Jesus, o agiota

Stephen Altrogge

Stephen Altrogge

Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos [...] a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome. (João 15.15-16)

O tom das minhas orações normalmente é um bom indicativo do que eu acredito sobre Jesus. Infelizmente, há vezes em que as minhas preces a Jesus soam como se eu estivesse orando para um agiota.

Eu encontro Jesus encostado em um beco escuro. A luz intermitente de um poste velho projeta uma sombra sobre seu rosto, e no canto de sua boca há um cigarro sem filtro. “Do que tu precisa?”, ele pergunta. Ele olha para o relógio como se estivesse com pressa.

“Jesus, eu preciso seriamente de um pouco de paciência. Ella, minha filhinha, parece ter ingerido umas pílulas de insanidade ou algo parecido, porque ela está me enlouquecendo. Ah, e não está dando muito certo o treinamento dela com o penico. Você pode me ajudar? Você pode me dar um pouco de paciência?”

“É, eu tenho o que tu precisa, mas nem sei se quero te dar. O que tu vai me dar em troca? Hein? Eu não to aqui fazendo trabalho de caridade.”

“Sei lá, eu vou orar mais, ler mais, ouvir mais música gospel… Alguma coisa assim, qualquer coisa. Só me dê o que eu preciso, por favor!”

“É, vamo ver… Talvez eu te ajude, talvez não. Tu sabe que se eu te ajudar, vai sair caro, né? Bem caro.”

É óbvio que as minhas orações para Jesus não são assim. Mas, muitas vezes, eu me aproximo dEle como que acreditando que Ele está relutante em me ajudar. Que eu tenho que ganhar uma quebra de braço com Ele para conseguir o que eu preciso. Como se Ele estivesse de braços cruzados.

Mas não é assim que Jesus é. Em João 15, Jesus diz que nos chama de amigos. Pare e reflita nessa palavra. Amigos. Não conhecidos, não colegas, mas amigos.

Meu padrasto Matt é meu amigo. Quando peço ajuda ao Matt, ele rapidamente me estende a mão. Ele é incrivelmente generoso ao me emprestar ferramentas, seu tempo e sua sabedoria como eletricista (eu e a eletricidade não nos damos muito bem). Eu nunca preciso implorar ou forçar a barra porque a generosidade é natural para ele. Matt é um reflexo da obra de Cristo.

Jesus me chama de seu amigo, e sua generosidade é incomensurável. Ele me chama a pedir qualquer coisa em seu nome, para que o Pai me dê. Ele não é ardiloso. Ele não é um agiota, um contrabandista. Jesus se compraz em dar, e quer que peçamos com fé, crendo que Ele quer nos dar.

Você ora para Jesus como um amigo ou como um agiota? Ele tem montanhas de bênçãos que Ele quer derramar sobre você, mas você precisa pedir com fé. Jesus te chama de amigo. Traga suas necessidades e seus pedidos para o seu amigo.

Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui

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