dar sentença, ou de um magistrado em governar, ou de um ministro em pregar”.

Isso não é diminuir o ministério, ou rebaixá-lo. É erguer todos os outros chamados à elevada e santa posição de dignidade e importância que Deus lhes deu.

Você não é “só” algo ou nada. Você é o que Deus fez você ser e hoje você está fazendo o que Deus te chamou para fazer.  E isso muda tudo.

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Traduzido por Josaías Jr | Reforma21.org | Original aqui

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