Sermos épicos está nos matando

por Stephen Altrogge

Stephen Altrogge
Stephen Altrogge

Nos dias de hoje, tudo é “épico” (insira de um a quinze pontos de exclamação). Cada filme é uma história épica de corações partidos, amor e sobrevivência. Cada livro é o conto mais épico desde a Odisseia de Homero. Cada rivalidade esportiva, não importa o quão vergonhoso ou sem importância (“O Íbis Sport Club encara seu rival épico”) é o jogo épico do século. A final do Campeonato Brasileiro é épica. A Superliga é épica. Essas asinhas de frango que comi na última quinta-feira foram épicas.

Nós, cristãos, somos viciados no épico também. Os livros que vendem e os blogs que se espalham são aqueles que retratam a vida cristã como uma jornada épica de emoção, adrenalina e aventuras malucas, tudo para a glória de Deus. E não me interpretem mal, haverá momentos em nossas vidas em que nós vamos fazer coisas grandes e difíceis para Deus, como ir a uma viagem missionária, adotar uma criança, ou plantar uma igreja. Sou TOTALMENTE a favor dessas coisas. Louvado seja Deus, se você tiver a oportunidade de ser parte de algo grande.

Mas, parafraseando o filme Os Incríveis, se tudo é épico, então nada é épico.

Será que Deus realmente quer que todos nós estejamos constantemente vivendo emoções, aventuras super-épicas? Se assim for, onde isso deixa aqueles de nós que simplesmente leem a Bíblia, vão à igreja, cuidam de nossos filhos e servem aqueles que nos rodeiam? Eu me colocaria nessa categoria. Estou perdendo alguma coisa? Acho que não.

Em 1 Timóteo 2.1-3, Paulo diz:

Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador…

Espere, o quê? Vida tranquila, pacífica, piedosa e digna? Onde está o épico dos épicos? Onde estão as aventuras loucas para Deus? Onde está a emoção? Onde está a radicalidade?

Talvez nós tenhamos entendido essa coisa do épico de maneira errada. Talvez Deus queira que vivamos vidas epicamente tranquilas. E talvez, apenas talvez, viver uma vida tranquila, pacífica, piedosa e digna é verdadeiramente épico.

Eu acho que isso é o que Jesus quis dizer quando disse: “E se alguém der mesmo que seja apenas um copo de água fria a um destes pequeninos, porque ele é meu discípulo, eu lhes asseguro que não perderá a sua recompensa.” (Mateus 10.42) A maior parte da vida cristã é ordinária, pelo menos aos olhos do mundo. Trabalhamos. Cuidamos de nossos filhos. Servimos no nosso bairro. Cuidamos da nova mãe no nosso pequeno grupo. Estendemos a mão aos doentes em nossa igreja. Oramos uns pelos outros. Instruímos nossos filhos no temor do Senhor. Trocamos fraldas. Não há nada de heroico, extraordinário em qualquer uma dessas coisas.

Mas a realidade é que servir ao Senhor de qualquer maneira é verdadeiramente épico.

Quando servimos ao Senhor de alguma forma, grande ou pequena, silenciosa ou barulhenta, em casa ou no exterior, estamos acumulando recompensas no céu. Estamos ajuntando tesouros no céu. E quando chegarmos ao céu, a verdadeira vida épica vai começar. O céu é verdadeiramente épico em todos os sentidos da palavra. Tudo o que fizermos, virmos, falarmos e desfrutarmos no céu será épico.

Se você se sentir desanimado porque sua vida não parece muito épica para o Senhor, talvez você precise redefinir o seu entendimento de “épico”. Todo o serviço a Deus é épico. Servir seus filhos pode ser épico. Limpar o banheiro pode ser épico. Criar uma planilha pode ser épico. Todos os dias da vida cristã são para ser discretamente épicos. Porque está chegando o dia quando a vida realmente vai ser épica em todos os sentidos da palavra. Vamos viver para esse dia.

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Traduzido por Josie Lima | Reforma21.org | Original aqui

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