Quando os ídolos atacam

por Erik Raymond

Erik Raymond
Erik Raymond

Alguns anos atrás, o programa When Animals Attack [Quando Animais Atacam] alcançou certa popularidade. Nossa curiosidade sobre o título deu lugar a uma reconhecida fascinação mórbida por aqueles animais que outrora eram “pacíficos”, como veados, por exemplo, se transformando nos briguentos da floresta, golpeando seus “oponentes” humanos. Na maioria dos casos, havia algo que atiçava os animais e então eles reagiam. No entanto, houve outras vezes que os animais estavam simplesmente mal-humorados; eles queriam brigar.

A imagem de um veado sobre as patas traseiras dando socos como Riddick Bowe¹ me faz lembrar da idolatria do coração. Idolatria é simplesmente tudo o que senta na cadeira de Deus; especificamente, é aquilo que você valoriza, serve ou toma como base da sua vida e que não é Deus. Como o quieto e pacífico veado, nossos corações aparentam ser calmos, pacíficos e seguros. Mas, quando os ídolos do nosso coração são feridos, incitados, questionados ou ameaçados, então, na mesma hora, eles atacam.

Eu digo “eles atacam”, mas, na verdade, somos nós que atacamos. Quando estabelecemos ídolos em nossos corações, nós fazemos um investimento neles. Esses investimentos são caros; eles moldam nossos pensamentos e emoções.

Sempre que os objetos de nossa afeição são ameaçados, nós reagimos. Algumas vezes esses ataques são escandalosos e demonstrativos. Assim como um animal furioso em suas patas traseiras, nós arrumamos confusão. Considere um marido cuja mulher recentemente trouxe a ele algo que a está preocupando. Qual é a resposta dele? Bem, antes mesmo de ele verdadeiramente ouvir as preocupações dela e pensar sobre isso, ele começa a apontar falhas em sua esposa. Ele mostra a fraqueza dela que corresponde à dele mesmo. Às vezes, isso é bastante escandaloso e doloroso. Outras vezes, ele poderia simplesmente se recusar a tocar no ponto principal, se fazer de vítima e depois cortar a comunicação. Quer ativamente (gritando) ou passivamente (se distanciando), isso é manipulação – o marido está tentando controlar a situação porque seu ídolo está sendo ameaçado. A ferrugem em seu tesouro é perceptível. Ele está com raiva.

Qual é o ídolo nesse caso? Pode ser o ídolo da aprovação. Ele ama a aprovação dos outros e o simples pensamento de que os outros pensam coisas ruins sobre ele simplesmente o consome por dentro. Pode ser o ídolo do conforto. Conflitos o deixam desconfortável. Ao invés de lidar com eles, ele escolhe ignorá-los e manter (ostensivamente) seu conforto. Pode ser o ídolo do poder. Ele sente que tal crítica à sua habilidade ou liderança é um ataque aberto à sua posição. Ele vai, então, afirmar seu poder tentando controlar a situação.

Todos esses ídolos de origem (o poder, a aprovação e o conforto) usam os atos da carne (manipulação) como ídolos de superfície, fantoches para repelir o que ameaça o ídolo do próprio ego.

Não deveríamos nos surpreender quando os ídolos atacam. Eles estão sempre na mira, porque são fracos e insuficientes. Ídolos não podem satisfazer. Eles não podem suportar a carga da fome e das expectativas humanas. Não importa em que ou em quem você coloca sua confiança, baseia sua vida, ou ganha contentamento, se não é Deus, então é um ídolo.

É por isso que o evangelho é visto como algo muito poderoso.

Por meio do evangelho, aprendemos que nosso poder não é nosso deus. Quando somos fracos, então somos fortes – o poder de Deus em nós é aperfeiçoado em nossa fraqueza (2 Co 12.10). Nós adoramos um Deus que se fez fraco por nós na cruz.

Por meio do evangelho, nós aprendemos que nossa aceitação não é nosso deus. Ao invés disso, nossa aceitação está embasada no trabalho de Cristo. Jesus conquistou por nós a aprovação última de Deus por ter sido rejeitado por Ele. Não precisamos nos humilhar perante os ídolos mundanos por aprovação quando temos o Deus dos céus sorrindo para nós em Cristo (1 Jo 2:2).

Por meio do evangelho, nós aprendemos que nosso conforto não é nosso deus. Ao invés disso, nosso conforto vem do trabalho de Cristo. Nosso conforto está embasado no trabalho de Cristo que se fez sem conforto por nós. Ele sofreu, morreu e foi sepultado por nós. Ele usou a coroa de espinhos para que pudéssemos ser confortados com a coroa de justiça. Ele bebeu o miserável cálice da ira para que nós pudéssemos beber o cálice da graça. Ele suportou a cara fechada de Deus para que pudéssemos receber o sorriso eterno dEle (Mt 27.46, Rm 8.32).

Quando seus ídolos atacarem, saiba porque: eles estão ameaçados. Eles são fracos e insuficientes. Corra para Cristo, vendo e saboreando Sua suficiência.

¹ Boxeador profissional americano.

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Traduzido por Fernanda Vilela | Reforma21.org | Original aqui

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