O contar de nossos dias e a eternidade de Deus

por Scott Swain

Enquanto fechamos um ano e nos aprontamos para começar a marcar o início de outro, é bom nos lembrarmos que marcamos tempo porque tempo é intrinsecamente mensurável, intrinsecamente finito. Não apenas o tempo é finito, tendo um começo em e com a criação de todas as coisas. Nosso tempo também é finito: “Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos” (Salmo 90.10). O salmista nos aconselha, assim, a alcançarmos coração sábio por contarmos nossos dias (v. 12).

Mas aprender a contar nossos dias não encerra a sabedoria que o Salmo 90 recomenda. Em seus versos de abertura, ele declara com confiança: “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus (v.1-2)”. Ao encerrarmos mais um ano e começarmos outro, vale a pena pensar um pouco sobre o que significa ter o Deus eterno como nosso Senhor e Deus.

Dizer que Deus é eterno não é dizer que Deus é muito, muito velho. A eternidade de Deus não é um período excessivamente longo de tempo. Na verdade, a eternidade de Deus não está suscetível a qualquer tipo de medida (Jó 36.26). Nada no ser eterno de Deus o retém no passado ou o apressa ao futuro. A eternidade de Deus é o modo do ser de Deus. Assim, a eternidade de Deus precede e transcende o tempo, mesmo que ele esteja presente no tempo como sua base e seu governante (Salmo 90.2; João 8.58; Apocalipse 1.8). Deus é o mesmo ontem, hoje e sempre, na completa perfeição de seu ser eterno (Salmo 102.27; Hebreus 13.8).

Sendo eterno, o Salmo 90 nos diz que Deus é o “refúgio” do povo de sua aliança (v. 1). No mínimo, o salmista identifica Deus como nosso refúgio para dizer que ele é a fonte de nossa segurança em meio a um mundo caracterizado pelo perigo (Salmo 36.7; 91.1-2) e parar dizer que ele é nossa provisão em meio a um mundo caracterizado pela cobiça e avareza (Salmo 36.8). Segurança, proteção e provisão são as características desse “refúgio”.

E porque nosso refúgio é o Senhor, nosso refúgio é eterno. Nossa segurança não é temporária. Nossos frágeis dias são cobertos por uma segurança eterna que ultrapassa as ameaças de qualquer assalto temporal: “De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua” (Salmo 121.6). Nossa provisão não é temporária. Nossos frágeis dias são cobertos por uma provisão eterna que não se cansa, não falha, que se renova a cada manhã com a renovação da eternidade do próprio Deus (Salmo 121.4; Isaías 40.28). À sombra do trono eternal está o “manancial da vida” e a luz que nos permite enxergar a luz (Salmo 36.9).

Então, nos ensine, Senhor, a contar nossos dias nesse ano que começa; é bom que nos lembremos que somos pó (Salmo 90.3). E no ensine a meditar sobre tua eternidade: “Sacia-nos de manhã com a tua benignidade” – que dura para sempre (Salmo 106.1) – “para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias” (Salmo 90.14).

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Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui

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