Jonathan Edwards Como Pai

por Simonetta Carr

Muitos veem Jonathan Edwards como um pregador aterrorizante. Alguns o consideram um dos maiores teólogos americanos. Poucos conhecem alguns detalhes agradáveis de sua vida, como seu relacionamento amoroso com sua esposa Sarah. Menos gente ainda o conhece como pai.

Uma Família Grande

Nascido em 5 de outubro de 1703, em East Windsor, Connecticut, Edwards cresceu como filho de pastor. Seu pai Timothy tinha grandes expectativas para seu único filho, que nasceu em uma família com dez filhas. Considerando-se que seu avô materno também era um pastor, Timothy nutria esperanças de que Jonathan recebesse o mesmo chamado.

A esposa de Timothy, Esther, era uma mulher muito inteligente. Juntos, o casal abriu uma escola de bairro onde ensinaram seus filhos junto com as crianças da sua comunidade. Jonathan aprendeu muito daquele lugar.

Depois de estudar onde hoje é a Universidade de Yale, Jonathan serviu como pastor temporário e professor universitário até que seu avô o chamou para ajudá-lo no cuidado pastoral de sua igreja. Essa posição estável permitiu que ele se casasse com a garota que o encantara alguns anos antes: Sarah Pierpont. Juntos, eles tiveram onze filhos: Sarah, Jerusha, Esther, Mary, Lucy, Timothy, Susannah, Eunice, Jonathan, Elizabeth e Pierpont.

Edwards manifestou seu amor por seus filhos de muitas maneiras, mas o bem estar espiritual deles era primordial em sua mente. Quando o popular evangelista George Whitefield o visitou em 1740, Edwards (que era então pastor titular) pediu a Whitefield que falasse em particular com seus filhos mais velhos (todas as meninas tinham entre 5 e 12 anos de idade). Whitefield ficou muito impressionado com eles e notou com prazer como eles usavam roupas simples, ao contrário de muitas famílias da moda de sua época. Quanto a Edwards, ele comentou com alegria que a reunião com os meninos havia dado muito fruto.

O comportamento das crianças que Whitefield admirou era provavelmente um resultado da disciplina consistente e ágil de seus pais, que, de acordo com um visitante posterior, Edwards “exercitava com a maior calma”.[1]

Vários registros nos dão trechos encantadores da vida familiar dos Edwards. A música era muito importante, tanto nas reuniões devocionais diárias como em outras ocasiões. Assim também era o chocolate quente, servido especialmente no café da manhã. Ainda era um item raro naqueles dias, mas Edwards fazia questão de trazer um pouco de casa quando viajava para uma cidade grande.

Em casa, as crianças continuavam ocupadas com a escola e o trabalho, já que muitas coisas ainda eram feitas em casa. Por exemplo, Sarah e as meninas usavam papel de seda para fazer leques e decorá-los com aquarelas (enquanto Edwards, sempre tão cuidadoso, colecionava os pedaços que sobravam prendendo-os em cadernos).

Quando as crianças estavam doentes, havia muitos remédios naturais, como infusões de raiz de ginseng (muito populares na Europa), pasta de uvas secas para recuperar as forças, e mesmo cascavéis. Não está claro se a carne ou o veneno da cascavel era usado para fins medicinais.

Quando as Flores Murcham

Excepcionalmente para o seu tempo, todos os filhos de Edwards sobreviveram até a idade adulta. Em 1747, no entanto, ele sofreu a maior dor de sua vida quando sua filha de dezessete anos, Jerusha, morreu repentinamente de febre alta. Talvez a mais piedosa das meninas, ela era considerada “a flor da família”. Ela se tornara muito próxima do missionário de 29 anos, David Brainerd, que havia morrido de tuberculose em sua casa apenas alguns meses antes.

Ele pregou o sermão fúnebre em Jó 14:2, “Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece”. Ele encontrou conforto em saber que Jerusha estava com o Senhor e usou o sermão para advertir os outros a estarem preparados. Então ele enterrou Jerusha ao lado do túmulo de Brainerd. Mas a dor continuou. Oito meses depois, ele se descreveu como “o sujeito de uma dispensação aflitiva” que lhe ensinou “como simpatizar com os aflitos”.[2]

Vida Missionária

Provavelmente, Edwards tomou a decisão mais difícil de sua vida em 1750, quando sua congregação votou quase que por unanimidade (230 de 253) para pedir a ele que partisse. A principal questão era a administração da Ceia do Senhor, que o avô de Edwards permitia a todos os que foram batizados (que, naqueles dias, eram teoricamente todos), enquanto Edwards insistia que deveria ser dado somente àqueles que professaram abertamente sua fé em Cristo.

Ele considerou diferentes opções, incluindo a mudança para a Escócia. Ele escreveu: “Estou agora como se fosse lançado no vasto oceano do mundo e não sei o que será de mim e da minha família numerosa e onerosa.” Seu filho mais novo, Pierpont, tinha apenas alguns meses de idade.

Em fevereiro de 1751, ele aceitou um chamado para pastorear uma igreja em uma pequena cidade colonial chamada Stockbridge, construída especificamente como uma missão para os nativos americanos. Era composta de cerca de 250 moicanos, 60 mohawks e apenas algumas pessoas de ascendência inglesa – principalmente primos de Edwards.

Nem todo mundo gostou da ideia. O homem encarregado da missão pensou que Edwards não era suficientemente sociável, que era velho demais para aprender novas línguas e que escrevia estudos difíceis. Na realidade, Edwards provou ser uma boa escolha. Ele se importava profundamente com seu rebanho e os protegia dos britânicos que tentavam abusar deles. Ele também se comunicava bem, usando um intérprete para transmitir a verdade simples do evangelho com imagens que eram familiares para seus ouvintes.

Quanto às crianças, elas se integraram perfeitamente bem, brincando com as crianças nativas e aprendendo sua língua. Ele escreveu: “Neste momento nós vivemos em paz, o que há muito tempo tem sido incomum para nós”.[4]

Lembrando-se da pequena escola de seus pais, Edwards aplicou os mesmos princípios na escola local de Stockbridge, insistindo que crianças inglesas e nativo americanas aprendem juntas (algo anormal para essa época).

O maior teste de seu compromisso com as missões ocorreu em 1755, quando o professor Gideon Hawley decidiu alcançar outros nativos indo a suas aldeias e pediu a Edwards que permitisse que seu filho de dez anos, Jonathan Júnior, participasse como intérprete. Edwards concordou sem hesitação. Ele e Sarah acompanharam os missionários até onde as estradas pavimentadas os levaram, depois voltaram para casa e esperaram em oração por seu filho, que retornou em segurança no ano seguinte.

Último Adeus

Em 1757, Edwards recebeu um convite para liderar a Faculdade de Nova Jersey (que mais tarde se tornaria a Universidade de Princeton) no lugar de Aaron Burr, que há pouco havia morrido. A decisão foi novamente difícil de se tomar, mas todos os pastores que ele consultou o encorajaram a ir.

A despedida de sua família foi emocionante. Sua filha Susannah comentou: “como se ele soubesse que não voltaria novamente”.[5] De acordo com os planos, ele deveria se situar na faculdade e então mandar trazer sua família. Além disso, sua terceira filha, Esther, já estava lá. Ela era a viúva de Aaron Burr e deve ter apreciado o conforto que seu pai era capaz de dar a ela e a seus dois filhos. A quinta filha de Edwards, Lucy, também se mudou para lá no ano anterior.

Mas Deus tinha outros planos. Em 22 de março de 1758, Edwards morreu de complicações resultantes de uma vacina contra varíola. Esther morreu duas semanas depois. Em setembro, a esposa de Edwards morreu de uma enfermidade e sua última filha, Elizabeth, morreu duas semanas depois. Mais uma vez, foi “uma dispensação aflitiva” para toda a família, mas os filhos remanescentes devem ter se mantido nas sinceras últimas palavras de seu pai: “Confiem em Deus e vocês não precisarão temer”.[6]

[1] Samuel Hopkins, Memoirs of the Rev. Jonathan Edwards, J. Black Publisher, Convent Garden, 1815, p. 89.
[2] Jonathan Edwards, Works, vol. I, London, Ball, Arnold, & Co., 1840, p. cxiv
[3] Ibid., p. clxii
[4] Ibid., p. clxxxiii
[5] Ibid, p. ccxxi
[6] Ibid., p. ccxx

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Traduzido por Cleber Filomeno | Reforma21.org | Original aqui

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