Trocando fraldas para a glória de Deus

por Alex Daher

Alex Daher e família
Alex Daher e família

 Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus (1 Coríntios 10.31).

 Recentemente ouvi alguém comentando que a expressão a glória de Deus se tornou um mero “jargão evangélico”. Uma simples resposta padrão para perguntas bíblicas. Palavras jogadas ao vento, sem carregar o peso que merecem. Esse é um perigo que estamos sempre sujeitos: ficarmos acostumados com algo que deveria sempre nos deixar deslumbrados. Banalizar o “imbanalizável”, se me permitem o neologismo.

Mas a repetição, que certamente não é intrinsicamente ruim, traz também outro perigo para nós: o de pensarmos que há coisas triviais demais para nos preocuparmos em como glorificar a Deus através delas. O perigo de reduzirmos o ato de glorificar a Deus a algumas coisas que consideramos “religiosas” e sermos indiferentes com as demais. E por mais que saibamos que devemos glorificar a Deus em tudo, somos constantemente levados pelo mundo, por Satanás e pela nossa velha natureza a nos desviarmos dessa verdade.

1 Coríntios 10.31 é o lembrete divino anti-indiferença. É o chamado para fazermos também as atividades simples e rotineiras para a glória de Deus. Glorificar a Deus é literalmente nossa vida, o ar espiritual que respiramos. Mas mesmo desejando glorificar a Deus, enfrentamos o desafio de como fazer isso na prática. Como exatamente comer e beber para a glória de Deus? Como isso se traduz na prática?

Para ilustrar, imagine o caso de alguém com um recém-nascido em casa – o exemplo que vivi cerca de 2 anos atrás. Trocar fraldas é a atividade no 1 executada pelos pobres coitados mais felizes do mundo com a chegada do bebê. Um exemplo concreto para refletir[1]. Aqui vão então 10 sugestões de como trocar fraldas para a glória de Deus (e mesmo que você não troque fraldas no dia a dia, essa lista talvez o ajude a refletir em como glorificar a Deus em sua rotina):

1.      Agradecendo a Deus por Ele ter dado as fraldas, seja provendo os recursos financeiros necessários para comprá-las, seja colocando amigos/pessoas generosas que as deram de presente (1 Ts 5.18).

2.      Prostrando-se (mesmo que mentalmente) diante de um Deus tão poderoso que cria a vida. A assombrosamente maravilhosa e admirável vida de um ser humano (Sl 139.13-16).

3.      Cantando um cântico, um hino, recitando um Salmo ou trecho da Bíblia enquanto troca a fralda (Cl 3.16-17).

4.      Lembrando que o Rei dos reis não “julgou como usurpação o ser igual a Deus”, veio dos céus ao mundo como um bebê para viver uma vida sem pecado e se fazer pecado por nós na Cruz. Seu Salvador se humilhou ao ponto de, um dia, também ter sido um indefeso bebê (Fp 2.6-8; 2 Co 5.21).

5.      Rendendo graças a Deus por ter colocado pessoas em sua vida que fizeram isso por você no passado. Aproveite para agradecer a seus pais ou quem cuidou de você, se ainda estiverem vivos. Sem eles você não teria sobrevivido (Ef 6.2).

6.      Adorando a Deus por saber que, antes que houvesse mundo, Deus já havia declarado a existência da vida de seu filho(a). “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus!” (Rm 11.33a; Rm 9.11-18).

7.      Louvando a Deus pelas crianças. Jesus amava as crianças e temos muito que aprender com elas. Desejando de Deus a mesma dependência que nossos bebês têm de nós (Mt 19.14).

8.      Orando pelo seu filho(a), para que Deus o proteja, tenha misericórdia e converta o coração dele(a) (Mt 16.17; João 1.12-13).

9.      Orando para que Deus o capacite a ensinar os caminhos do Senhor para ele(a) e que o Evangelho – graça, arrependimento, fé e perdão – seja vivido de forma autêntica dentro de sua casa. Não precisamos de lares moralistas, mas de lares cristãos (Ef 6.4).

10.  E nos momentos em que ele(a) estiver sofrendo com cólica, lembrando que Jesus também sofreu enormemente para satisfazer a justiça de Deus e apaziguar Sua ira e, assim, você pudesse ter vida eterna com Ele. O preço foi muito alto. Lembre-se também que um dia, em breve, não haverá choro nem cólica no Reino de Deus (Hb 12.1-3; Is 53; Ap 21.4).

Glorificar a Deus envolve agir com amor genuíno, alegria e gratidão. Não é simplesmente fazer coisas, mas como nosso coração se dispõe diante delas.

Sabemos que não existe acaso, sorte ou coincidência (Pv 16.33). Existe, sim, um Rei Soberano que governa cada detalhe de tudo o que acontece no Universo. Por isso as coisas que fazemos, o momento em que elas acontecem e as pessoas em nossas vidas não são fruto do destino. São parte de um plano minuciosamente ordenado pelo Rei, e com um propósito duplo: nosso bem e a glória dEle. Portanto, nada é comum demais ou insignificante para que não experimentemos a alegria de fazê-lo para a glória de Deus.

A maior parte da nossa vida é composta de atividades repetitivas. Uma vida que glorifica a Deus é uma vida que o faz nas pequenas coisas do dia a dia. Afinal de contas, fomos criados para  glorificá-lo em tudo.

Que o Espírito Santo nos ajude a comer, beber, trocar fraldas, lavar louça, ir ao supermercado, conversar, caminhar e viver para a glória de Deus.


[1] Não deixe de ler outro exemplo no texto de John Piper: Bebendo suco de laranja para a glória de Deus

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