Louvem-te os povos, ó Deus, louvem-te todos os povos

por John Piper

John Piper
John Piper

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe, e faça resplandecer o seu rosto sobre nós para que sejam conhecidos na terra os teus caminhos, a tua salvação entre todas as nações. Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te todos os povos. Exultem e cantem de alegria as nações, pois governas os povos com justiça e guias as nações na terra. Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te todos os povos. Que a terra dê a sua colheita, e Deus, o nosso Deus, nos abençoe! Que Deus nos abençoe, e o temam todos os confins da terra. (Salmo 67)

A forma como os versos 1 e 2 se relacionam baseia firmemente esse Salmo para mostrar como Deus trabalha durante a história para salvar o mundo. Note a conexão entre Deus abençoando Israel (o “nós” do verso 1) e Israel sendo uma benção às nações (verso 2): “Que Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe [note as palavras!], e faça resplandecer o seu rosto sobre nós para que [esse é o objetivo de Deus abençoar Israel] sejam conhecidos na terra os teus caminhos, a tua salvação entre todas as nações.”

Baseado na Aliança

Essa conexão entre ser abençoado e abençoar as nações significa que o salmista está baseando sua oração em Gênesis 12.2-3. Deus promete a Abrão: “Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção. Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados”.

Assim, essa oração do Salmo 67 não está flutuando por aí, sem conexão histórica com a forma que Deus salva o mundo. Ela está baseada na aliança de Deus com Abraão. Ele traz a aliança ao contexto, por meio da oração. Isso é o que devemos fazer com as alianças de Deus – suas promessas. Trazê-las ao contexto por meio da oração.

Cumprido em Jesus

Façamos isso então – para o século XXI. Eu acredito que o salmista, e Abraão, ficariam chateados se não o fizéssemos. O cumprimento decisivo da aliança de Deus com Abraão – não o cumprimento final, mas o decisivo – foi a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, a “semente de Abraão”. E porque Jesus, em sua obra salvífica, é a semente de Abraão, todos – incluindo pessoas das nações mais pagãs – que estiverem unidos com ele pela fé se tornam um filho de Abraão e herdeiro de suas bênçãos.

Gálatas 3.13-14: “Cristo nos redimiu da maldição da Lei quando se tornou maldição em nosso lugar, … para que em Cristo Jesus a bênção de Abraão chegasse também aos gentios [as nações!]”

O Salmo 67 no século XXI

Então o plano de Deus é que todos os povos do mundo sejam abençoados. Para isso, ele escolheu o povo de Israel para receber sua revelação e sua bênção. E fez uma aliança com eles, para que fossem abençoados e, dessa forma, trouxessem bênçãos a todos os povos da terra. E Deus cumpriu essa aliança decisivamente quando Jesus Cristo, semente de Abraão, cumpriu toda a justiça, morreu pelo pecado, e ressuscitou, para que qualquer um que creia nele, de qualquer povo da terra, se torne um filho de Abraão e herde a bênção de Abraão – e seja abençoado com as bênçãos de Israel. Assim, a aliança de Abraão se cumpre toda vez que alguém se entrega a Cristo.

Assim, leiamos essa oração do Salmo 67 como parte da realização histórica desse grande pacto, seu decisivo cumprimento em Jesus e seu cumprimento constante na vida da igreja. Essa oração deve ser lida como a realização da aliança com Abraão, e como uma expressão de como essa aliança seria cumprida em nós, hoje, por meio de Jesus Cristo.

O grande propósito de Deus para o mundo

A primeira coisa que vemos na oração é o grande propósito de Deus para o mundo e todos os seus milhares de povos. Deus inspirou essa oração (Jesus fala isso sobre os Salmos em Mateus 22.43). Assim, o que vemos não é apenas o propósito do salmista, mas o grande propósito de Deus para o mundo que ele mesmo criou.

De acordo com o Salmo 67, o propósito de Deus é ser conhecido, louvado, regozijado e temido por todos os povos da terra. É por isso que ele criou o mundo, porque ele escolheu Israel, porque Cristo morreu, e porque existem as missões – as missões existem porque o conhecimento de Deus, o louvor a Deus, o regozijo em Deus e o temor a Deus não existe em todos os povos.

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Ser conhecido, louvado, regozijado e temido

Deixe-me apontar cada um desses para você mesmo enxergar.

  1. Primeiro, o propósito de Deus é ser conhecido entre os povos. Verso 2: “… para que sejam conhecidos na terra os teus caminhos, a tua salvação entre todas as nações”.
  2. Segundo, seu propósito é ser louvado entre todas as nações. Versos 3 e 5: “Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te todos os povos”.
  3. Terceiro, o propósito de Deus é ser regozijado por todos os povos. Verso 4: “Exultem e cantem de alegria as nações”.
  4. Quarto, seu propósito é ser temido, ou reverenciado, entre todas as nações. Verso 7: “… e o temam todos os confins da terra”.

Esse salmista está orando de acordo com a vontade de Deus. É isso que significa falar “em Espírito”, como Jesus diz que os salmistas fazem. Assim, não vemos apenas o propósito de um homem nessa oração, mas o propósito de Deus. O objetivo dele em sua criação é ser conhecido, louvado, regozijado e temido por entre todos os povos da terra. É por isso que esse mundo existe. E é por isso que existem as missões.

Qual o porquê desse propósito?

Mas o salmo nos diz mais sobre o propósito de Deus para o mundo. Ele nos diz como ele deseja ser conhecido, o alvo de ser adorado, o que há nele para que deseje que todas as nações exultem, e porque devemos reverenciá-lo e temê-lo a ponto de deixar qualquer outro deus.

O salmo nos mostra quatro coisas que Deus deseja que os povos da terra conheçam, louvem, exultem e temam sobre ele.

Primeiro, Deus deseja ser conhecido como o único Deus, vivo e verdadeiro.

Ele não é o Deus de qualquer outra religião.

Eu vejo isso pelo fato de que um poeta Israelita inspirado está orando para que o seu Deus seja conhecido e louvado entre todos os povos que adoram outros deuses. Verso 3: “Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te todos os povos”. O Deus de Israel disse em Isaías 45.5-6 : “Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro; além de mim não há Deus. Eu o fortalecerei, ainda que você não tenha me admitido, de forma que do nascente ao poente saibam todos que não há ninguém além de mim. Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro.”

Se isso não for verdade, fazer missões seria a mais audaciosa e presunçosa invenção do mundo inteiro. Chamar as nações a conhecer, louvar, regozijar e temer um único Deus, o Deus de Israel, o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, seria arrogante e presunçoso, se não fosse verdade que ele é o único e verdadeiro Deus. Mas isso é verdade, então fazer missões é uma resposta humilde, carinhosa e obediente de um povo que ama aqueles que estão perecendo.

O salmista não ora “que todos os povos se tornem sinceros adoradores de seus deuses, pois todos os deuses são um só”.

O que Jesus diz

Jesus fala claramente sobre pessoas (de qualquer religião) que o negam dessa forma. Ele diz:

  1. Eles não “conhecem” o Deus verdadeiro. “Vocês não conhecem nem a mim nem a meu Pai. Se me conhecessem, também conheceriam a meu Pai” (João 8.19)
  2. Eles não “honram” o verdadeiro Deus. “Aquele que não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou” (João 5.23)
  3. Eles não “amam” o verdadeiro Deus. “Sei que vocês não têm o amor de Deus. Eu vim em nome de meu Pai, e vocês não me aceitaram” (João 5.42-43)
  4. Eles não “tem” o verdadeiro Deus. “Todo o que nega o Filho também não tem o Pai; quem confessa publicamente o Filho tem também o Pai” (1 João 2.23)
  5. Eles não “ouviram” ou “aprenderam” do verdadeiro Deus. “Todos os que ouvem o Pai e dele aprendem vêm a mim” (João 6.45)
  6. Eles “rejeitam” o verdadeiro Deus. “Aquele que me rejeita, está rejeitando aquele que me enviou” (Lucas 10.16)

A resposta de Jesus é Não. Ninguém, de qualquer religião, incluindo o cristianismo, realmente adora a Deus se rejeita Jesus como ele realmente é nos evangelhos.

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O Salmo 67 é uma oração para que todas as religiões do mundo se voltem, conheçam, louvem, exultem e temam o único e verdadeiro Deus – o Deus e Pai do Messias, Jesus. E Jesus endossou essa oração com seu próprio sangue. Ele veio a esse mundo para chamar e salvar aqueles que o rejeitaram – como todos nós fizemos. Marcos 2.17: “Eu não vim para chamar justos, mas pecadores”. “Assim como o Pai me enviou, eu os envio” (João 20.21). Ele está enviando hoje embaixadores para todos os povos dizendo: Eu vos amo, venham a mim, creiam em meu filho e eu vos darei vida. Meu propósito é ser conhecido, louvado, regozijado e temido como o único Deus – Jesus Cristo.

Assim, a primeira coisa que Deus deseja que as nações saibam sobre ele é que ele é o único e verdadeiro Deus.

Segundo, ele deseja que as nações saibam que ele é um Deus de justiça.

Verso 4: “Exultem e cantem de alegria as nações, pois governas os povos com justiça”. Quando o julgamento das nações vier, Deus não será parcial. Ninguém será condenado pela cor da pele, tamanho do cérebro, lugar de nascimento ou qualidade da ascendência.

Nenhum suborno será levado em conta, nenhum tipo de barganha. Tudo ocorrerá baseado na impecável justiça de Deus. Que isso seja conhecido por todos os povos da terra. Eles estarão todos no mesmo nível que Israel quando se tratar do julgamento. O padrão de justiça será o mesmo para todos.

Imperfeição universal com apenas um remédio

O padrão de aceitação – seu padrão de justiça na corte do céu – será a perfeição. E o único remédio para o nosso fracasso e rebelião universal é a perfeição de Jesus, a qual ele alcançou por todos aqueles que crêem nele, e o castigo de Jesus, o qual ele aceitou por todos aqueles que crêem nele. A perfeita obediência de Jesus a Deus não apenas mais um remédio entre outros, ou apenas para o povo da tribo cristã. É o único remédio, para todos os descendentes de Adão. “Assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem muitos serão feitos justos” (Romanos 5.19). Se uma pessoa aceitou Cristo como sua única esperança perante Deus, ela será salva. Se não, se perderá.

E Deus não será injusto com aqueles que nunca ouviram a pregação do evangelho. Eles não serão julgados por não crerem em um Jesus que nunca ouviram falar. Eles são julgados por suas respostas à revelação que possuem. E Romanos 1 nos diz que não haverá desculpa Ninguém é justo. Ninguém se submete a Deus, aparte de Cristo.

“A ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça, pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças”. (Romanos 1.18-21)

Deus deseja ser conhecido como um Deus de justiça. O Deus de toda a terra agirá corretamente. Ele julgará todos os povos com equidade – seja em Jesus ou no inferno.

Terceiro, Deus deseja ser conhecido por seu soberano poder.

Vemos isso na última parte do verso 4: “Exultem e cantem de alegria as nações, pois governas os povos com justiça e guias as nações na terra”. Muitas nações se gabam de seu poder e independência como estados soberanos. E quando o fazem, o Senhor ri. Porque ele criou as nações, ele determinou seus períodos de existência e os limites de suas habitações (Atos 17.26).

“O coração do rei é como um rio controlado pelo Senhor; ele o dirige para onde quer.” (Provérbios 21.1). “Destrona reis e os estabelece” (Daniel 2.21).  “Ele age como lhe agrada com os exércitos dos céus e com os habitantes da terra. Ninguém é capaz de resistir à sua mão ou dizer-lhe: ‘O que fizeste?’” (Daniel 4.35).

Eles ouvirão

Deus deseja ser conhecido como o soberano supremo entre todas as nações – especificamente, que ele governa o mundo. Ele é o guia das nações. Elas não são soberanas. Apenas Um é soberano. Ele designa o destino de cada nação.

E parte desse destino é que elas ouçam o evangelho. E para isso, Jesus disse:

“Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações… E eu [eu, o soberano com toda a autoridade] estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28.18-20)

“Minha vontade é que as nações sejam discipuladas. Todas elas. E essa tarefa não é somente minha vontade, mas o destino que eu decretei. Eu edificarei minha igreja!”

Quarto, finalmente, Deus deseja ser conhecido como um Deus gracioso.

O único Deus verdadeiro, que é justo em seus julgamentos e soberanos em seu governo, é um Deus de graça. Ele deseja ser conhecido assim. Vemos isso no verso 1: “Que Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe, e faça resplandecer o seu rosto sobre nós para que sejam conhecidos na terra os teus caminhos, a tua salvação entre todas as nações.”

Ele deseja ser conhecido como um Deus que é gracioso e que salva. E isso não significa ser gracioso apenas com Israel. Porque o verso 4 diz “Exultem e cantem de alegria as nações”. Se a graça de Deus fosse apenas para Israel, não haveria alegria para as nações.

Evangelho: as novas da graça de Deus

É por isso que as novidades que resoam pelo mundo da cruz de cristo são chamadas de evangelho. São boas notícias. São as notícias do Deus da graça. Paul disse que, com a vinda de Cristo ao mundo, “Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tito 2.11). E quando ele resumiu sua vida e ministério, disse que foi tudo pelo evangelho da graça:

“Nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus.” (Atos 20.24).

O cerne da mensagem missionária às nações é: Deus te salvará de teu pecado, da tua culpa e condenação, pela graça, através da fé em seu Filho Jesus Cristo. Nós vamos com uma mensagem de graça, não uma mensagem de condenação.

A missão será completada

Porque ele é gracioso, ele deseja ser conhecido por todos os povos. E porque ele é soberano, ele será conhecido por todos os povos. “Edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la” (Mateus 16.18). “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.” (João 10.16). “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações” (Mateus 24.14).

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Essa é a grande esperança e confiança que criou o movimento missionário da igreja cristã. E essa é a esperança e a confiança que irá nos sustentar até que completemos a missão. E ela será completada.

Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te todos os povos! Exultem e cantem de alegria as nações.

Para isso fomos abençoados. Essa é a nossa missão. Nossa alegria. Custe o que custar.

Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com | Original aqui

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