Forever Alone – Parte 2

por Daniel TC

Daniel TC

Começamos esta série (aqui) vendo que Bíblia tem muito pra falar a respeito de nossa solidão. O primeiro ponto que vimos foi que o Senhor Jesus nos faz companhia e é nele que devemos confiar quando a solidão nos atinge. Veja o que Davi diz no Salmo 27: “se meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá”. Deus se importa com a solidão de seus filhos, e não os desampara.

Nesta parte vamos abordar um outro aspecto da solidão, um que tem a ver com o que é realmente importante para nós.

Amamos as pessoas.

Ninguém gosta, de verdade, de ficar só. Alguns de nós gostamos de ter tempo para pensar, sem o barulho do pessoal ao redor, mas, porque fomos feitos para viver em comunidade, em comunhão, não gostamos da solidão. Ela nos deforma e entristece. Em Gênesis 2.18 vemos claramente que a solidão não combina conosco. Assim, não gostamos da solidão. Gostamos de ter pessoas conosco. Falando de modo mais específico, queremos UMA pessoa conosco, para desfrutarmos de uma relação parecida com a que havia entre Adão e Eva. Esse desejo de companhia (tanto da companhia dos amigos quanto da companhia “mais específica”) não é algo errado ou ruim – é bom. Mas…

O nosso amor pelas pessoas é afetado pela queda.

 Podemos ver em Gênesis 3 o trágico relato da queda, que afeta tudo o que há em nós. Não há nenhuma área da vida humana, nenhum aspecto da nossa existência, que não tenha sido deturpado, manchado e deformado pelo pecado. Não se trata apenas de coisas erradas que fazemos, mas daquilo que somos – nossa natureza é contrária a Deus e, por isso, contrária a tudo o que é verdadeiramente belo e bom. A beleza da companhia dos amigos e da companhia de um cônjuge também foram terrivelmente afetadas pela queda. O que antes era um desejo saudável de estar perto de outras pessoas, torna-se uma vontade muito, MUITO grande de ser aceito pelo grupo. O que foi planejado para ser uma aspiração ao casamento, torna-se o centro da vida e motivador principal de ação.

Tememos as pessoas.

Em algum momento da caminhada, as pessoas (aquelas, que amamos!) tornam-se nossos ídolos. Erroneamente se tornam a fonte potencial de nosso prazer, alegria, felicidade, realização. Pensamos que não seremos felizes se não houver amigos. Não seremos plenos e realizados se não houver um cônjuge. Não vai ser massa se os ícones em nossa página no Facebook estiverem azuis, sem nenhuma notificação. Chamamos isso de temor do homem: quando as pessoas são infinitamente importantes, a opinião delas é a fonte da nossa esperança e a possibilidade de sermos rejeitados é algo tão grandioso e terrível que mudamos o que for preciso para não ficarmos sozinhos. E quando ficamos solitários, todo o resto não importa mais. O que realmente importa é podermos desfrutar da companhia das pessoas.

Somos todos idólatras.

Não é sempre assim, mas na minha experiência (e creio que, possivelmente, na sua também) o sentimento esmagador de solidão é apenas um sintoma de algo muito mais grave: a idolatria. Deus não é mais nossa maior alegria, Jesus deixa de ser todo-suficiente para nós, e porque o universo não é exatamente como gostaríamos que fosse, ficamos tristes, emburrados. Nosso rendimento cai, nossa cara fica feia e as pessoas começam a se afastar, gerando mais solidão. E os problemas gerados por essa idolatria não param por aí.

Veja o que diz Edward T. Welch em seu livro “Quando as pessoas são grandes e Deus é pequeno”:

Qual é a consequência dessa idolatria às pessoas? Como em toda a idolatria, o ídolo que escolhemos para adorar logo torna-se o nosso dono. O objeto do nosso temor nos domina. Embora insignificante por si só, o ídolo torna-se enorme e nos governa. Ele nos diz como pensar, o que sentir, e como agir. Ele nos diz o que vestir, nos diz para rir de uma piada suja, e para morrermos de medo de falar alguma coisa diante de um grupo. Toda a estratégia produz um efeito contrário. Nós nunca esperamos que usar pessoas para suprir os nossos desejos nos faça escravos delas.

Então, chegamos à raiz do problema. O problema não é a dor da solidão, isso é apenas um sintoma. O problema é a idolatria. O problema é o que está na posição de maior honra em nossos corações.

Qual a solução?

Não há uma receita simples para lidar com essa idolatria. É importante reconhecermos que esse temor do homem é um problema real em nossas vidas. O passo seguinte é aprender a temer a Deus. Quando tememos a Deus, não precisamos temer mais ninguém. Por fim, a solução de verdade encontra-se na pessoa e na obra de Jesus Cristo.

Ainda que tenhamos que lutar contra essa idolatria até o final de nossas vidas, o Filho de Deus deu sua própria vida para nos salvar e redimir. Ele pagou pelo pecado do temor ao homem. Ele pagou pelo pecado da idolatria. Deus nos garante, em sua Palavra, que irá concluir em nós a boa obra que começou (Filipenses 1.6). Não há uma solução para a idolatria (e seus males, como a dor da solidão e a dor da paixão não-correspondida) que não esteja em Jesus. Valorizar Jesus como mais importante do que todo o resto é o caminho para colocar as coisas em ordem no coração – e não somos capazes de fazer isso por conta própria, precisamos que o próprio Deus o faça – e ele faz! (Filipenses 2.13)

E o outro tipo de solidão?

No entanto, não é só quando idolatramos as outras pessoas que a solidão nos machuca. Existe uma solidão real, que não é simplesmente um efeito do nosso coração caído buscando satisfação nas pessoas, longe de Deus. Há uma solidão verdadeira e dolorosa que não é fruto de idolatria, de que trataremos no próximo post da série.

Daniel TC

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