Quase Gospel

por Daniel TC

Daniel TC

Quando gravo CDs de mp3 pra tocar no carro (ocupando menos espaço, carregando mais músicas e preservando meus CDs originais), coloco nomes inusitados nos cds. Aprendi isso com um amigo, achei divertido e imitei. Assim, meu cd de Vencedores por Cristo (a maioria dos leitores não deve conhecer, mas é muito bacana!) eu chamei de “Forró Universitário”, meu cd do grupo Acappella chamei de “Metal” e o cd com o título “Funk Proibidão” começa com músicas do André Valadão.

Recentemente gravei um CD com músicas de uma banda de rock até famosa, com uma sonoridade que me agrada muito, mas com músicas que não são cristãs (sim, eu ouço música “comum”). Um (outro) amigo meu ouviu e perguntou por que tinha escrito “quase gospel” no CD, já que aquilo que aquela banda canta NÃO é o Evangelho.

Daí se seguiu uma proveitosa conversa que me fez pensar no texto abaixo:

“Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” 1 Coríntios 15:3-4

Mesmo que eu tenha falhado em tentar convencer meu amigo de que “quase” e “não” são a mesma coisa (ah, vai, essas palavras significam quase a mesma coisa! ops…), nesse caso, “quase evangelho” certamente não é, nem pode ser, Evangelho. A mensagem do Evangelho tem alguns pontos que precisam estar presentes, e acho que esse trecho da Bíblia aponta muitos deles!

vos entreguei o que também recebi

O Evangelho não é um estilo musical, não é uma ordem ou mandamento, não é um conjunto de regras: a palavra na língua original significa “Boa Notícia”. Paulo estava explicando pros crentes em Corinto que ele entregou a boa notícia que ele mesmo também havia recebido. Quando tentamos transformar o Evangelho em qualquer coisa que não seja uma Boa Notícia (como uma “receita de bolo para a felicidade” ou um “sistema de regras religiosas” ou um “bom negócio”), estamos, na verdade, transformando o Evangelho em um “quase evangelho”.

Cristo morreu

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A Bíblia nos ensina que o Senhor Jesus, Deus o Filho, o Filho de Deus, encarnou e viveu no nosso meio (João 1:14): esteve dentro de um útero (Lucas 1:42; Mateus 1:18), nasceu como um bebê (Mateus 2:2; Lucas 2:12,16), foi uma criança (Lucas 2:41-52), se tornou adulto (Lucas 3:23) e morreu. Cristo nasceu e viveu, assim como nós. O Evangelho vira “quase evangelho” se Jesus for ensinado como uma coisa não-humana, como uma espécie de alienígena que andava flutuando a alguns centímetros da terra (era esse tipo de pensamento, o gnosticismo, que o apóstolo João estava combatendo em 1 João 4:1-3, dê uma olhada!). Não é à tôa nem exagero o outro nome do Senhor Jesus, Emanuel, “Deus conosco” (Mateus 1:23). Mais importante, o Evangelho fica diminuído a um “quase” se não ficar claro que Jesus morreu pra pagar a dívida de pecadores (1 Pedro 3:18). Se não ficar claro que isso é a maior prova de amor de Deus (Romanos 5:8), e se não ficar claro que isso é o suficiente, não é evangelho.

pelos nossos pecados

Sem comunicar a dura e triste realidade do pecado, nossa condição de total separação (Isaías 59:2), incapacidade (Efésios 2:1-3), rebeldia contra Deus, inimizade com Deus (Romanos 3:9-18), sem dizer o quanto TODOS nós estamos perdidos (Romanos 3:23), o Evangelho vira um “quase evangelho”. Por favor, se você não ia ler as referências, leia pelo menos as deste parágrafo aqui.

foi sepultado

Sim, ele morreu de verdade. Tem umas teorias malucas que dizem que Jesus não estava morto quando foi sepultado. Quanto a essas teorias, sugiro dar uma olhada neste vídeo aqui.http://iprodigo.com/videos/7-milhas.html

e ressuscitou ao terceiro dia

A mensagem do Evangelho é uma mensagem de vitória! Deus e sua providência são infinitamente maiores do que o seu pecado! Por isso, da próxima vez que você estiver achando que você é pecador demais, perdido demais para poder orar ou adorar a Deus, entenda duas coisas: primeiro (Naum 1:2-6), de fato, você não teria a menor chance se tentasse se apresentar a Deus, sendo um pecador! Segundo (Romanos 5:17), o sacrifício de Jesus é infinitamente maior que a soma dos seus pecados do passado e do futuro. Jesus não apenas morreu pra pagar a sua conta com Deus, ele ressuscitou, está vivo, e intercede por você! Se o Evangelho for apresentado sem um Jesus vivo e vencedor, vai ser apresentado um “quase evangelho” sem poder e sem sentido (1 Coríntios 15:14).

segundo as Escrituras

O Evangelho, as boas novas da salvação em Cristo Jesus, o Poder de Deus para salvar as pessoas (Romanos 1:16), não é baseado em experiências, não é um forte sentimento, não é um arrepio, não é aquele momento em que nos acabamos em lágrimas, não é a tradição familiar passada de pai para filho. Não são essas (boas!) coisas que dão autoridade às Boas Novas. A autoridade do Evangelho é baseada na Bíblia, a Palavra de Deus. Nossas sensações mudam a cada dia, nossos sentimentos podem passar por altos e baixos, nosso coração é um tremendo mentiroso (Jeremias 17:9) e algumas tradições familiares são quebradas (graças a Deus por isso, aliás!) mas a Palavra de Deus não muda nunca (Lucas 16:17)! O resto pode mudar, mas o que Deus disse não vai mudar (Números 23:19). É essa a firme base em que está o Evangelho: a Bíblia não muda nem erra (2 Timóteo 3:16-17)!

A Bíblia não deixa claro até onde está a parte “principal” do Evangelho, mas deixa claro (nesse texto de 1 Coríntios 15 e em outros lugares) que há algumas coisas que não podem faltar. Senão, vira “quase evangelho”.

O meu CD “quase gospel”? Pra não causar confusão nenhuma, vou mudar o nome. Acho que vai ser “Sons da Natureza” ou “Música de Ninar”.

Daniel TC | iPródigo | Texto publicado originalmente aqui, no blog www.NissoPensai.com.br, Visite!

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