Como apreciar as duas naturezas de Cristo

por Mark Jones

Apreciar tanto a divindade de Cristo quanto sua humanidade não é fácil. O que significa ser Deus e homem? Olhar para as duas naturezas de Cristo nos ajuda a entender não apenas a maravilha da encarnação, mas também a incrível humildade de Cristo, que “não julgou como usurpação o ser igual a Deus” (Filipenses 2.6).

Deus Eterno

Eternidade implica ausência de início, fim e sucessão temporal de Deus. Esse conceito não é apenas difícil de entender, mas também de expressar. Eternidade nunca começa, nunca acaba. A duração da existência de Deus é tão infinita quanto a sua essência é ilimitada. Ele é o Deus eterno (Gênesis 21.33; Romanos 16.26). Se ele não tem início, certamente não tem fim (veja Salmo 9.7; Apocalipse 4.9-10; Salmo 52.27). Como ele não depende de nada, não pode deixar de existir. Para ele não existe passado ou futuro, apenas um simples presente pelo qual ele vê todas as coisas, passado, presente e futuro, de uma vez só. Ele não aumenta nada em relação ao que era antes. Ele nunca se torna algo que não era antes. Ele é perfeito antes de todas as eras e depois de todas elas. Ele é o que sempre foi. Ele vai ser o que sempre será. Ele habita bilhões de anos em um momento e, de certo modo, cada momento para ele é como bilhões de anos. Jesus possui este atributo da eternidade. Ele é o “Ancião de dias” (Daniel 7.9, 13, 22).

O Salmo 90 apresenta um magnífico testemunho da pessoa de Cristo. O verso 2 se refere a Jesus: “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.” Aqui, a glória da sua pessoa vem à tona. Não apenas o verso 2 se refere a Jesus, todo o resto do Salmo também. Jesus foi ensinado a contar seus dias (v. 12). Jesus morreu sob a ira de Deus (v. 9). Mas Deus também estabeleceu a obra feita por Cristo (v. 17). Ler Cristocentricamente o Salmo 90, assim como todos os Salmos devem ser lidos, o traz à vida. Os versos que falam sobre Deus, se referem a Jesus. E os versos que falam sobre o homem também se referem a Jesus. Agora exaltado nas regiões celestes, seus dias são incontáveis. Aqueles que permanecerem nEle terão seus dias incontáveis quando receberem a vida eterna.

Deus Imutável

O atributo de Deus da eternidade necessariamente implica na sua imutabilidade/invariabilidade (Salmo 102.26-27). Pois o que perdura (eternidade) não pode mudar, e o que muda não pode perdurar (Salmo 52). Deus também não possui paixões, no sentido de que não experimenta tristeza ou sofrimento da forma como nós fazemos. Porque sua glória e alegria são eternas e infinitas, nada pode deixar Deus, em si mesmo, mais ou menos irado ou mais ou menos triste. Sua bem-aventurança não conhece limites e não pode diminuir por algo em si mesmo ou por alguma coisa fora de si mesmo. A imutabilidade de Deus também nega que seu conhecimento pode aumentar ou diminuir. Se a essência de Deus muda, então algo mais poderoso que Deus pode mudá-lo. É verdade que algumas vezes lemos que Deus “se arrepende”. Mas isso é uma linguagem antropomórfica, no ponto de vista humano, que representa o Deus infinito, eterno e imutável, que é Espírito.

No entanto, Jesus realmente mudou. Ele “crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lucas 2.52). Ele “aprendeu a obediência” (Hebreus 5.8) e foi “aperfeiçoado” (Hebreus 5.9). De acordo com sua divindade, Jesus possui alegria infinita. Mas, enquanto estava na terra, Ele foi “homem de dores” (Isaías 53.3). Como um verdadeiro ser humano ele entrou no mundo e experimentou mudanças em sua natureza (da vergonha para a glória) que não podemos entender, enquanto nessa terra.

Deus Onisciente

Jesus possui todo o conhecimento. Ele é onisciente: “Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir” (Salmo 147.5). O Deus eterno infalivelmente conhece todas as coisas do passado, presente e futuro. Ele conhece a si próprio perfeitamente. Ele conhece completamente as coisas que criou, incluindo também seus decretos e também perfeitamente todas as coisas fora de seus decretos. Em outras palavras, ele conhece todas as coisas possíveis, as que poderiam ser feitas por seu poder, que sempre ficarão envoltas em trevas para qualquer humano ou anjo. O entendimento e conhecimento de Deus são infinitos (Jó 37.16).

Charnock descreve esse assunto da melhor forma que um homem pode fazer:

Deus conhece todas as coisas, sejam elas possíveis, passadas, presentes ou futuras; sejam coisas que ele pode fazer, mas nunca fará, ou coisas que ele já fez, mas não neste momento; coisas que ele está fazendo agora ou coisas que não existem mais e que se encontram no ventre de suas causas próprias e imediatas. Se seu entendimento é infinito, então ele conhece todas as coisas, tudo quanto pode ser conhecido, senão seu conhecimento teria limites, e o que tem limites não é infinito, mas finito.

Se Deus pudesse aprender apenas uma coisa, ele não poderia ser Deus. Entretanto, nosso Senhor Jesus Cristo foi despertado todas as manhãs para ser ensinado por seu Pai (Isaías 50.4-6). Ele “cresceu em conhecimento” (Lucas 2.52). No evangelho de João, Jesus constantemente fala do ensino que ele recebeu de seu Pai (João 7.16; 8.26, 28, 38, 40). O único que sabe todas as coisas que podem ser conhecidas também se humilhou para aprender tudo quanto poderia ser conhecido.

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Traduzido por André Carvalho | Reforma21.org | Original aqui

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