De A a Z: a verdade sobre o Salmo 119

por Jesse Johnson

O Salmo 119 é o poema mais longo da Bíblia. É a oração mais longa da Bíblia. É o acróstico mais longo da Bíblia. É capítulo mais longo da Bíblia. Ele fica no centro da Bíblia e fala sobre a Bíblia. O Salmo mais longo é um salmo sobre Salmos. O capítulo mais desafiador da Palavra é um capítulo sobre a Palavra.

O escopo do Salmo 119 é amplo (22 estrofes) e limitado (cada verso é sobre a escritura). O capítulo cobre todos os aspectos da vida – sucessos, fracassos, vitórias, derrotas, prosperidade e adversidade – e, mesmo assim, é quase todo uma oração (praticamente todos os versos são dirigidos a Yahweh).

Por conta de sua extensão, sua unidade pode passar despercebida. As estrofes não são intercambiáveis. Pelo contrário, o Salmo é construído de forma a guiar o leitor em uma progressão da vida cristã. Ele cobre tudo o que você precisa saber para viver uma vida piedosa, de A a Z (ou “de aleph a tav”, no original). E ele o faz na ordem.

A (aleph) é o princípio fundamental da vida cristã: a felicidade vem da santidade. Se você não é santo, você não é feliz, e se você deseja ser feliz, tente a santidade (é por isso que só essa estrofe, assim como bet e het, já é um antídoto poderoso à abordagem “Jesus + Nada” à santificação).

B (bet) mostra que santificação produz satisfação. Essa é uma satisfação que afeta cada área da vida, e se transforma em um deleite e alegria que faz uma pessoa se sentir melhor que a pessoa mais rica do mundo. De fato, essas duas primeiras estrofes fazem a vida do crente parecer fácil, se não fosse por:

C (gimel), que ensina que crentes são peregrinos. Esse mundo não é nossa casa. Nós estamos de passagem, e nós nunca iremos, de fato, pertencer a este mundo. Isso já seria difícil o bastante, mas então descobrimos que

D (dalet) a vida do peregrino é marcada por dificuldades. Nossa alma irá passar tempo na poeira, cheia de sofrimento, enquanto pedimos a Deus que nos torne mais obedientes.

E (he) é um truísmo: o resultado dessas dificuldades é que você é o que você ama. O valor de um homem é visto no valor do objeto de suas afeições. Você quer ser alguém de valor? Então ame a Palavra inestimável!

F (vav) serve como uma recapitulação, mostrando a progressão da vida do crente. Fé leva a confiança, confiança a perseverança, perseverança a dificuldades e as dificuldades levam à santidade.

G (zayin), então, nos lembra que, por mais que tudo isso seja verdade, não é fácil. Só porque o caminho está descrito, não significa que será simples trilhá-lo. Nossas vidas serão marcadas  pelas dificuldades. Felicidade está ligada a santidade, mas isso não significa que santidade é fácil.

H (het) é escrita à luz dessa tensão: mesmo que o caminho seja difícil, o salmista se compromete a andar por ele, não obstante a severidade das tentações e perseguições. Sabendo dos perigos e dificuldades, o verdadeiro crente se compromete a resistir.

I (tait), por sua vez, ensina que esse compromisso não é feito em um vácuo. Pelo contrário, só é possível fazê-lo por conhecer a realidade do que chamamos de graça irresistível. Deus irá buscar seus filhos. Os eleitos não irão se desviar do caminho, pois Deus é “o cão de caça dos céus”.

Assim, J (yod) mostra que, quando Deus nos alcança, experimentamos a força total da razão pela qual fomos criados: nós fomos criados para obedecer. Deus nos fez com suas mãos para que pudéssemos servi-lo com as nossas.

K (kaph) então pausa por um momento e nos mostra que nem todas as dificuldades ocorrem por causa do mundo. Em alguns casos, Deus decide afligir mesmo seus filhos obedientes, para santificá-los. Isso pode ser obviamente visto na pessoa de Jesus Cristo.

L (lamed) responde K ao provar que Deus irá salvar mesmo aqueles que aflige. Deus pode afligir seus próprios filhos, mas o justo sempre será vindicado por ele – mesmo se, para isso, for preciso uma ressurreição.

M (mem) é uma resposta à gravidade das verdades descritas em K e L. É uma declaração de que a verdadeira sabedoria se desenvolve por meio da Palavra e dos caminhos de Deus. Seus caminhos não são os nossos, seus planos não são os nossos e, assim, aquele que conhece sua Palavra irá odiar a falsa sabedoria e se agarrar aos caminhos de Deus.

N (nun) responde essa questão básica: como pode a pessoa sábia se manter nos caminhos de Deus em um mundo que é tão hostil ao cristão? O mundo está cheio das trevas da falsa sabedoria, e os filhos de Deus são estrangeiros cercados por perigos. Mas sua Palavra é uma luz para nossos pés – nosso GPS que nos irá levar para casa.

O (samech) ensina que, enquanto a Palavra de Deus guia os crentes, o julgamento de Deus certamente aguarda aqueles que não vem para a luz

Mas para aqueles que vem, ayin mostra que Deus os protege sob suas mãos. Se você está na luz, você é um escravo de Deus, um escravo da santidade e um escravo de Sua Palavra.

P (pe), então, mostra como Deus usa seus escravos. Ele os coloca em uma guerra santa, uma batalha contra o pecado. Somos seus guerreiros, e a santidade é nosso campo de batalha.

Tsade ilustra as linhas de batalha: Deus é justo, e todos os outros estão do outro lado. Se você não estiver reconciliado com ele por meio do Verbo, você é seu inimigo.

À luz dessa divisão, Q (cough) mostra que devemos confiar na oração. Somos soldados em batalha e a oração é nosso meio de comunicação com o Comandante.

R (resh) simplesmente ensina que oração não é o suficiente para a nossa batalha –  o que é bom, porque você não está sozinho. Deus sempre responde aqueles que oram com fé, e ele irá salvar aqueles que clamam a ele.

S (shin) é uma representação daqueles que foram resgatados. É uma descrição do que eles fazem, com o que eles se importam e como eles se sentem. Vemos que aqueles que são resgatados amam a palavra de Deus e odeiam os inimigos de Deus.

T (ou “Z”, tav, a última letra) sobe os créditos e exibem uma imagem eterna do crente resgatado como uma ovelha que necessita de seu pastor. Mesmo após passear pela vida do crente, de A a Z, ainda estamos na posição de ovelhas, totalmente dependentes da palavra de Deus.

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Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui

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