Idolatria nas manhãs de domingo (2)

por Bob Kauflin

Por Bob Kauflin

É útil lembrar que o mundo, o diabo e nossa carne se opõem ativamente ao nosso desejo de dar a Deus a glória que somente Ele merece. As verdadeiras guerras no louvor não são sobre estilos e formas de música ou práticas. Elas acontecem secretamente em nossos corações, quando ídolos tentam roubar nossa paixão de exaltar a Deus acima de tudo. Se não estamos ciente dessas guerras, teremos dificuldade em entender ou experimentar a adoração que honra a Deus, não importa o que você esteja fazendo exteriormente.

Falando de experiência, aqui estão mais alguns ídolos que podem nos tentar nos cultos de domingo.

Experiência

Ano passado, enquanto folheava uma revista cristã, notei que um anúncio de um novo CD de louvor mencionava a palavra “experiência” seis vezes. Nós todos amamos “experiências de adoração” com Deus. Experiências não são ruins. Mas o conceito de adoração como uma “experiência” é um pouco estranho à Escritura. Digo “um pouco” porque existem vezes em que adorar a Deus definitivamente é uma experiência! (2 Cr 5.11-14; At 4.31; 1 Co 14.23-25). Entretanto, o alvo da reunião como povo de Deus não é sentir alguma coisa, mas contemplar e relembrar alguma coisa. Essa “alguma coisa” é a Palavra, as obras, e a benignidade de Deus, especialmente quando Ele se revelou em Jesus Cristo (2 Co 4.6). Se eu procuro arrepios ou emoções intensas, Deus se torna simplesmente mais uma de numerosas opções que posso escolher buscar durante um culto. Isso não minimiza a importância de buscar encontros com o Deus vivo, caracterizados por profunda emoção, e de deleitar-se na presença de Deus (Sl 84.1,2; 1 Cr 16.11; Sl 16.11). Mas me torno ciente da proximidade de Deus ao descansar em Sua natureza, promessas e atos, não perseguindo uma situação emocional.

Liturgia

Formas e práticas são significantes quando nos encontramos como povo de Deus para adorá-lo. Tudo deve ser feito com decência e ordem (1 Co 14.40). Entretanto, Deus não expressou claramente em Sua Palavra com o que “ordem” realmente se parece. Quantas músicas cantamos e quando as cantamos? Que palavras devemos usar quando oramos? Quando e quão frequentemente  devemos celebrar a Ceia do Senhor? Por toda história, cristãos têm discutido e se dividido sobre essas questões, afirmando oferecer uma liturgia que é verdadeiramente bíblica. É claro, divisões de igrejas não são sempre erradas, uma vez que algumas das verdades e doutrinas bíblicas que mais prezamos foram purificadas pelo fogo do conflito. Entretanto, não existe um “perfeccionismo litúrgico” que devemos alcançar, que até fará nosso culto mais aceitável a Deus do que ele é em Jesus Cristo. O triste fruto dessa mentalidade idólatra são igrejas que têm forma de piedade, mas carecem de verdadeiro poder espiritual. Nosso objetivo é fazer, pela fé, o que magnifica a glória de Deus em Cristo de maneira mais efetiva e bíblica. Mas as liturgias devem servir-nos, não dominar-nos. Uma vez que Deus parece permitir alguma liberdade de forma, assim façamos também.

Conhecimento Bíblico

Eu hesito em incluir “conhecimento bíblico” como um ídolo potencial. A razão para ter feito isso é que podemos buscar erroneamente um conhecimento de doutrina que é distinto do conhecimento do próprio Deus. Devemos reconhecer essa possibilidade ou facilmente cairemos no erro dos fariseus, que tinham mais orgulho em sua “retidão” que em seu relacionamento com Deus. Nós, também, podemos ser mais impressionados com uma teologia precisa em nossas músicas que com o fato de que Deus nos mostrou misericórdia em Jesus Cristo.

Doutrina e teologia, quando humildemente estudadas e aplicadas, sempre nos levam a temer, amar e adorar mais a Deus, não menos. Por esse motivo, Jesus repreendeu os fariseus, por procurarem um conhecimento da Escritura que não os levou a isso. “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida.” (João 5.39,40). O crescimento em nosso conhecimento e amor pela Palavra de Deus sempre deve produzir humildade e piedade correspondentes em nós. Quão trágico é que aqueles que defendem mais ardentemente certas formas de adorar a Deus frequentemente desprezam a humildade que Deus tanto estima (Is 66.2).

Ignorância Bíblica

Por outro lado, podemos exaltar nossa ignorância das Escrituras enquanto adoramos a Deus, afirmando que “palavras atrapalham a adoração”. Em algum momento futuro, planejo compartilhar sobre a primazia da Palavra de Deus em nossa adoração. Por enquanto, basta dizer que, quando não valorizamos intencionalmente a Palavra de Deus como influência controladora e substância primária de nossa adoração, outras autoridades correm para ocupar o lugar. Não somos mais espirituais, mais próximos a Deus, nem mais maduros, se pensamos que não precisamos de palavras para nos comunicar com Deus. Deus sempre dispôs sua Palavra no centro de nossa comunhão com Ele, seja por meio da música, oração ou pregação. Através da Palavra de Deus, nós conhecemos melhor quem Ele é, quem somos, e como nos relacionamos com Ele. (Ex 20; 1 Rs 8.9; Js 1.7,8; 2 Cr 31.2-4, 34.29-33; Sl 119; Sl 19.7-11; Mt 15.8; At 13.48,49; Cl 3.16; 1 Tm 4.13).

Traduzido por Josaías Jr | iPródigo | Originais aqui e aqui

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