Três maneiras de negar a ressurreição (sem ser um liberal)

por Erik Raymond

A maioria dos leitores deste site iria se encolher com qualquer sugestão de que eles possam ter crenças teológicas liberais. Mas e quanto a uma aplicação teológica liberal? Todos nós sabemos que a nossa verdadeira teologia é o que é aplicado. Como vivemos no decorrer do tempo comunica aquilo em que realmente acreditamos. Portanto, como você provavelmente não negaria a ressurreição em um exame teológico, assegure-se de não negá-la no laboratório.
Neste breve artigo, quero fornecer três maneiras pelas quais você pode inconscientemente negar a ressurreição pela maneira como vive. Eu vou chegar a elas por meio de pergunta. O objetivo não é fazer com que você se sinta mal, mas sim fornecer um diagnóstico para ajudá-lo a avaliar sua vida e a fazer os ajustes adequados.

Você tem um foco desproporcional neste mundo?
A ressurreição de Cristo não inaugura somente sua exaltação, mas também a nova criação. Nós entendemos, nas Escrituras, que o último Adão está refazendo o que o primeiro quebrou (Rom. 5. 12-14, 18-19; 1 Cor. 15. 42-49).Essa visão nos ajuda a aguçar nosso foco.O mundo material não deve ser rejeitado, mas também não deve ser adorado. A nova criação invadiu este mundo por meio do evangelho. De fato, somos refeitos para fazermos parte dessa nova criação (2 Coríntios 5.17). É por isso que os escritores do Novo Testamento erguem nossas cabeças acima do horizonte terreno para entender, pela perspectiva da nova criação, como buscar as coisas dessa nova ordem, ao invés das antigas. Podemos ler em Colossenses 3:

Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória. (Col. 3. 1–4)

Isso é simples. Devemos colocar nossos corações (o que amamos) e nossas mentes (o que pensamos) nas coisas do alto – não nas coisas de baixo. Gramaticalmente, essa é uma busca contínua, em vez de algo algo pontual. O curso contínuo de nossas vidas deve ser calibrado pela nova criação.
A que Paulo liga essa verdade? À ressurreição. Observe: “Se (ou talvez melhor, desde que) você foi ressuscitado com Cristo…” Essa verdade de buscar as coisas de cima gira em torno da ressurreição de Cristo.
Dessa maneira, se a sua vida não é caracterizada por buscar as coisas do alto, então você não está vivendo a ressurreição em sua essência.
Sobre o que você pensa? O que vem à mente quando sua consciência se torna neutra? O que você ama? O que você faz? Como você gasta seu tempo? A ressurreição tem implicações para todas essas perguntas.

Você cede ao pecado?
Você não pode ser neutro com o pecado. Não há tratado de paz com o pecado, apenas guerra.
Fluindo desta verdade dos versos 1-4, Paulo utiliza o facão espiritual para cortar as ervas daninhas remanescentes do pecado. Nos versos 5 e seguintes, ele nos diz: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena…” Esse é um chamado para ativamente mortificarmos o pecado. Como John Owen escreveu: “Mate o pecado ou o pecado matará você”. Um reflexo da ressurreição é a mortificação do pecado (Rm 8.13).
Nós lemos isso também em Romanos 6. Paulo identifica a santidade como uma das implicações de nossa união com Cristo. Andaremos de uma nova maneira (Rom. 6.4). Fomos libertados do pecado (Rm 6.7) porque morremos para o pecado (Romanos 6.11). Porque Cristo triunfou sobre a morte na ressurreição, nós não temos que ceder ao pecado (Rom. 6: 12-14). Nós, que antes éramos escravos do pecado, fomos libertados e somos escravos da justiça (Rom. 6:18).
Assim, se a sua vida é caracterizada por ceder ao pecado ao invés de matá-lo, então você não vive uma das implicações essenciais da ressurreição.
Sua vida é marcada pela mortificação ou pacificação do pecado? Pela graça de Deus você está crescendo em santidade ou regredindo? Sua família e amigos lhe diriam que você está se tornando mais parecido com o último Adão e menos com o primeiro?

Você é um membro da igreja comprometido?
Você pensa sobre a membresia da igreja quando pensa na ressurreição? Deveria. Embora haja, de fato, um elemento pessoal para a ressurreição, há também um corporativo. Em Efésios, lemos sobre a ressurreição, ascensão de Cristo e o seu assentar-se à direita do Pai (Ef.1.20-21). Nós amamos essa gloriosa verdade teológica. Mas não pare por aí! Quando continuamos lendo, vemos que esse Rei exaltado, o cabeça sobre todas as coisas, é também o cabeça da igreja! Ele é o Senhor e doador de vida para o corpo de Cristo.
Isso deve moldar como lemos Efésios daqui para frente. Em Efésios 4, lemos que devemos viver de tal maneira que adornemos o evangelho ao invés de abafá-lo (Ef. 4.1-3). Nossas vidas devem ser caracterizadas por uma união que não pareça mundana, mas de outro mundo. Devemos ser humildes, gentis, pacientes, tolerantes e perdoadores uns com os outros. Esta vida corporal comunica a realidade do nosso Senhor ressurreto sobre nós. Como vivemos uns com os outros declara a ressurreição.
Mas isso não é tudo. Quando prosseguimos por Efésios 4, aprendemos que Deus tem um plano para o nosso crescimento espiritual. A que isso está conectado? Isso mesmo, à ressurreição e à ascensão de Cristo (Ef. 4.8). Ele deu dons à igreja para equipar e treinar seus membros a servirem no ministério (Ef. 4.11-12). E qual é o resultado desse treinamento? A igreja cresce em maturidade cristã. Quando os irmãos falam a Palavra de Deus uns aos outros, nós crescemos em amor (Ef. 4.15-16). Não podemos fazer isso como individualmente. É impossível metaforicamente (uma mão não pode ser separada da cabeça) e é impossível na prática – não podemos crescer sozinhos.
Embora possa não ser imediatamente óbvio, uma vida de cristianismo desconectada de outros irmãos e irmãs na membresia de uma igreja local fala muito sobre o que sabemos e acreditamos sobre a ressurreição. Paulo tem essas coisas diretamente conectadas.
Você é membro de uma igreja local? Você participa da vida da congregação?
Tão valioso quanto estudar teologia sistemática é considerar suas implicações na vida da igreja. O que a Bíblia diz sobre a ressurreição e como isso deve afetar minha vida? Precisamos fazer mais do que simplesmente acreditar, precisamos viver as implicações em nossas vidas. Felizmente, o Cristo ressuscitado dá graça suficiente para permitir que isso aconteça.

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Traduzido por Victor Bimbato | Reforma21.org | Original aqui

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