Para Lady Gaga: “Nasci assim” não é o suficiente

por Adam Parker

Adam Parker

Soube que o novo single de Lady GaGa, “Born This Way” [numa tradução beeem livre: “Nasci assim”] chegou ao topo das paradas no iTunes e supostamente é algum tipo de canção que define essa geração. O que me interessa depois de ler as letras e ouvir a música é que, do começo ao fim, GaGa está tentando levar seus ouvintes a se soltarem, aceitaram a si mesmos como eles são, e se lembrarem de que eles têm uma desculpa para seu comportamento – afinal de contas, eu nasci assim! Um sentimento muito popular em nossa cultura, com certeza.

Existem cristãos que se posicionarão contra a mensagem dessa música dizendo: “Não, você não nasceu assim! Foi uma escolha!”. Eles apelarão, então, para a ciência e para o fato de nunca foi descoberto um “gene gay”. Essa resposta é não somente teologicamente terrível, como também foge da questão maior.

Vamos aceitar por um momento que Lady GaGa está absolutamente certa e que, sem dúvida, toda pessoa “nasceu assim”. Isso significa que todo mundo deveria agir a partir de cada e todo impulso? A presença de um impulso ou desejo é bastante para determinar se uma ação é moral ou imoral?

Ou alguém poderia até mesmo voltar essa ética contra Lady GaGa. Se alguém for intolerante e cheio de ódio, ele poderia se desculpar simplesmente dizendo: “desculpa aí, mas eu nasci desse jeito!”.

Não seria difícil demonstrar o absurdo desse tipo de sentimento. Tudo que precisamos fazer é olhar para os comportamentos humanos que ninguém quer dizer que é aceitável e partir daí. Assassinato? Ok, assassinato não é legal, mesmo se o assassino tem um impulso humano de cometer esse ato. Estupro? Ok, estupro ainda não é uma coisa boa, mesmo que Lady GaGa continue a nos dizer que “eu nasci assim” é um fundamento para determinar nossos padrões éticos. Sodomia? Bem, essa é uma das áreas cinzas da nossa cultura, não é? É certamente discutível na arena pública, embora não deva estar na Igreja. O que dizer do adultério – quebra os votos matrimoniais? Bem, eu conheço muita gente que acha que não tem problema ter um caso e destruir seu casamento, simplesmente porque houve o desejo.

Se você pensar em termos teológicos, GaGa simplesmente abriu espaço para Agostinho. Sinto muito, Pelágio! Melhor sorte na próxima¹! Mas quem poderia imaginar que, ao aceitar a doutrina agostiniana do posse pecar², alguém teria pensando que encontrou uma defesa ética para o comportamento humano!

Não me entenda mal: esse texto tortuoso não é sobre travestismo ou orientação sexual, como alguns pensam que é o assunto da música de Lady GaGa. Eu nem mesmo penso que isso é tudo que a música trata. Pelo contrário, o que estou fazendo é mostrar a ética moralmente suicida por baixo dos sentimento de “Born This Way”.

A verdade é que todo mundo nasceu assim, e ainda assim somos indesculpáveis, porque ainda estamos inclinados à desobediência a Deus, mesmo se não estamos dispostos a reconhecê-lO. Simplesmente porque o fato de nossos desejos serem deformados e pervertidos (os meus incluídos aqui) não nos desculpa (Romanos 2.1). Pelo contrário, nossos desejos confirmam que estamos inescapavelmente necessitados do Salvador que pode nos liberar da culpa do pecado e nos capacitar a ter um princípio de amor a Deus, a fim de que possamos honrar a Deus em nossas decisões éticas.

¹ Agostinho e Pelágio travaram debates sobre a corrupção e a liberdade humana . Enquanto Agostinho defendia a doutrina do pecado original, plantando conceitos do que mais tarde chamaríamos de depravação total, Pelágio entendia que o homem tinha igual potencial para o bem e para o mal. Pelágio foi considerado herege pela Igreja Católica, embora possamos dizer que uma doutrina semipelagiana hoje é aceita pelos católicos.

² Resumindo essa doutrina, um quadro retirado daqui:

Posse non pecare posso não pecar inocência antes do pecado
Non posse non pecare não posso não pecar homens não salvos
Posse non pecare posso não pecar salvos vivos em corpo mortal
Non posse pecare não posso pecar salvos glorificados

Traduzido por Josaías Jr | iPródigo | original aqui

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