Posso fazer uma pergunta idiota?

por Tim Challies

Você alguma vez já falou algo idiota – algo realmente muito idiota? Você já disse algo tão idiota que você se encolhe só de lembrar? Todos nós fazemos isso vez ou outra, não é mesmo? Poucas coisas são mais dolorosas do que perceber que fomos ignorantes ou arrogantes por meio de afirmações estúpidas ou por perguntas idiotas. Acho que a única coisa mais dolorosa é quando a nossa idiotice é respondida com raiva, ultraje ou zombaria. Essas coisas se somam com a dor e a vergonha do que fizemos.

A humilhação por meio das mídias sociais é a nova força de justiça, um meio de envergonhar alguém que o ofendeu até ele ficar quieto ou se arrepender. Jon Ronson apropriadamente comparou isso aos pelourinhos medievais ou às estacas nas praças coloniais. Ações ou palavras maliciosas são respondidas com um dilúvio de tuítes furiosos, mensagens ofensivas no Facebook, postagens nervosas nos blogs e memes sarcásticos. Algumas ações e comentários são tão perigosos e escandalosos que merecem repreensões imediatas que os desqualifiquem. O problema é que a resposta que damos contra a pior maldade também pode ser a resposta que damos contra alguém que fala ou faz algo meramente idiota. Nós acabamos por dar a mesma resposta como punição a duas coisas muito diferentes.

Jesus sabia algo sobre estupidez, não é verdade? Durante toda sua vida ele teve de lidar com intermináveis afirmações e perguntas estúpidas. Pense em todas as besteiras que as pessoas falaram para ele: o infame jovem rico, que resumiu propriamente toda a lei e ousou falar “Mestre, eu tenho guardado todos esses mandamentos desde a minha juventude”. Ele basicamente disse: “eu nunca pequei contra ti nem contra o Pai ou contra alguém que tu criaste”. Ignorante. “E Jesus, fintando-o, o amou…”. Jesus respondeu com amor e compaixão (Marcos 10.21). A mãe de Tiago e João se aproximou de Jesus em favor de seus filhos e pediu que eles tivesse um lugar proeminente no reino. Tola. Mas Jesus, gentilmente, respondeu, perguntando: “Não sabeis o que pedis. Podes vós beber o cálice que eu estou para beber?” (Mateus 20.22). Marta resmungou uma acusação: “Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha?” Duplamente besta. “Marta, Marta”, suavemente ele respondeu (Lucas 10.40-41).

Jesus respondeu dessa maneira porque essas pessoas eram sinceras, mesmo sendo sinceramente ignorantes. Elas eram tolas, desinformadas, não sabiam de coisas que deveriam saber. Mas não estavam sendo malévolas. Ele tinha espaço para reprovações, claro, mas as suas reprovações estavam reservadas para religiosos hipócritas, para pessoas que ele era singularmente capaz de identificar e confrontar como sendo inimigos de sua obra. Mas, com os outros, ele era gentil e cuidadoso. Ele permitia que dissessem tolices. Para amigos e estrangeiros, Jesus tratou a idiotice com bondade.

Veja, eu acho que Jesus sabia algo: o caminho para a sabedoria está cheio de evidências de nossa inata insensatez. Antes de aprendermos a dizer coisas sábias, falamos coisas tolas. Antes de aprendermos o que é sábio e verdadeiro, inevitavelmente esbarramos no que é estúpido e falso. Nós temos pensamentos idiotas. Fazemos perguntas bobas. Afirmamos asneiras. É isso que fazemos quando estamos aprendendo.

As mídias sociais são o meio pelo qual nos comunicamos hoje. Também é por onde aprendemos. É o modo que encontramos novas ideias, a forma como as discutimos, a maneira como afirmamos nossas convicções. O que lemos nos jornais ou vemos na televisão nós levamos para o Facebook, blogs e Twitter. Lá, nós as ponderemos, avaliamos e decidimos se acreditamos ou não nelas. Mas imagino o tanto de coisas que não falamos e não perguntamos por medo da resposta. O quanto poderíamos saber e o quanto poderíamos discutir se o medo de sermos insultado não nos apartasse de explorar novas ideias ou de fazer novas perguntas? Sobre o que poderíamos falar, o que poderíamos aprender se tivéssemos a garantia da graça de poder  fazer perguntas idiotas?

Nós devemos aprender com Jesus o valor de se estender graça às pessoa que falam coisas que soam ofensivas aos nossos ouvidos. Devemos ser pacientes, bondosos e perdoadores. Devemos ser realistas. Antes de esperarmos que as pessoas falem coisas sábias, primeiro devemos deixá-las falar coisas que são tolas.

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Traduzido por Victor Bimbato | Reforma21.org | Original aqui

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