Quem eu me esforço para perceber? O que Paris deveria nos ensinar

por Amy Medina

Pelo menos 1000 civis foram mortos, 1300 mulheres e meninas estupradas, e 1600 mulheres e meninas sequestradas entre abril e setembro.

Uma esposa grávida é assassinada em casa durante uma invasão.

Uma mulher de 62 anos é assassinada em casa por seu namorado.

147 universitários são assassinados por terroristas.

41 pessoas são assassinadas por terroristas.

129 pessoas são assassinadas por terroristas.

Por que alguns são mais identificáveis que outros? Por que você imediatamente sabe a que pessoa ou lugar eu me refiro no caso de alguns, e não dos outros?

É por causa da mídia tendenciosa?

A área do mundo onde aquilo aconteceu?

Raça?

Porque alguns lugares são apenas perigosos e, assim, nós esperamos que coisas ruins aconteçam, mas outros chamam mais atenção dos noticiários porque são considerados “seguros”?

É porque todos nós podemos identificar Paris no mapa, mas não Líbano, Sudão do Sul ou Quênia? É porque podemos nos imaginar se escondendo de terroristas em uma casa de shows, mas não em um pântano sul-sudanês? É porque nós nos vemos como a esposa assassinada do pastor, mas não a namorada negra em Lancaster, Califórnia?

Provavelmente. E isso não é necessariamente ruim. Nós lamentamos mais profundamente quando a tragédia acontece mais perto de nós. Nós ficamos mais assustados quando podemos imaginar isso acontecendo conosco. O ataque em Garissa, Quênia, me afetou mais que o ataque em Paris, França, porque o Quênia fica do lado de onde vivo. O ataque ao shopping Westgate em Nairobi me assustou mais que o ataque em Beirute, Líbano, porque eu mesma estive naquele shopping. Assim, não seria justo para mim ficar irritada com você por se preocupar mais com Paris que Garissa porque te atinge mais de perto.

Mas… Apesar de todas as acusações (provavelmente) injustas de racismo ou preconceito que estão sendo lançadas por aí, épocas como esta são ótimas para examinar a alma. Não percamos a oportunidade de crescer.

Nós permitimos que somente a mídia nos diga pelo que orar? Nós separamos um tempo para procurar pessoas e lugares que talvez não estejam conseguindo a mesma atenção? Eu me senti constrangida a examinar com mais atenção as histórias esquecidas. Jesus procurou a prostituta, o publicano, a criança. Mesmo um pardal não cai sem que ele perceba. Quem eu me esforço para perceber?

Palavras de apoio e orações fluíram para o pastor americano cuja esposa grávida foi assassinada. Não há problema nisso. Ore por essa família. Mas permita que esse luto te lembre que muitos outros são assinados, sem que ninguém perceba. Alguém foi atrás da família do homem que ontem atirou na namorada e, então, em si mesmo? Será que eles precisam de algum apoio e oração?

Ore por Paris. Mas permita que Paris lembre você de orar pelo Quênia, Líbano, Síria e Sudão do Sul. A tristeza e o terror que sentimos quando assistimos os relatos de Paris deveriam nos trazer mais empatia pelas milhões de pessoas que convivem com a ameaça de terrorismo todo dia.

Talvez um artigo que li explique melhor:

O mundo ocidental está finalmente tendo um gostinho do medo constante que as pessoas de outras nações têm sofrido por gerações. Assim, solidariedade e compaixão pela França é algo bom.

E, enquanto isso, não nos desesperemos, pois servimos ao Deus que tudo vê, e que nos ama o suficiente para não ficar apenas observando à distância.

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Traduzido por Josaías Jr | Reforma21.org | Original aqui

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