Irmãos, nós não somos irmãs

por Douglas Wilson

Douglas Wilson
Douglas Wilson

Dizer que uma coisa não é outra coisa não é reclamar contra qualquer um dos dois.

Dizer que o Sol não é a Lua não é criticar a Lua, e dizer que a terra não é o mar não significa registrar uma reclamação contra o mar. Deus estabelece diferenças no mundo com a intenção de que haja complementação entre as coisas, não que seu mundo cheio de variedade tente se misturar em uma grande e indistinguível massa. Uma pinha não é um bolo de fubá, que não é uma ponte suspensa. Um homem não é uma mulher, mas Deus abençoa ambos.

Assim, exortar meus irmãos de ministério a lembrarem que não são irmãs não é, de forma alguma, algum tipo de desdém, quer aberto ou subentendido, às irmãs. Como irmãos no ministério, há muitas coisas que podemos aprender com as irmãs, e devemos ter o cuidado de aprender essas coisas cuidadosa e apropriadamente. Dando apenas um exemplo, o apóstolo Paulo diz que havia sido carinhoso entre os tessalonicenses assim como uma ama que acaricia seus próprios filhos (1 Tessalonicenses 2.7). A Bíblia diz que as mulheres não devem se levantar para ensinarem os homens autoritativamente (1 Timóteo 2.12), mas isso é algo muito diferente de homens aprendendo com mulheres (Atos 18.26). Como seria possível para um homem viver com sua esposa com discernimento (1 Pedro 3.7) sem aprender qualquer coisa com ela?

Presença masculina no púlpito

Dito isso, nesses tempos igualitários, devemos insistir na presença masculina no púlpito porque a igreja é a noiva de Cristo, e deve obedecer seu marido em tudo (Efésios 5.24). O Senhor requer isso de nós (1 Timóteo 2.12), e assim é assim que devemos agir. O indivíduo no púlpito deve ser masculino porque a noiva de Cristo deve ser feminina. A resposta feminina apropriada da Igreja é a de ser submissa, e não há como ser submissa desobedecendo.

Mas quando aceitamos essa responsabilidade como sabedoria de Deus, e a abraçamos com base nisso, não devemos nos surpreender quando um número de incentivos e razões adicionais nos ocorrem.

Pelo bem dos homens mais jovens

Devemos ser masculinos em nossos ministérios pelo bem de muitos rapazes que estão entrando no ministério – homens que cresceram em uma masculinidade sem um modelo masculino apropriado em seus pais. Somos seus pais na igreja agora, e assim devemos ser exemplo sobre o que significa a masculinidade – como é a coragem de abrir o livro. A Bíblia ensina que as melhores formas de aprender são as de imitação, e se queremos que a próxima geração de pregadores desenvolva verdadeira masculinidade, então deve haver alguma masculinidade que eles possam ver para imitarem. Mas antes de podermos dar exemplo, precisamos nós mesmos aprender.

Pelo bem das mulheres

Precisamos ser masculinos em nosso ministério pelo bem das mulheres em nossas congregações. Como os homens são naturalmente competitivos, estão mais propensos a enxergarem as diferenças entre os sexos em termos de competição. As mulheres são mais realistas nesse ponto, e não cometem esse erro com tanta frequência. A melhor coisa para as mulheres na igreja é que os homens sejam homens. Um homem ensinar a palavra de Deus com autoridade (e não como os escribas) não é limitar nada às mulheres – é uma bênção para elas. Mulheres piedosas são magoadas por mulheres usurpadoras e chateadas por homens afeminados. Elas são alimentadas por homens que ensinam a Bíblia com coragem. Elas precisam desse tipo de provisão e proteção, e elas sabem que precisam disso. Nós também deveríamos saber

Apagando uma antiga percepção

Devemos ser masculinos em nosso ministério para podermos apagar a percepção de centenas de anos dos ministros como sendo o “terceiro sexo”. Nós temos a palavra do Senhor para as nações ao nosso redor, mas elas não poderão nos ouvir se tudo que vem de nós é um grunhido infantil. O Senhor escolheu os filhos de Zebedeu para serem seus “filhos do trovão”, e quando pensamos no estado das nações ao nosso redor, deveríamos desejar que ele escolhesse mais desses. Os níveis da nossa estupidez espiritual são opressivos, e nossos pecados e iniquidades criaram uma atmosfera que parece a de Júpiter em uma tarde calorenta. O que nós precisamos é de algumas boas tempestades para clarear o tempo e levar tudo isso embora. Nada é mais aparente do que a nossa necessidade de alguns pregadores masculinos pregando sem reservas.

O púlpito: o lugar público da coragem

Isso nos leva ao último ponto, que nós precisamos ser masculinos em nosso ministério porque o púlpito deve ser o tipo de posição pública onde é necessário ter coragem para estar. E esse é o tipo de afirmação que revela o quão sensibilizados pela propaganda descrente nós nos tornamos. Se dizemos que os homens deveriam subir ao púlpito porque é necessário coragem para fazê-lo, a reação virá imediatamente, dizendo que não devemos dizer que as mulheres não podem ser corajosas. A resposta é simples – dizer que o púlpito é um lugar que requer uma coragem que peculiar é peculiar aos homens não é dizer que a coragem não existe ou não é necessária em qualquer outro lugar. Mas isso é apenas uma amostra do que um ministro do evangelho deve estar disposto – ele deve estar disposto a ser mal entendido e mal interpretado de formas como essa.

Nossas batalhas contra a ordenação feminina muitas vezes erra na ênfase. Devemos gastar menos tempo tentando impedir as mulheres de se tornarem homens no púlpito, e mais tempo ensinando homens a serem homens no púlpito. Irmãos, nós não somos irmãs.

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Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui

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