Soli Deo Gloria

por John Piper

John Piper

Usamos a expressão glória de Deus tantas vezes que ela tende a perder sua força bíblica. Mas essa glória, assim como o sol, não é menos resplandecente – ou menos benéfica – porque as pessoas a ignoram. Ainda assim, Deus odeia ser ignorado. “Considerai, pois, nisto, vós que vos esqueceis de Deus, para que não vos despedace, sem haver quem vos livre” (Salmos 50.22). Então vamos focar novamente na glória de Deus. O que é a glória de Deus, e quão importante ela é?

O que é a Glória de Deus?

A glória de Deus é a santidade de Deus exposta de forma visível. Isto é, o valor infinito de Deus tornado manifesto. Note como Isaías move de “santo” para “glória”: “Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Isaías 6.3). Quando a santidade de Deus enche toda a terra para que as pessoas vejam, ela é chamada de glória.

O significado básico de santo é “separado do comum”. Portanto, a santidade de Deus é a Sua infinita “separação” de tudo aquilo que é comum. É isso que O faz o infinito “único-do-seu-tipo” – como o mais raro e mais perfeito diamante no mundo – com a diferença de que não há outros deuses diamante. A unicidade de Deus como o Deus único – Sua “Deidade” – O faz infinitamente valioso, ou santo.

Falando da glória de Deus, a Bíblia assume que esse infinito valor entrou na criação. Ela brilhou como ela é. A glória de Deus é o esplendor de Sua santidade, o brilho de Seu infinito valor. E quando ela brilha, ela é vista como bela e grandiosa. Ela tem tanto qualidade quanto magnitude infinitas. Então podemos definir a glória de Deus como a beleza e a grandeza de Suas múltiplas perfeições.

Digo “múltiplas perfeições” porque é dito que aspectos específicos do Ser de Deus possuem glória. Por exemplo, lemos sobre “a glória de sua graça” (Ef 1.6) e “a glória de seu poder” (2 Ts 1.9). O próprio Deus é glorioso porque Ele é a perfeita unidade de todas as Suas múltiplas e gloriosas perfeições.

Mas essa definição precisa ser especificada. A Bíblia também fala da glória de Deus antes de ela ser revelada na criação. Por exemplo, Jesus ora: “Glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (João 17.5). Então eu sugeriria uma definição semelhante a essa: A glória de Deus é o esplendor externo da intrínseca beleza e grandeza de Suas múltiplas perfeições.

Estou ciente de que palavras são indicadores pobres aqui. Substituí uma palavra inadequada – glória – por duas palavras inadequadas – beleza e grandeza. Mas Deus se revelou para nós em palavras como “a glória de Deus”. Portanto, elas não são sem sentido.

Devemos constantemente nos lembrar de que estamos falando de uma glória que é, em última instância, acima de qualquer compação com algo na criação. “A glória de Deus” é como designamos a infinita beleza e grandeza de uma Pessoa que existia antes de qualquer coisa. Essa beleza e grandeza existem sem origem, sem comparação, sem analogia, sem ser julgada por qualquer critério externo. A glória de Deus é a definição completa e o padrão absolutamente original de grandeza e beleza. Toda a grandeza e beleza criadas vêm dela e apontam para ela, mas essas coisas não a reproduzem exaustivamente ou adequadamente.

“A glória de Deus” é uma forma de dizer que há uma realidade objetiva e absoluta para a qual toda admiração, temor, veneração, louvor, honra, aclamação e adoração dos homens estão apontando. Fomos criados para encontrar nosso prazer mais profundo em admirar o infinitamente admirável – a glória de Deus. Essa glória não é a projeção psicológica, na realidade, de um desejo humano insatisfeito. Ao contrário, o inconsolável desejo humano é uma evidência de que fomos feitos para a glória de Deus.

Quão Central é a Glória de Deus?

A glória de Deus é o objetivo de todas as coisas (1 Co 10.31, Is 43.6-7). A grande missão da igreja é declarar a glória de Deus entre as nações. “Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas” (Sl 96.1-3, Ez 39.21, Is 66.18-19).

Qual é a Nossa Esperança?

Nossa esperança final é ver a glória de Deus. “Gloriamo-nos na esperança da glória de Deus” (Rm 5.2). Deus irá “vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória” (Jd 24). Ele dará a conhecer “as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão” (Rm 9.23). Jesus, em toda Sua Pessoa e obra, é a encarnação e a revelação final da glória de Deus (Jo 17.24, Hb 1.3).

Além disso, não apenas veremos a glória de Deus, mas também, em certo aspecto, compartilharemos da glória dele. “Portanto, apelo para os presbíteros que há entre vocês, e o faço na qualidade de presbítero como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, como alguém que participará da glória a ser revelada” (1 Pe 5.1). “E aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.30). Esperança que é realmente conhecida e valorizada tem um efeito decisivo em nossos valores, escolhas e ações atuais.

Valorizando a Glória de Deus

Conheça a glória de Deus. Estude a glória de Deus, a glória de Cristo. Estude sua alma. Conheça as glórias que lhe seduzem e por que você valoriza glórias que não são a glória de Deus.

Estude sua alma para saber como fazer as glórias do mundo ruirem como Dagom em míseros pedaços no chão dos templos do mundo (1 Sm 5.4). Anseie por ver e participar da glória de Cristo, a imagem de Deus.

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Traduzido por Alex Daher | Reforma21.org | Original aqui

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