Trabalho que faz diferença

por Tim Challies

Eu já tive um emprego que eu odiava. Dia após dias eu sentava em um escritório sem janelas no subsolo, cercado de computadores quentes e barulhentos. Dia após dia nada acontecia. Eu não tinha grandes projetos para me inspirar, nenhum grande objetivo para trabalhar por, nenhuma missão a cumprir. Era uma existência apagada e entediante lá embaixo, esperando que algo empolgante acontecesse. Mas nada nunca acontecia, pelo menos até o dia em que me demitiram. Eu odiava aquele trabalho. Eu odiava ir para aquele escritório. O eventual olho da rua, apesar de intimidador e humilhante, foi também uma espécie de alívio, por pelo menos ser uma promessa de um fim àqueles dias.

Tenho pensado muitas vezes naquele emprego conforme os anos foram passando. Às vezes é no contexto de períodos em que o emprego que eu tenho agora, e que eu amo, parece chato e insignificante, quando o pastoreio envolve mais papelada do que pessoas. Às vezes é conversando com Aileen, minha esposa, que frequentemente luta contra a natureza monótona do trabalho que ela faz ao cuidar da casa e da família. Às vezes é quando converso com pessoas que sentem que suas habilidades excedem às oportunidades ou que acreditam que o treinamento que tiveram deveria os levar além das tarefas que consumem todas suas horas de trabalho.

Então penso naquele emprego de administração de redes, na murmuração e no desencorajamento, e ao refletir nessa nostalgia, sinto minha parcela de culpa nisso tudo. O que eu vejo mais do que qualquer outra coisa, e o que me preocupa mais do que qualquer outra coisa, é minha completa falta de alegria naquilo que estava fazendo. Eu acredito piamente que aquele emprego era o meu chamado, minha vocação, naquele período da minha vida, e mesmo assim eu o fazia sem qualquer paixão, sem qualquer motivação. Eu trabalhava sem qualquer alegria. Eu falhei em meu chamado naquela época e naquele lugar. Eu mereci ser mandado embora!

Mas o emprego não era o problema. Eu era o problema, porque me recusava a atribuir qualquer significância ao trabalho que estava fazendo. O trabalho era chato, ordinário, tedioso e inexpressivo porque eu permiti que assim fosse. Eu não estava pensando de forma cristã sobre aquele emprego ou sobre o trabalho que eu deveria desempenhar lá. Minha falta de alegria em realizar minhas tarefas era um resultado direto da falta de significância que eu atribuí a elas.

E isso é o que eu deveria ter enxergado e ainda preciso sempre relembrar: o trabalho não é significativo apenas quando eu uso toda a minha capacidade. O trabalho não é significativo apenas quando oferece desafios inesperados ou oportunidades especiais. O trabalho não é significativo apenas quando é mensurável em reais e centavos ou em reconhecimento e elogios. O trabalho tem um significado intrínseco porque me dá a oportunidade de fazer algo com alegria – com alegria no Senhor. Eu posso realizar meu trabalho de forma que glorifica a Deus ou de forma que o desonra. Qualquer coisa que eu possa fazer para a glória de Deus tem significado. Tem muito significado!

Como eu faço meu trabalho para a glória de Deus? Eu aceito a tarefa, não importa o quão comum ou insignificante possa parecer. Eu faço quando sou mandado fazer, faço até o fim e faço com alegria. Quando eu faço assim, estou glorificando a Deus.

Eu penso em Jesus, o carpinteiro. O Filho de Deus criou a humanidade, criou a terra, criou o cosmos e, na maior parte de sua vida na terra, criou móveis para o lar. Mas eu não acho que ele murmurava por conta disso. Eu penso que ele o fazia para a glória de Deus.

Eu penso em Paulo, o grande intelectual, o acadêmico brilhante, o pastor e plantador de igrejas, que estava contente em costurar tendas. Eu não creio que ele murmurava sobre isso também. Ele o fazia para a glória de Deus.

Eu penso nesse mesmo apóstolo escrevendo para os escravos em Colosso e dizendo a eles que “tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo”. Por definição, essas pessoas não eram pagas e eram desrespeitadas, mas ainda assim Paulo podia dizer a eles que seus trabalhos eram cheios de significado porque davam a eles a oportunidade de servir e glorificar a Deus.

Todo dia e todo momento eu tenho uma escolha diante de mim: vou realizar meu trabalho de forma que glorifica a Deus? Ou vou fazer meu trabalho de forma que o desonra e desagrada? Perante essas questões, eu sei que meu trabalho é importante. Não importa qual seja meu trabalho, ele é importante. E é importante porque meu trabalho é um meio de glorificar meu Deus. “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”.

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Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui

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