Eu deveria desejar uma recompensa?

por Tim Challies

Tim Challies
Tim Challies

Às vezes debato-me com motivações. Luto com a ideia de que devemos ser motivados à obediência neste mundo pela promessa de uma recompensa futura. Isso é particularmente verdadeiro quando se trata de dinheiro. Devemos estocar tesouros no céu e não na terra; devemos obedecer a Deus não apenas pelo desejo de obedecer a Ele, mas pelo desejo de aumentar nossa recompensa no céu. Isso sempre me pareceu errado, como algo que é um pouco menos nobre. Um cristão que verdadeiramente honra a Deus escolheria a obediência como único motivo, não escolheria?

É errado ser motivado por recompensas? Isso me deixou confuso por várias vezes. De algum modo em minha mente, parece que a recompensa obrigatoriamente nega a alegria e a pureza da obediência. O fato de que eu buscaria uma recompensa eterna em troca de uma boa ação mundana preocupa-me. Eu não deveria querer dar puramente pela alegria de obedecer? Eu não deveria querer simplesmente dar porque amo o Deus que ordena dar generosamente?

Randy Alcorn ajudou a corrigir o meu pensamento. Em seu livro Mananging God’s Money [Gerenciando o Dinheiro de Deus], ele chama a doutrina de Deus de conceder recompensa eterna para a fiel obediência de “a chave negligenciada para desbloquear nossa motivação”. Ele propõe Hebreus 11.26 como um exemplo simples: “Por amor de Cristo, [Moisés] considerou sua desonra uma riqueza maior do que os tesouros do Egito, porque contemplava a sua recompensa”.  E, claro, nós sabemos que o Apóstolo Paulo estava também a correr com os olhos no prêmio – a coroa que duraria para sempre (1 Coríntios 9:25).  Mesmo Cristo suportou a cruz “pela alegria que lhe fora proposta” (Hebreus 12:2). Ele humilhou-se sabendo que seria o filho exaltado. Ele também encontrou motivação na recompensa eterna que estaria reservada para ele – neste caso, a glória de seu Pai ao ser adorado pela Igreja lavada e redimida.

Se nós sustentarmos a idéia de que é errado ser motivado por recompensas, nós levantamos uma acusação contra Cristo, sugerindo que ele estava indevidamente motivado. Nós também dizemos, em essência, que Cristo está atraindo-nos de forma indevida quando nos oferece uma recompensa por nossa obediência.

Alcorn continua a apontar que, em outras áreas da vida, nós somos rotineiramente motivados por recompensa. Isso é verdade em casa, na escola e no trabalho. “Todo empresário eficiente e todo sábio líder sabe a importância dos incentivos. São motivações que podem ser pessoais, sociais, espirituais, físicas ou financeiras. Infelizmente, inúmeros Cristãos consideram os incentivos para ser ‘mundano’, ‘carnal’ ou ‘não-espitirual’”. Mesmo nós usamos recompensas para motivar nossos próprios filhos; então, por que eu deveria ficar surpreso por Deus usar recompensas para motivar Seus filhos? Alcorn diz

Dizer “eu não faço nada por recompensa” ou “eu faço somente porque é certo” pode parecer que é para alcançar um alto patamar espiritual. Mas, de fato, é pseudo-espiritual. Dizer que há apenas uma boa razão para fazer algo nega as outras formas que Deus usa para nos motivar. Isso contradiz todas as passagens da Escritura que, sem equívocos, tentam motivar-nos pelo nosso desejo por recompensas.

Isso tudo leva a uma questão interessante: de quem é a idéia da concessão de recompensas aos mordomos fieis?  Alcorn propõe uma metáfora. Suponha que eu ofereça ao meu filho uma recompensa se ele passar o sábado trabalhando comigo. “Trabalhe o dia todo e eu pagarei $50 e te levarei para jantar fora”. É errado meu filho desejar essa recompensa? É errado ele querer ser recompensado com $50 e um jantar? Nem um pouco. E, claro, eu quero que meu filho deseje essa recompensa. Seria errado meu filho recusar fazer qualquer coisa a menos que eu ofereça esse tipo de recompensa – ele deveria obedecer-me sem recompensas; seria errado meu filho exigir uma recompensa. Mas o fato é que fui eu quem ofereceu a recompensa e será minha obrigação dá-la a ele. Quero que ele queira a recompensa e quero que ele a tenha. Eu mesmo quero que isso o motive a um trabalho alegre baseado numa alegre expectativa.

Da mesma forma, era idéia de Deus vincular recompensa à nossa mordomia; era sua alegria vincular recompensa à nossa obediência. Deus designou-nos de tal forma que nós somos motivados por incentivos. Isso seria verdade mesmo em um mundo sem pecado. É exatamente quem nós somos.

[tweet link =”http://iprodigo.com/?p=5115″]Deus não tem que nos recompensar por aquilo que fazemos. Pelo contrário, Ele escolhe fazê-lo.[/tweet]

O fato é: Deus não tem que nos recompensar por aquilo que fazemos. Pelo contrário, Ele escolhe fazê-lo. E ele deleita-se em fazê-lo. Ao fim de um longo de dia de trabalho, é uma alegria pra mim entregar ao meu filho sua recompensa e levá-lo para jantar. Ele não honraria seu pai se recusasse a recompensa. No fim de um longo dia de trabalho, sua motivação foi minha alegria e deleite. Por que eu deveria conceder menos a Deus?

Traduzido por Carla Ventura | iPródigo.com | Original aqui

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