Jesus é o único caminho?

por Jonathan Dodson

Jonathan Dodson
Jonathan Dodson

Essa é a constante pergunta da nossa geração: “Jesus é o único caminho?”. Alguns perguntam com desdém: “Como pode alguém afirmar que Jesus é o único caminho até Deus?” Outros perguntam isso com um genuíno senso de dúvida. Jesus é o único caminho? Apenas em livros nós encontramos essa questão feita e abordada tão explicitamente. Então, embora essa questão pode marcar a nossa geração, ficamos relutantes em discutir sua resposta. Por que essa pergunta é tão constante na nossa geração? Ao longo dos próximos posts, vou abordar essa questão com honestidade e sinceridade.

Respondendo a pergunta socialmente

Se a resposta for: “Sim, Jesus é o único caminho até Deus”, uma linha é desenhada onde preferiríamos que as coisas permanecessem nebulosas. Por que preferimos esta reivindicação particular à imprecisão? Em muitas cidades, há um conjunto de crenças religiosas: Misticismo, Islamismo, Budismo, Hinduísmo e Cristianismo, só para nomear algumas. A presença de tantas religiões diferentes nas cidades leva as pessoas (inclusive cristãos) à conclusão de que todas as religiões levam a Deus. Por quê? Quando conhecemos pessoas de outras religiões que são amorosas e sinceras por causa das crenças de sua religião, parece arrogante dizer que elas estão erradas. No fim das contas, a sua religião fez com que ela parecesse uma pessoa agradável e respeitável. Eu, por exemplo, conheci pessoas que poderia considerar mais generosas e sacrificiais do que alguns cristãos que conheço.

Uma decisão teológica baseada na experiência social

Quando pessoas de outras crenças rivalizam com o caráter cristão, estamos diante da tendência de afirmar que todas as religiões como caminhos válidos a Deus. Tomamos uma decisão teológica baseada na experiência social. Ao invés de investigarmos a resposta à uma das questões mais importantes,  preferimos cobrir essa questão com reflexões de uma polegada de profundidade sobre o caráter das pessoas que encontramos. Compreensível… mas não sábio.

E se a nossa geração tornar-se conhecida não só por formular grandes questões, mas também por lutar profunda e sinceramente pela resposta? Muitos cristãos afirmam que Jesus é o único caminho até Deus. Outros concluem que deve haver muitos caminhos para Deus (ou agem assim) por causa das experiências sociais que os apresentam à pessoas amáveis e respeitáveis que não acreditam que Jesus é o único caminho até Deus. Na verdade, muitos de nossos colegas acreditam no oposto, ou seja, acreditam que há muitos caminhos até Deus, uma visão chamada pluralismo.

3 razões

Durante os últimos quatro anos em Austin, Texas (uma cidade de estudo de caso para o Projeto Pluralismo, de Harvard), tive a oportunidade de encontrar, conhecer e conversar com cristãos e não-cristãos pluralistas.Refletindo sobre aquelas conversas, parece haver 3 razões pelas quais as pessoas aceitam o pluralismo religioso. Eles acreditam que existem vários caminhos até Deus, não apenas um, porque isso parece mais  esclarecido, humilde e tolerante. Neste e nos próximos posts, vamos pegar cada uma dessas razões – esclarecimento, humildade e tolerância – e examiná-las mais de perto.

O que as religões ensinam sobre Deus?

A crença de que todos os caminhos levam ao mesmo Deus é mais esclarecida ou instruída? Bem, todas as religiões ensinam coisas muito diferentes sobre quem é Deus e sobre como alcançá-lo. Na verdade, há muita discordância entre as religiões sobre a natureza de Deus. O Budismo, por exemplo, não acredita em Deus. O Islamismo prega um monoteísmo impessoal, Alá. O alcorão diz que Deus [no caso, Alá] revela sua vontade, mas não sua pessoa. O Cristianismo prega um trinitarianismo pessoal, no qual Deus é três pessoas na relação Pai-Filho-Espírito, e que pode ser conhecido e apreciado. O Hinduísmo vai do politeísmo ao ateísmo. A razão disso é que há uma ausência de revelação definitiva para esclarecer a “teologia” deles. Como alternativa, o hinduísmo apresenta várias formas de revelação (os Upanixades*, os Vedas*, etc.). Ao contrário do Islamismo, o Hinduísmo não tem pressuposições quanto à natureza de Deus. Em suma, os pontos de vista das religiões sobre Deus são bem diferentes. Se  for assim, parece pouco “esclarecido” ou instruído afirmar que todas as religiões levam ao mesmo Deus quando seus pontos de vista sobre Deus são, na verdade, radicalmente diferentes. A alegação do pluralista religioso contradiz os próprios preceitos das religiões.

O que elas ensinam sobre como alcançar a Deus?

 As religiões não apenas ensinam coisas diferentes sobre quem é Deus, mas também sobre como podemos “alcançá-Lo”. O budismo sugere o Nobre Caminho Óctuplo, o islamismo, os 5 pilares (Chahada**, oração, jejum, caridade, peregrinação) e o cristianismo, o evangelho de Jesus. Portanto, dizer que todas as religiões levam a Deus não é apenas algo nada esclarecido, mas também é impreciso. Esta é a tese de Stephen Prothero, professor da Boston University, em seu novo livro “God Is Not One” [Deus não é um]. Ele escreveu:

É confortante fingir que as grandes religiões compõem uma família grande e feliz. Mas esse sentimento, mesmo que bem intencionado, não é acurado nem eticamente responsável. Deus não é um.

Prothero continua a salientar que, assim como Deus simplesmente não é um, assim também, todas religiões não são uma. Elas são distintas e fazem afirmações muito diferentes sobre quem é Deus e sobre como alcançá-Lo. À luz do que temos observado em relação ao que as religiões ensinam sobre a natureza de  Deus e sobre como alcançá-Lo, o pluralismo religioso deve ser reconsiderado. Aderir ao pluralismo religioso porque é mais esclarecido ou é uma visão mais instruída sobre as religiões do mundo não é apenas ignorante, mas também impreciso.

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*N.T.: Os Upanixades e os Vedas são dois conjuntos de textos que são considerados os principais textos constituintes das “sagradas escrituras” para o hinduísmo.

** N.T.: Profissão de fé islâmica.

Traduzido por Fê Vilela | iPródigo.com | originais aqui e aqui

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