Conheça seu inimigo (3)

por Josaías Ribeiro Jr.

por Josaías Jr.

Mateus 4.8-11

 Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles.

E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.

Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.

Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam.

Por que ser glorificado amanhã se você pode se exaltar hoje?

A seguir, Satanás faz uma “proposta irrecusável”. Jesus receberia todos os reinos da terra se adorasse a serpente. Na primeira parte dessa série, enfatizei o fato de que Jesus era herdeiro das promessas de Abraão e herdeiro das promessas de Davi. Ele herdaria a terra prometida a Abraão, e o trono de Davi. Ele seria o Rei do Reino de Deus. Era seu direito.

Novamente, Satanás não estava oferecendo nada que Jesus não pudesse ter. Ele apenas está oferecendo do jeito dele. Futuramente, Jesus seria glorificado e receberia o reino. Mas ele precisaria passar para a cruz. Mas a proposta do diabo é do tipo em que os dois parecem sair vencedores – Jesus recebe o prêmio sem sofrimento e o Inimigo não é derrotado vergonhosamente.

Quem não deseja ganhar tudo agora sem sofrimento algum? Pra que trabalhar se existe loteria? Pra que abstinência se existem formas de escondê-la? Pra que sofrer por Cristo se ele já sofreu tudo o que eu precisava? Por que esperar a herança vindoura se posso declarar, ordenar hoje e prosperar agora?

A questão que devemos nos perguntar diariamente – o que quero agora acima de qualquer coisa? Se sua resposta não inclui algo como Senhor, Jesus Cristo, conhecimento de Deus, a volta de Jesus, semelhança com Cristo, ou um assunto parecido, pode ser que você já tenha se ajoelhado.

Satanás expõe o que acontece quando colocamos a nós mesmos ou qualquer outra coisa antes de Deus. Estamos adorando a um ídolo. E a Bíblia é clara ao relacionar os ídolos a demônios (1Co 10.20, Dt 32.17, Sl 106.36,37). Nosso problema é muito maior do que fazer coisas erradas, é prostrar-se e adorar coisas boas. Nosso coração nasce idólatra e a única forma de vencer isso é clamar para que Deus o transforme.

Esse momento da história lembra a parábola do Filho Pródigo. O filho era aquele que queria a herança antes da hora – sem o desprazer de aguardar, sem a necessidade de conviver com o pai, sem ter de prestar contas. Ele queria apenas seguir o mais rápido possível aquilo que estava em seu coração. Até o dia em que se viu sem nada.

Como está o seu coração? Será que Deus é uma presença inconveniente em sua vida? Será que a espera pela glória não parece valer a pena? Se esse é seu caso, lembre-se daquele que enfrentou a cruz pela alegria futura (Hb 12.2).

Satanás não queria que Jesus lutasse e padecesse por seu Pai e por nós, e hoje ele tenta nos ensinar o mesmo. Um “cristo” sem cruz não alcançaria nada. Um cristão sem cruz não imita seu Salvador.

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Conclusão: Quem é seu pai?

Russell D. Moore, comentando o relato da tentação nota como o diabo tenta ser muito mais que o senhor de Jesus. Ele quer ocupar a posição do pai. Perceba:

  1. Ele tenta Jesus com as necessidades básicas de comida. Ele propõe ser o provedor.
  2. Ele tenta Jesus com a questão da segurança, da confiança, de uma presença forte em sua vida. Ele quer ser o protetor.
  3. Por fim, ele promete a Jesus a sua herança – algo que só um pai pode dar.

A Bíblia nos ensina que nos tornamos semelhantes àquilo que adoramos. A figura do pai faz todo sentido. Caso Jesus aceitasse a proposta de Satanás, ele se tornaria semelhante a ele. Como um filho é semelhante a seu pai.

A esperança nessa história toda é que, assim como o batismo e o jejum, as tentações que Jesus suportou não foram simplesmente questão de piedade pessoal. Elas aconteceram também para que a justiça fosse cumprida. Ao vencer o tentador, Jesus estava substituindo você. Mesmo que você falhe na batalha, ele venceu. E pela graça de Deus a vitória dele também é sua. O propósito dessa palavra não era trazer simplesmente desespero. Mas mostrar que existe uma saída. Reconheça-se fraco e lembre-se da vida perfeita do Salvador, que foi dada a você. Ele não caiu em tentação – para que aqueles que caíram levantem-se.

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Essa história também nos lembra de que a Bíblia diz que não há condenação sobre aqueles que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1). O diabo temia a cruz porque ela lhe custa sua principal arma – a acusação. Na cruz, os pecados são pagos. Não há acusação, somente defesa! Ele perde o poder de acusar porque Cristo tornou-se pecado por nós. Há, claro, exortação, luta, sofrimento e disciplina. Mas nosso advogado já venceu. Nosso juiz já deu o veredito. Inocente!

Por fim, o autor de Hebreus nos ensina que em momentos de fraquezas, temos alguém que entende o que passamos. Não podemos vencer a tentação sem Cristo. Não há como vencer o pecado sem a presença de nosso Sacerdote. Sem o Espírito de Cristo nos auxiliando a derrota é certa. É preciso achegar-se a ele, chorar e clamar por um coração que o deseje cima de tudo.

 

Oh Deus, provei da tua bondade

e ela tanto me satisfez quanto me deixou sedento por mais

Estou dolorosamente consciente de minha necessidade por mais graça

Estou envergonhado da minha falta de desejo

 Oh Deus, o Deus Triúno

Eu desejo te desejar

Eu anseio ser cheio de anseio

Tenho sede de ser feito mais sedento

 Mostra-me tua glória, eu oro

Que eu possa te conhecer de fato

Começa em misericórdia uma nova obra de amor dentro de mim

Dê-me graça para levantar e te seguir deste vale nebuloso

onde tanto tenho vagado.

 Em Nome de Jesus

Amém

 (AW Tozer)

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