Três perigos de ser muito ocupado (2)

por Kevin DeYoung

Kevin DeYoung
Kevin DeYoung

O segundo perigo é que ser ocupado pode roubar nossos corações. O semeador jogou a sua semente abundantemente. Algumas caíram no caminho e os pássaros as devoraram. Algumas caíram nas rochas e logo nasceram, somente para secar com o primeiro calor. E algumas caíram entre os espinhos que sufocaram a sua frágil vida. Há uma progressão definida na parábola de Jesus (Marcos 4.1-20). Em alguns corações, a palavra de Deus nada faz. Satanás arrebata o que foi semeado. Em outros corações, a palavra cresce primeiramente e depois desaparece rápido. Perseguições e provações põem o potencial cristão fora de serviço. Porém, na terceira categoria de solo mal sucedido, a palavra vai um pouco mais fundo. A planta cresce, quase ao ponto de produzir fruto. Parece muito um bom solo. A nova vida parece criar raízes. Tudo está no caminho para a colheita. Até que os espinhos chegam.

João Calvino diz que a carne humana é “uma densa floresta de espinhos”. Jesus destaca dois em particular. O primeiro ele rotula como “os cuidados do mundo” (Marcos 4.19). Você sabe por que retiros, viagens missionárias, acampamentos de verão, e conferências cristãs são quase sempre bons para o seu crescimento espiritual? Porque você tem que desmarcar a sua programação para realizá-los. Você some. Você deixa de lado a sua insanidade normal por um final de semana e encontra espaço para pensar, orar, e adorar.

Para a maioria de nós, não é uma heresia ou apostasia grave que vai inviabilizar a nossa profissão de fé. São todas preocupações da vida. Você tem que consertar o carro. Depois o seu chuveiro elétrico para de funcionar. As crianças precisam ir ao médico. Você ainda não fez a declaração de renda. O orçamento não está equilibrado. Você está atrasado nas notas de agradecimento. Você prometeu a sua mulher que iria ver e consertar a torneira. Você está atrasado no planejamento do casamento. Seus cartões estão chegando. Você tem mais aplicações para enviar. Sua dissertação é aguardada. Sua geladeira está vazia. O seu gramado é muito grande. Suas cortinas não parecem certas. Sua máquina de lavar continua tremendo. Esta é a vida para a maioria de nós e está dificultando nossa vida espiritual.

O segundo espinho está relacionado com o primeiro. Jesus disse que o trabalho da palavra é devorado pelo desejo por outras coisas. Não é que os bens em si são os culpados. O problema está em tudo o que fazemos para tomar conta deles e com tudo o que fazemos para ter mais deles. É de se admirar que as pessoas mais estressadas no planeta vivem nos países mais ricos? Casa de campo, barcos, campistas, timeshares (N.T.:  propriedades que se encontram sobre a posse combinada de um números de pessoas onde cada uma delas recebe um período determinado para usufruir delas ), investimentos, imóveis, motos de neve, carros novos, casas novas, computadores novos, iCoisas – tudo isso toma tempo. Ouvimos incontáveis sermões nos advertindo sobre o perigo do dinheiro. Porém, o perigo real vem depois que você gastou o dinheiro. Uma vez que você possui algo, é necessário mantê-lo limpo, mantê-lo funcionando, e mantê-lo com as últimas atualizações. Se as preocupações da vida não nos soterrar, a manutenção vai.

Jesus sabe o que fala. Por mais que devamos orar contra o mau e orar pela igreja perseguida, no pensamento de Jesus a maior ameaça para o evangelho é pura fraqueza. Estar ocupado mata mais cristãos do que balas. Quantos sermões são despojados do seu poder pelos preparativos luxuosos de jantar e futebol profissional? Quantos momentos de dor são desperdiçados porque nunca ficamos quietos o suficiente para aprender com eles? Quantas vezes a adoração familiar e privada foi pressionada pelo futebol e projetos da escola? Precisamos proteger nossos corações. A semente da palavra de Deus não vai crescer em fertilidade sem a poda para descansar, sossegar e acalmar.

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Traduzido por Pedro Vilela | Reforma21.org | Original aqui

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