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Comunicação trivial ou perene?

Elizabeth e Wadislau Gomes - Foto de Tercio Garofalo

Elizabeth e Wadislau Gomes – Foto de Tercio Garofalo

Depois de ler um livro impactante que me faz pensar dez vezes antes de emitir um parecer, e lembrando as inúmeras vezes em que “morri pela boca” ao dizer a coisa errada em hora imprópria a pessoas amadas, estive navegando no facebook e observando as diferenças no que as pessoas postam. Algumas usam o “face” para emitir suas idéias políticas ou censurar a banalização que ocorre em plano geral. Outras o aproveitam como oportunidade para contar suas novidades na cozinha e mesa ou dicas de moda e design. Alguns pastores e estudiosos escrevem para convencer os outros que suas idéias são as melhores, as únicas bíblicas, academicamente sensatas ou teologicamente corretas. Mães e avós recentes compartilham asfofuras de seus rebentos, e pais orgulhosos os prêmios atléticos ou acadêmicos de seus filhos. Algumas pessoas colecionam dizeres e fotos “bonitinhos”, “agradáveis”, angariando pontos para as fãs clicarem o “curtir”.

Confesso que “entrei” no facebook para encontrar amigos(as) e compartilhar idéias, visando especialmente oportunidade de tornar conhecidos nosso ministério e nossos livros. Descobri que essa comunicação é efetiva, rápida, de longo alcance – e super-superficial! Amigos, achei muitos, até quem antes não tinha grande amizade, e algumas grandes amigas de há muito perdidas.

Confesso que dou o “curtir” até mesmo doce apetitoso ou sugestão de sapato confortável e que não custe uma fortuna, ou dicas de onde arrumar livros gratuitos ou passagens mais econômicas. “Curto” todas as fotos de bebês e crianças de amigos, filhos, sobrinhos ou netos, e geralmente “curto” fotos de bichinhos de estimação – embora eu mesma não queira mais tê-los em casa. Descubro mudanças de profissão em algumas amigas: de médica para empresária, de enfermeira para fotógrafa; de aeromoça para psicóloga de agente de viagens para missionária; de dentista para advogada; e um ex-pastor agora é dono de pousada.

Porém, se quero que minha comunicação virtual tenha repercussão eterna, tenho de me concentrar no foco e olhar para Jesus (Hb 12.2). Parodiando o título de um livro genial publicado por um amigo (O que Jesus beberia?) – o que Jesus diria nas redes sociais? Com certeza ele não descartaria as comunicações que as pessoas fazem sobre o que comem ou bebem (ele mesmo foi criticado por comer e beber com os pecadores), mas estaria mais atento ao que está por trás das comunicações escritas, mesmo as que usam emoticons, acrônimos ou siglas, como hehehe, kkkk, LOL e J, e as múltiplas citações heréticas de secularistas ateus ou panteístas, “evangelistas” aloprados como Osteen e Benny Hinn, e “feel good psychologies” centradas em “amar a mim mesmo” e “eu sou mais eu” em vez de “careço de Jesus”.

Às vezes minha própria tendência é de criticar os que pensam diferente de mim, e me calo quanto às suas confusões – quando na verdade, meu coração deveria chorar com os que choram, e ser instrumento da paz de Cristo. Jesus olhava a multidão confusa, com carências e querências maldirigidas, e via-a com compaixão, porque eram como “ovelhas sem pastor” (Mc 6.34).

Alguns amigos se enveredaram por caminhos que levam de mal a pior, escolhendo relacionamentos tortos ou filosofias torpes – mas ainda assim, são amados pelo Criador, e eu devo usar os meios de comunicação para alcançar seus corações com a Boa Nova do perdão de um Salvador perfeito. Algumas amigas voltaram a doutrinas que aprisionam aqueles que já foram libertados por Jesus. Eu não fui chamada para criticá-las, mas para amá-las a ponto de elas voltarem ao primeiro amor, como diz o antigo corinho baseado em Ap 2.4. Muitos amigos e amigas que vendiam saúde e primavam por atletismo estão doentes: câncer, coração, até HIV acometem servos do Senhor! À medida que vamos envelhecendo, vamos pensando mais na efemeridade da vida que achávamos perene, e precisamos focar a vida eterna, que Jesus definiu assim: “Que te conheçam a ti, o único Deus Verdadeiro, e a Jesus  Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).

Percebi que o facebook não substitui outros meios de propaganda para meus serviços (como tradutora) ou divulgação dos livros que Lau e eu escrevemos (vaidade ou ministério?). As pessoas geralmente abrem apenas os comentários que têm seus próprios nomes como chamariz – afinal, todos nós somos incorrigíveis narcisistas. Aquilo que falam de nós – bem ou mal – é o que nos toca e nos move a agir, ou protestar, ou contemplar no espelho. E nisso não somos em nada como João Batista, que disse “Convém que ele cresça e eu diminua” (Jo 3.30).

A meta missionária de alcançar mulheres como eu com o amor de Jesus não pode ser de “torta no céu e tolices na terra” – por esta razão, preciso trazer o foco da comunicação ao trono de Cristo, e reconhecer que é só dele todo trabalho, todo mérito, e toda glória. Como é fácil ser “furtadora da glória” e com a cara mais lavada, procurar refletir a mim mesma em vez de resplandecer a glória de Cristo! Preciso que minhas irmãs e meus irmãos enviem “feedback” mais sério do que apenas “curtição”. Tem de comentar: “Está certa, irmã, e eu também luto com isso” e “Minha irmãzinha, pense biblica, e não bethmente sobre isso, e se arrependa!” Preciso constantemente derrubar os ídolos do próprio coração, em vez de apontar para as idolatrias tolas de outros irmãos. Acima de tudo, em vez de concentrar em meu facebook, tenho de reconhecer e assumir para mim: “Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo”(2Co 4.6).

Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.


[The Gospel Coalition] Dia #1

Rafael Bello

Rafael Bello

Fala galera! Para quem não sabe, na semana passada, aconteceu a conferência The Gospel Coalition, uma das maiores conferências dos EUA, com a presença de pastores e mestres como John Piper, D.A.Carson e David Platt. Para aqueles que sempre quiseram conhecer esse grande evento, na semana passada e nesta semana postaremos alguns resumos de nosso correspondente especial,Rafael Bello.

Os posts normais continuaram, enquanto a cobertura ficará com [The Gospel Coalition] no nome, narrando o que aconteceu por lá.

Aí vão os resumos do primeiro dia.

Sessão Expositiva #1 – John Piper – Lucas 1.26-38; 2.1-21

Antes da passagem, precisamos entender a razão pela qual Lucas está escrevendo esta passagem. Ele quer que Teófilo tenha certeza (ἀσφάλειαν) das coisas que ele foi ensinados.

Teófilo, assim como nós foi ensinado sobre várias coisas. Mas Lucas quer que tenhamos certeza das coisas concernentes a Jesus Cristo. Esta palavra: “certeza,” quer dizer estar a salvo de outras doutrinas ruins. A verdade deve sempre estar firme e segura em nossas mentes.

Lucas sabia qual o tipo de conhecimento que sustêm a fé Cristã. Ele havia visto as costas de Paulo. Ele era o médico de Paulo e viu tudo que Paulo passou pelo supremo conhecimento de Cristo (Fp 3.8).

Como então ter certeza das coisas de Jesus e andar como este Paulo?

A primeira forma que Lucas faz é comprar João Batista e Jesus Cristo.

Mas o esboço desta passagem nos mostra que Lucas usa 4 pontos implícitos para colocar esta certeza em Teófilo:

292251_10151304292257723_892117390_n1. Deus

Durante todo o Livro, Deus é louvado. “Seu filho será grande perante o SENHOR.”

“Minha alma magnifica o SENHOR,” Você irá perante o SENHOR,” “Jesus é apresentado perante o SENHOR.”

O SENHOR está no livro inteiro e várias vezes nestes capítulos. Teófilo não teria como perder isto.

Você quer começar a ter certeza das coisas concernentes ao evangelho, saiba que começa com Deus, o SENHOR.

2. Jesus

Teófilo perceberia que em 1.33 que Jesus reinaria para sempre sobre a casa de Jacó. Este Jesus não teria de ser nascido de novo. Ele já nasceu de acordo com o Espírito. Ao contrário de nós que somos nascidos na carne e nascemos novamente, Jesus não teve de nascer novamente e reinaria para sempre.

Mais a frente em Lucas 1.43 temos algo impressionante. “O SENHOR” foi mencionado até então e outras vezes mais para se referir a Deus Pai. Entretanto, aqui vemos o uso do termo para o filho de Maria. Também se cumpre essa realidade quando em 2.11 Jesus é chamado de Cristo, o SENHOR!

Tenha esta certeza (ἀσφάλειαν), Teófilo, este Jesus é o SENHOR.

3. Salvação

Teófilo deve saber que este Jesus irá salvar o seu povo.

Novamente em 2.11, o Jesus, SENHOR é também o Salvador. O tão “grande e excelente” Teófilo de Lucas 1.4 precisa entender que ele é pecador.

Teófilo se perguntaria, como este Jesus perdoaria estes pecados. Ele olharia para Jeremias 31.33 e não entenderia. Porém, ao ler o evangelho todo, ele entenderia que é através do sangue de Jesus, o sangue da nova aliança de Jeremias 31. Jesus explicou essa nova aliança na santa ceia.

Como então entrar nesta nova aliança? É o quarto ponto de Lucas.

4. Fé

Tudo que te expliquei, Teófilo, é verdade histórica. Não é mito. Mas precisa-se entender como responder a esta verdade histórica.

Não é acidental que a resposta de Maria e de Zacarias estão perto um das outras. Um responde com alegria ao anuncio da realidade de um Salvador e o outro não se alegra. Teófilo veria a resposta de Maria e de Zacarias e começaria a entender como responder às verdades históricas.

A alegria de Maria é a fé dela: Em Lucas ela é abençoada pois creu. “Bendita és tu, porque crestes.”

Se Teófilo quer saber como entrar, ele deve ter a fé de Maria. Sim, Teófilo é “grande e excelente,” mas o v. 53 fala que são os humildes que são os benditos. Os que se humilham e tem a fé de Maria.

Há esperança “excelente Teófilo,” mas você deve se humilhar debaixo da poderosa mão de Deus. Não confie na sua excelência.

 Collin Smith – Sessão #2- Lucas 4.16-30

4 marcas do ministério de Jesus

1. Jesus pregava as Escrituras

Promessas do passados e expectativas são presentes para o nosso presente nas mãos de Jesus. Jesus estava falando às pessoas: Proclamando boas novas.

O Deus que prometeu à vocês boas novas cumpre suas promessas principalmente em Jesus.

Segundo J.I. Packer: “O propósito da pregação é mediar encontro com Deus.” Era exatamente assim que Jesus pregava.

2. Jesus fala diretamente à condição humana

Àqueles que se alegram na sua liberdade ele fala que Ele é a liberdade

Àqueles que se alegram em sua visão, ele fala diretamente à sua cegueira

3. Jesus prega sobre si mesmo

“O Espírito do Senhor está sobre Mim.” “Está profecia está cumprida em Mim.” “Os olhos de todos estavam fixos nEle.”

4. Jesus proclamava graça

4.1  Jesus veio para proclamar o ano do favor do Senhor. O ano do favor do Senhor era segundo a lei o regulamento de que a cada 7 anos todas as dívidas eram perdoadas (Dt 15). Existia também em Levítico 25, o regulamento de que após certo tempo a terra que foi comprada retornaria aos donos no ano ano do jubileu.A pergunta é, como nós gostaríamos de viver nesta lei. Depende se estamos comprando ou vendendo. Esta lei seria muito boa para aqueles que devem algo a alguém, mas não tão boa para os credores.

Só pela fé alguém da comunidade aceitaria essas leis. Os devedores estariam aguardando o ano do favor de Deus. Mas somos todos devedores de Deus em sua justiça. Nós caímos do padrão de justiça que Deus exige. Porém em Cristo, temos o ano do favor de Deus cumprido. Ele cancela a dívida (Col 2).

4.2  E todos se maravilharam das graciosas palavras que saíam da boca de Jesus (4.22).

Precisamos ver se nossa pregação leva à graça de Deus. Será que as pessoas estão saído do culto maravilhadas com a graça do Senhor Jesus.

4.3  No verso 28, muitos ficam cheios de ira. A proclamação da graça gera indignação dos inimigos da graça do Senhor. Por que houve esta mudança de atitude? O que causou esta indignação?

A graça que os havia impressionado foi a mesma graça que os deixou irados. Por que? Pois a graça diz que Deus é devedor de ninguém. A graça proclama que Deus não está obrigado a fazer nada a ninguém.

Não há direitos no mundo da graça. Deus não está preso a ninguém. E Jesus relembra este povo dessa verdade contando que havia muitas viúvas e leprosos em Israel no tempo de Elias e Eliseu, mas Deus mandou-os para fora. Deus faz o que quer à quem quer.

Conclusão: Graça vai fazê-lo irado, ou irá te conduzir ao louvor.

Sessão #3 – Crawford Loritts – Lucas 8.26-56

O que fazemos quando estamos desesperados?

Partes comuns dessas histórias:

O endemoniado, a mulher e a filha de Jairo não tinha controle sobre suas histórias. Todos os três encontram Jesus. Apesar das ansiedades e dificuldades – o desespero os leva a Jesus.

As histórias nos mostram que Jesus é Senhor sobre os demônios, doenças e morte.

As histórias declaram a glória de Deus. 100% das pessoas que Jesus curou morreram. A questão não é vida perpétua, mas a declaração dos propósitos soberanos de Deus.

Essas histórias são sombras da cruz. A mulher que toca a Jesus nos ensinam da nossa purificação, os demônios são derrotados e nós ressuscitamos com ele.

 4 Lições a partir de Lucas 8:26-56

 1. Nossa fé só crescerá em proporção com o nosso desesperos.

Fé nunca é teórica. Não existe fé sem oposição. O que cria a fé é o ambiente de desespero.

 2. Sofrimento e inadequação são nossos amigos.

Quebrantamento não é fraqueza, mas é um senso permanente da necessidade de Deus. Nosso maior amigo é entendimento que estamos sempre necessitados. Nosso amigo é o senso que não podemos fazer nada.

3. Jesus quer colocar vida nas minhas circunstâncias de morte.

4.Não existe pessoa ou circunstância que está além do alcance do nosso Salvador.

Sessão #4 – Don Carson  - Lucas 9.18-62

149201_10151304291657723_1337645293_nLições de como ler Lucas à luz da cruz.

A partir de Lucas 9.51 Jesus colocou em seu coração o propósito de ir para Jerusalém. Tudo que acontece então é o caminho de Jesus à cruz. Pois Ele vai para Jerusalém pra morrer. Precisamos entender que mais da metade do livro de Lucas acontece na sobra da cruz.

Em seu tempo Jesus não é entendido como o Messias, mas o leitor de hoje vê algo que os contemporâneos de Cristo não viram..

1. Jesus é o Messias de Deus, mas Ele morrerá e ressuscitará.

A confissão de Pedro é que Jesus é o Rei, o ungido. O que Pedro queria dizer, entretanto, é diferente do que nós queremos dizer. Nós sabemos que o Messias sofreu. Pedro não sabia. Pedro tinha diferentes categorias para o Messias.

Jesus entretanto corrige os discípulos ao falar da entrega do Messias (vv. 21-22). Mas os discípulos não entenderam.

Jesus diz ainda que a cruz não é só caminho dele, mas dos discípulos também.

 2. Jesus está em linha com os profetas do AT, mas ele os supera

O monte da transfiguração é uma conversa sobre o que acontecerá em Jerusalém. Pedro está tão impressionado com a grandeza que ele perde o contexto do acontecimento. Ele pensa que é uma soma de grandeza, mas o que está acontecendo é a exaltação de cristo pelo Antigo Testamento.

3. Jesus tem poder sobre o doente e demônios, mas ele está prestes a partir

Se lermos os vv.37-43, pulando o verso 41, nós perderemos o ponto de Lucas. Jesus está cansado dos pecados dos discípluos e quer ir para a casa com o Pai. Mas Jesus sabe que o caminho é pela cruz em Jerusalém. E é para lá que Ele vai.

4. Jesus anuncia a traição, mas ainda fica a lição de que pessoas egoístas não podem seguí-lo

Verso 46 revela o motivo pelo qual os discípulos não podem seguí-lo. Eles ainda pensam em termos de grandeza.

Até em termos religiosos. Eles não querem competição. E falam dos que expulsam demonios, mas não são deles.

5. Jesus está indo para Jerusalém para ser morto, mas proíbe a morte dos samaritanos

De uma maneira, Jesus deveria chamar fogo do céu para os samaritanos, mas assim como ele estava a luz da cruz, nós também merecíamos fogo do céu. Mas Jesus recebeu o “fogo do céu.” na cruz. Jesus poupa os samaritanos, assim como ele nos poupou.

Tudo que acontece a partir de então está a luz da crucificação: 9.51-em seguida.

Então o que acontece quando Jesus chama o novo discípulo, não é a questão de negar a Jesus, o Rei, mas a cruz do Messias.

A alegria então não é no ministério, mas que nossos nomes estão escritos no céu (Lucas 10.:17-20).

Conclusão:

  1. Os ensinos de Jesus tem de ser entendidos à luz da cruz (assim como o bom samaritano a luz da cruz, é o próprio Jesus). Se entendemos os ensinamentos de Jesus a parte da cruz nós acabamos com moralismo.
  2.  Não podemos ler o evangelho de Jesus com a resolução de Jesus de ir para Jerusalém. Esta resolução nos conta que ver o Jesus de verdade é ver a cruz e a ressurreição.

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Pregadores e seus críticos

Brian G. Hedges

Pastor, você irá construir uma grande igreja, se aprender a se comunicar.

Ouvir esse sermão foi como beber água de um hidrante.

Estou tão desapontado! Eu queria que você desse a Deus toda a glória, mas você não conseguiu!

Sua pregação foi tão intelectual.

Sua pregação foi muito prática.

Você não falou o suficiente sobre justiça social.

Você falou demais sobre justiça social.

Sua pregação é só sobre condenação.

Sua pregação não foi profunda o suficiente. Dê-nos carne, não leite.

Eu já ouvi todas essas declarações, ou pelo menos recebi estes sentimentos, sobre minhas pregações. Alguns tem caído no sono durante ela. Uma mulher sacudiu a cabeça em desacordo com o que eu ensinei sobre eleição, enquanto outros argumentaram comigo enquanto eu ainda estava no púlpito. Já houve pessoas me esperando na esquina depois da igreja para discutir teologia. Alguns comentários de terceiros me informando sobre membros da igreja que não estavam aproveitando nada com minhas mensagens. Um cara me disse que se sentia como se estivesse sentado na escola (eu suponho que seja pela mensagem ter muitos pontos). Outros têm gentil e graciosamente me encontrado face a face para confessar que não têm sido alimentados.

Algumas dessas críticas me surpreendem. Algumas parecem injustas. Algumas machucam. Algumas são bem merecidas, especialmente o comentário do hidrante. Ocasionalmente algumas são descartadas, mas na verdade muitas delas colam. Todo pregador experiente poderia acrescentar algo à essa lista. Críticas pessoais são um dos perigos do trabalho do ministério cristão.

Isto também é um grande benefício. Pregadores precisam apreciar feedbacks. E precisamos deles mais do que apenas elogios (embora sejamos gratos por eles também). Não existem pregadores perfeitos. Todos nós precisamos de diálogos francos com ouvintes, tanto sobre nosso conteúdo quanto a nossa entrega. Então, não leia esse artigo como uma reclamação de uma pastor assediado e chorão que não aguenta mais. Eu não quero pessoas na minha congregação parando de me dar feedbacks críticos com medo de machucar meu ego.

Mas, tanto pregadores quanto ouvintes, tanto os que são criticados quanto os que criticam, pode haver um diálogo mais eficiente. Então, aqui estão algumas sugestões para ambos.

PARA OUVINTES

1. A crítica mais construtiva é dada em um contexto de amor fraternal mútuo. Em geral, essa verdade não é apenas para pregadores. Todos nós somos mais amigáveis a receber críticas quando elas vêm de alguém que nos ama e tem em mente o melhor para nós.

2. Certifique-se de que seus motivos estão corretos. Eu observo em algumas críticas um apetite doentio para um debate. Outros travam por pontos pequenos ou ilustrações. Partículas de homilética se tornam montanhas teológicas, e eu me pergunto se a pessoa sequer ouviu o resto do sermão. As melhores críticas vêm de pessoas que tem um desejo sincero de ver pessoas sendo ajudadas e Deus glorificado através de um claro ensino das Escrituras.

3. Preste atenção no timing. Aqui vão alguns casos que são usados fora de hora:

Domingo a tarde ou Segunda-Feira. Seu pastor já está exausto do final de semana. Dê a ele 48 horas de descanso antes de mandar aquele email

Domingo de manhã antes de pregar. Não confronte ele com questões sobre a pregação da semana passada antes dele subir no púlpito. Na verdade, tente não questioná-lo sobre nada. Deixe ele focar na tarefa que ele tem nas mãos.

Enquanto ele está de férias. Guarde isso pra quando ele voltar a trabalhar.

Considere, na verdade, não usar o e-mail para essas coisas. Em vez disto, agende um telefonema amigável no meio da semana ou uma saída para lanchar. Sim, isso significa conversar face a face (ou pelo menos, voz a voz). E isso também te dá tempo para pensar cuidadosamente sobre o que e como dizer e ainda oferece um local agradável para seu pastor vir com uma mente fresca para dar toda a atenção para suas preocupações.

4. Critique as coisas certas. Seu pastor não precisa que você sinalize cada falta insignificante no púlpito. O amor cobre uma multidão de pecados, incluindo imperfeições e falhas no sermão. Se você está cansado de ilustrações esportivas, ou achou que o sermão dessa semana foi um pouco maçante, deixe isso para lá. Guarde suas críticas para coisas que realmente têm importância: mau uso das Escrituras, mensagem confusa, uso de palavras e tons desnecessários ou ofensivos ou tendências de escapar da centralidade do evangelho. Sendo mais específico: se o pregador usa textos fora do contexto. Ou seu esboço deixa todos perdidos. Ou usa humor inapropriado ou faz declarações depreciativas sobre gays ou liberais. Ou sempre insiste em temas dispensáveis, ao invés de encarnação, expiação, ressurreição ou segunda vinda. Então é hora de levá-lo para tomar um café. E você deve pagar a conta.

5. Seja cuidadoso. É perigoso sentar para ouvir o ministério da Palavra de Deus com um ouvido crítico. Se você não observar seu coração, irá empobrecer a sua alma. Procure defeitos no sermão e você os encontrará. Mas não desenvolva uma mentalidade crítica. Em vez disso, venha adorar com os olhos abertos e os ouvidos atentos para a Palavra do Deus Vivo.

 PARA PREGADORES

1. Leve as críticas a sério. A maioria das críticas tem um fundo de verdade. Seu trabalho é encontrá-las. Talvez não esteja sendo claro o suficiente. Talvez o sermão tenha sido muito longo, ou com muito conteúdo, ou foi muito em cima da cabeça das pessoas. Spurgeon, outrora, lembrou seus alunos que o Senhor comissionou a Pedro para alimentar suas ovelhas, não girafas. Seja qual for a crítica, dê a ela alguma atenção. Você irá aprender algo.

2. Não se leve tão a sério. Mantenha seu senso de humor saudável. Se você realmente se atrapalhou e alguém lhe disse, relaxe. Você terá outra chance domingo que vem.

3. Trate suas críticas com outros. Nenhum de nós é imparcial quando se trata de nossos próprios sermões. É provável que nós mesmo ignoremos a crítica, ou vamos descartá-la levianamente, ou achá-la muito dura, ou ficar na defensiva ou entender tudo errado. Mas, se seu ouvido está em sintonia com a sua fala, você vai ser mais propenso a ouvir o que você deve e responder com humildade de sabedoria.

4. Procure críticos sensatos. Spurgeon dizia: “Um amigo sensato que não lhe poupe crítica semana após semana, ser-lhe-á bênção maior do que mil admiradores sem discernimento, se você tiver bom senso suficiente para aguentar aquele tratamento, e graça suficiente para ser-lhe agradecido.” Ele passou a falar de um “crítico anônimo de grande capacidade”, ele lhe enviava listas semanais com palavras pronunciadas e outros deslizes do discurso. Spurgeon nunca soube a identidade de seu revisor anônimo, mas ele passou a apreciá-lo.

5. Nunca esqueça a tarefa que foi dada a nós. Pregar pode ser seu trabalho, mas isto não é sobre você. É sobre a glória de Deus, a magnitude de Jesus, a beleza da cruz, o poder da ressurreição e o poder transformador do Espírito Santo através da Palavra. É sobre fazer santos e converter os perdidos. Pregar é um grande privilégio e vale a pena cada gota de esforço que você gasta no aprendizado para fazê-lo cada vez melhor. Parte deste esforço é aprender com nossos críticos.

E ainda mais uma coisa: se você tiver a oportunidade de sentar para tomar um café ou lanchar com um crítico para discutir seu sermão, certifique-se de pagar a conta.

Traduzido por André Carvalho | Reforma21.org | Original aqui

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Entendendo os profetas

Keith A. Mathison

Keith A. Mathison

A interpretação dos livros proféticos não é uma questão simples, e para que possamos entender esses livros, devemos nos aproximar deles com cuidado e cautela. Não podemos estudá-los como se fossem pouco mais que conjuntos de previsões enigmáticas. Como vamos descobrir, eles são muito mais que isso, mas antes de procedermos a um exame de cada um dos livros proféticos, devemos responder a algumas questões preliminares.

1) O que é um profeta?

No Antigo Testamento, a palavra mais frequentemente usada para se referir a um profeta era nabi’. O significado geral da palavra é “porta-voz”. No Antigo Testamento, um profeta “era um porta-voz de Deus com o distinto chamado para ser o embaixador de Deus”. De fato, era o chamado de Deus que dava ao verdadeiro profeta sua legitimidade. Outros títulos usados ​​para descrever os profetas são ro’eh, que significa “vidente”; hozeh, também significa “vidente”, e ish-ha’elohim, que significa “homem de Deus”. Pieter Verhoef explica: “Todos esses títulos definem o profeta como um homem que havia sido chamado para comunicar a palavra de Deus revelada, como um homem que tinha uma relação íntima com Deus, como seu servo e mensageiro, e como alguém cuja tarefa era vigiar o povo de Deus”.

Segundo as Escrituras, o ofício profético originou-se com Moisés nos eventos no Monte Sinai (Dt 18:15-16; cf. Os 12:13.). O ofício de profeta, então, está diretamente associado com a aliança do Sinai. Depois do êxodo do Egito, Moisés conduziu o povo de Israel para a montanha. Após a chegada do povo, Moisés subiu ao monte, e foi-lhe revelado que Deus iria descer em uma nuvem espessa, de forma que as pessoas pudessem ouvir e crer que Ele falaria com Moisés (Êxodo 19:9). Na manhã do terceiro dia, Deus desceu sobre a montanha em fumaça e fogo (v. 16-20). Lá, Ele deu os Dez Mandamentos (Êx 20:1-17). Com medo, as pessoas, então disseram a Moisés: “Fale você a nós, e nós ouviremos, mas não fale Deus conosco, para que não morramos” (v. 19). O povo pediu a Moisés que fosse um mediador da palavra de Deus. Todos os profetas que se seguiram a Moisés compartilharam deste papel.

2. Qual o contexto dos profetas?

Uma segunda importante questão que deve ser levantada é o amplo contexto histórico dos livros proféticos. Os ministérios de todos os profetas que escreveram, podem ser datados do oitavo até o quinto século antes de Cristo. Os livros de 2 Reis, Esdras e Neemias, portanto, proporcionam o contexto histórico-redentivo desses profetas. Recorde-se que esses livros históricos narram os acontecimentos que levaram ao exílio, o exílio em si, e os estágios iniciais de restauração pós-exílicos. Como Robertson explica, “…os escritos dos profetas de Israel, consequentemente, devem ser vistos como centrados principalmente em torno de dois eventos de importância imensurável: o exílio de Israel e sua restauração”. O contexto histórico-redentivo dos profetas que escreveram, então, se trata “da morte e ressurreição de Israel”(cf. Ez. 37:1-14).

3. Qual a linguagem dos profetas?

Além de compreendermos o contexto histórico dos livros proféticos, também é necessário que entendamos a natureza da linguagem que eles usaram. Apesar de outros gêneros serem encontrados nos livros proféticos, incluindo narrativa biográfica e autobiográfica, a forma mais comum de discurso profético encontrado nesses livros é o oráculo. O termo “oráculo”, como John Sawyer observa, “é aplicado a todos os tipos de expressões proféticas desde longos ‘oráculos relativos a nações estrangeiras’ (por exemplo, Is 13:1;. 14:28; 15:1; 17:1; 19:01, 21:1, 23:1) e livros inteiros (por exemplo, Naum, Habacuque , Malaquias) até as mais curtas profecias dirigidas a situações específicas (por exemplo, Ez. 12:10)”. Os oráculos proféticos podem ser distinguidos de acordo com seu conteúdo como sendo oráculos de julgamento ou oráculos de salvação.

Os oráculos proféticos tendem a empregar uma linguagem poética, ao invés de prosa. Isto é importante porque a poesia hebraica é uma forma altamente estilizada de literatura. Ela é caracterizada principalmente por sua ampla utilização de linguagem figurativa e imagens impressionantes. A poesia hebraica usa numerosas metáforas e outras figuras de linguagem. Quando compreendemos que os profetas bíblicos fazem uso extensivo da linguagem poética, torna-se evidente que as partes dos livros proféticos que são poéticas por natureza não devem ser interpretadas da mesma forma que a prosa é interpretada.

4) Qual a mensagem profética?

Um último tópico que devemos examinar antes de prosseguir para cada um dos livros dos profetas diz respeito à natureza da mensagem profética. Sustentando a mensagem de todos os profetas está o entendimento da lei e da aliança. As bênçãos e maldições da aliança mosaica encontradas em textos como o Levítico 26 e Deuteronômio 28 são a base para as mensagens de julgamento e de restauração proferidas pelos profetas. Como Douglas Stuart explica, “Quase todo o conteúdo dos oráculos profetas clássicos (que escreveram) giram em torno do anúncio do cumprimento em curto prazo das maldições da aliança, e do cumprimento, em longo prazo, das bênçãos restauradoras da aliança”. O. Palmer Robertson observa como a conexão entre as alianças abraâmica e mosaica explicam alguns dos paradoxos aparentes na mensagem profética.

A ligação dessas duas alianças explica como os profetas de Israel podiam antecipar tanto desastre quanto bênção para Israel. Os desastres deveriam vir por causa da violação da lei da aliança. Mas a bênção podia ser prometida como o ponto final por causa do soberano compromisso por parte de Deus de abençoar o seu povo apesar de não merecerem nada.

A aliança davídica também fornece uma base para a mensagem dos profetas. A promessa de Deus nesta aliança de preservar um descendente de Davi no trono e defender Jerusalém “fornece o mais forte fundamento para que se tivesse esperança em um futuro rei messiânico para além da sentença de exílio…”.

Oráculos de julgamento

A mensagem básica dos profetas incluía tanto os oráculos de julgamento quanto os oráculos de salvação. Nos oráculos de julgamento, os profetas condenavam Israel por violarem a lei da aliança e declaravam a imposição das maldições pela quebra da aliança. Muitos dos oráculos de julgamento assumem a forma de uma profética ação judicial, no fim da qual Deus pronuncia a sua sentença sobre Israel (cf. Jr 2:5-9; Os 2:4-25, 4:1-3; Mq 6:1-8). O exilio foi principal julgamento porque era, na verdade, uma sentença de morte para Israel. Uma parte significativa da mensagem profética de julgamento refere-se à proclamação da chegada do “Dia de Yahweh” ou “Dia do Senhor”. Nos profetas, o Dia de Yahweh é uma ideia complexa que engloba tanto julgamento quanto salvação. Este conceito é melhor examinado no contexto de seu uso em cada um dos livros proféticos da Bíblia no qual se encontrar.

Há alguma controvérsia a respeito do propósito dos oráculos de julgamento. Estavam eles destinados a produzir arrependimento e evitar o julgamento, ou eram para ser entendidos como previsões de julgamento inevitável? Usando a terminologia da teoria do ato de fala, Walter Houston pergunta se esses oráculos são “chamadas ao arrependimento (o que se enquadraria na categoria de atos diretivos), ou anúncios de condenação eminente (que seriam, presumivelmente, assertivos)”? O. Palmer Robertson, corretamente conclui que estes oráculos tinham a intenção de conduzir ao arrependimento e de evitar a condenação profetizada (cf. Jer. 26:2-3). Como ele explica, a palavra profética “não envolve principalmente previsão em relação a eventos futuros”.

Oráculos de Salvação

Além de oráculos de julgamento, a mensagem básica dos profetas inclui também oráculos de salvação. Estes oráculos proclamam a vinda de uma nova era após o julgamento. Tal como os oráculos de julgamento, os oráculos de salvação são também enraizados nas alianças (cf. Lv 26:40-45;. Dt 4:30-31;. 30:1-10). John Bright observa o significado dessas mensagens de restauração.

Praticamente todos os profetas pré-exílicos, embora não de maneiras idênticas, olharam, para além do julgamento que eles eram obrigados a anunciar, para um futuro mais distante, quando Deus viria mais uma vez ao seu povo em misericórdia, restauraria suas fortunas, e estabeleceria seu governo sobre eles em justiça e paz. Essa promessa de salvação futura é uma das características mais distintivas da mensagem dos profetas, e é ela, talvez mais do que qualquer outra coisa, que serve para ligar o Antigo Testamento indissoluvelmente ao Novo em um cânone único da Escritura.

Os profetas pré-exílicos aguardavam com expectativa a restauração de Israel após o exílio. Como vamos descobrir, no entanto, os profetas pós-exílicos viam o retorno do exílio apenas como o começo da restauração escatológica.

O Reino de Deus

Um dos elementos mais significativos encontrados na mensagem profética de salvação é o estabelecimento do reino de Deus através de um descendente de Davi, o Messias. As raízes da ideia messiânica são encontradas em vários textos do Pentateuco (Gn 17:6, 16; 35:11; 49:10; Nm 24:17; Dt 17:14-20). A base principal deste conceito, entretanto, se encontra na aliança que Deus fez com Davi (2 Sam 7). De acordo com os profetas, a vinda do Messias irá estabelecer o reino de Deus, transformando a criação e trazendo bênção para todas as nações, cumprindo assim o objetivo da aliança de Deus com Abraão (cf. Gn 12:3;. Sl 72:17).

Criação

A transformação da criação associada com a vinda do Reino de Deus une os propósitos criacionais de Deus aos Seus propósitos redentores. De acordo com os profetas, “não há redenção, a menos que ela afete toda a criação”. Os profetas reconhecem que há algo radicalmente errado na presente criação, mas ao contrário dos seguidores de muitas religiões pagãs, eles não afirmam que o mundo físico é inerentemente mau. A presente corrupção da criação de Deus deve-se ao pecado. Os profetas, portanto, afirmam que toda a criação será transformada e o que está errado será corrigido na vitória escatológica sobre o mal.

Traduzido por Arielle Pedrosa para o site AME Cristo, que gentilmente nos cederam para postar aqui | Original

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